quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Escrevo versos quando estamos juntos
Quando nossos olhos brilham
E nossos sorrisos brindam  
Quando sentamos nas praças
Tomamos café
Quando nos agradamos das flores, borboletas e crianças
Quando sinto a tua mão é sinal que estamos juntos
Escrevo versos quando partilhamos a comida
Mas nem só de prazer escrevo versos
Escrevo quando estou com medo
E escuto gritos entorpecidos
Quando vejo gatilhos sem freios 
E ódios incessantes,
A comunicação veloz do capital
Vendando, triturando e bombardeando
Escrevo um verso doce cheio de firmeza
Só para dizer a dureza
Que não escrevo sozinho.


 Alexandre Lucas  
O girassol amanheceu
abatido,
Como um verso quebrado
O mundo com pétalas secas se fez desesperança
Ainda existem sementes 
Os girassóis nascerão
Com a consciência de um novo tempo
brilhos brotarão como flores na primavera
Coragem, o povo sabe plantar girassóis
E voar alto, além dos sonhos
Colher equilíbrio e lutar insistemente por pão, cama e felicidade.
Alexandre Lucas

quarta-feira, 26 de setembro de 2018


A poesia não basta
Quando as letras são de ameaças
Quando coturnos e bíblias
Atravessam os céus
E esfregam as almas com ácido
Um exército sem cabeças, perambula  
Munidos de ódio e com código de barra adulterado
Carregam suas escopetas de músculos, narcisismo e pêndulos violados
Parem!
Não fazemos apenas poesia
O nosso verso é construído nas ruas,
Nas mãos que puxam outras mãos
No pão que se aprender a dividir em tempos áridos
Nas aulas de histórias que tentaram nos esconder
Nós também não andamos só
Porque o nosso verso é temperado no aço, no braço e no abraço.

Alexandre Lucas   


Rabisco desejos
Enquanto escuto a Imagen do teu riso
Poesia que escorre como história
Livro de pele e de arrepios , de amor
Aguardo o teu café quente
com todo o teu sabor
Tempero refinado de  delicadeza e despudor
Borboletas vão surgindo
Como arte e gratidão
No poema da epiderme.


Alexandre Lucas

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Na ponta da lingua vira poesia
A lingua que escreve com amor
Nas pontas dos dedos mais sabor
Teu corpo dedilhado com ternura
tua pele página guarda histórias
canções de liberdade
no verso composto do cuidar.

Alexandre Lucas
Mesmo diante do terreno de ódio, feridas e cicatrizes
Carrego uma primavera
Que faz curva e cura
Brilho e chuva
Faz inovação
Diante do frio
Quero sentir a respiração cantarolando desejos
E que não falte a flauta mansa das palavras, nem o incêndio da paixão
Em procissão de esperança
Acendo velas
vejo as silhuetas das nossas mãos fazendo versos.

Alexandre Lucas


A gente é um livro de muitas coisas
A cada página uma narrativa de luta
Vamos dando significados  as coisas e a  nós
Assim como  na arte, nada   é tão real como a realidade que criamos
Temos a liberdade de criar e nos criar,
recriar,
A vida é isso
Um livro escrito com infinitas mãos, algumas leves, outras fortes
Neste livro procuramos constantemente as páginas de  prazer.

Alexandre Lucas


Talvez gostaria de ser um pássaro
Voar,  em alguns momentos
Desbravar os céus
Descobrir a prisão e a liberdade de voar sozinho
Tempo, queda, vôo
A poesia já criou asas
Mas só voa com gente.

Alexandre Lucas


É tempo de Sol
E de florescer nos braços
De sentir o sorriso e o beijo molhado
O verso atravessa a lingua num desvelado  desejo
Flores de gostar e gozar se fazem   quentes
Como são quentes os corpos que  atestam a vida.

Alexandre Lucas


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Perderia-me no mar
Deixaria tuas ondas me navegar
Forte e devagar,
Molhado com o orvalho do teu prazer
Faço-me  anjo de cachos  e sexo
Sagradamente provo teus lábios e o gosto da tua  sucção
O céu azul fica estrelado
Enquanto fico derretido sobre o seu olhar.

Alexandre Lucas

sexta-feira, 14 de setembro de 2018


Entre as linhas e o desejo, nada discrepante
Apenas meu corpo sobre o teu em intervalo
Distante
O beijo de fogo nas entranhas
Faz consenso de prazer
Eternamente, por um instante suspiro
Flores de braços e carnes
Desenham uma vontade inquieta.

Alexandre Lucas  

domingo, 9 de setembro de 2018

Com quantas gotas de sangue se faz uma facada?
Nenhuma!
A violência não precisa vir jorrada de facas, tiros e sangue
Na verdade, a violência não precisa nem vir. 
Gostaria de mandar um recardo para ela:
Não venha!
Será inútil
Ela não obedecerá
Enquanto não desaprendermos a deixar o sangue do outro guardado
A violência não manda recado
E se esconde nas mangas dos paletós
Na ausência dos sonhos e na presença dos pesadelos. 

Alexandre Lucas




Nem mico, nem mito
Minto, minto, minto  
Atrofio, fio, atroz   
Minto, minto, minto
Músculos, culto e força  algoz     
Minto, minto, minto
A verdade é
Minto, minto, minto
E como um piu programado
Minto, Minto, minto
E de tanto
Minto, minto, minto
A verdade parece não existir
Fora do minto, minto, minto.

Alexandre Lucas      

sábado, 1 de setembro de 2018

Deitado olho o horizonte azul,
Ainda sinto a lua piscar os olhos
Relembrando o afeto
Sonhos, daqueles se sente na pele
Caminho que fazemos
Na boca e na luta
Em tempos frios é preciso  resistência  com calor.


Alexandre Lucas
Escreveria com fidelidade na tua boca
Um poema provocante
Teus lábios como fitas
Estimula uma escrita temperada com fogo e paciência,
Quando as peles se cativam , é como uma amizade que se cuida
Fazendo uma escrita sedutora.


Alexandre Lucas

quarta-feira, 29 de agosto de 2018



Tenho uma bandeira vermelha,
Talvez ela seja mais velha, surrada   e empoeirada
Do que outras bandeiras
Eu tenho uma bandeira vermelha
Ela não é laranja, nem azul
É vermelha
Da cor de sangue, da maçã e do pau Brasil
Dizem até que o amor é vermelho,
Nem sei de onde tiraram a ideia que o amor tem cor      
Só sei que a minha bandeira é vermelha
Elas, ainda, são raras
São dessas que não vendem nas esquinas
nos gabinetes,  nos quartos, nos leilões e nos cabarés
Eu tenho uma bandeira vermelha
Tecida por anos, ainda continua sendo tecida
Ganhei há alguns anos essa bandeira vermelha
Nunca a deixo em casa,
Sempre a carrego erguidas nas palavras e nas ações.
Eu tenho uma bandeira vermelha.  

Alexandre Lucas     

quarta-feira, 15 de agosto de 2018


Eu escrevo a poesia amor
Cravada com  botões pontiagudos
Lembranças de brasas
Lágrimas
Diabo como adjetivo
 pronunciado com bastante força: “jabo”
Sim, carrego o peso e  a esperança
A palavra não vem neutra
E o amor não vem sozinho.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 18 de julho de 2018


Calem a boca
Dizem que no teatro deve se fazer silêncio
Na dança silêncio
Na música, na m-ú-s-i-c-a silêncio
Na exposição olhares de contemplação e silêncio
Na periferia a mãe grita:
Filho da puta
Peste
Cão
Diabo ruim  
O filho atende, às vezes   
A violência vem do grito e muito mais do silêncio.

 

Alexandre Lucas  

quinta-feira, 21 de junho de 2018


Em dias frios
Suspiros e boca quente
A consciência flutua
Falta ar
O coração dispara
Enquanto escorro
Entre os teus olhos  e lábios arregalados.

Alexandre Lucas    


Escreveria nos teus lábios
Com língua e dedos
Um poema gemido
De cada sim  e de  parte a parte
Um verso contorcido
Nós tecidos
Escreveríamos um livro  

Alexandre Lucas    

domingo, 17 de junho de 2018


Escutava-se do apartamento  blues e choros
Talvez já seja tarde para o abraço silencioso
Para conversa com agua e café
Mil desaforos e infinitas declarações de amores
Foram professadas do  mais  potente alto falante
Ninguém escutou
Esse silêncio é um cartão de visita sem volta
Um rio de lamentos  interrompido no caminho.

Alexandre Lucas     


Ainda namoro comigo e não é nada fácil
Tem dias que menstruo e nem quero  tomar banho
E obrigo  a me suportar
Tem horas que desejo  bailar na cama sem horas para cessar
Em outros o silêncio é a  melhor serenata
Têm dias de dores, esses são os piores
Parece que entramos no liquidificador
E não sabemos apertar os botões, aquele que para
Mas ainda bem que namoro comigo
E ainda não me encontrei com Maiakovski.

Alexandre Lucas       


Engasguei-me  com o assalto
Quando levantei as mãos
Já estava despido
Com frio e  medo
Encolhi-me  
Para escrever
Poemas chorosos de esperança.

Alexandre Lucas   

sexta-feira, 1 de junho de 2018

O dia amanhece
O sol parece chorar
Na estrada caminhões parados
Faixas pedem intervenção militar
A afefalia desfila na estrada
A história foi enterrada numa butija sem mapa
Vamos escavar as estradas, desenterrar a história
Com militar nem greve, nem poesia
Atesta a história
Liquidificadores de sangue
Orquestrados nos porões
Silenciosos do poder
Maqueiam a ordem
Da tortura, censura e da frescura.

Alexandre Lucas

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Escuto um blues
Para desatender a tempestade
Da  boca molhada dos céus
Estamos distantes
Mas os trovões se fazem tão perto.

Alexandre Lucas 

quarta-feira, 23 de maio de 2018


Sozinho  no parto
Carregos nos braços o choro
O verso nasce do pranto
Das pernas abertas
Expulso a dor para nascer o poema.

Alexandre Lucas  

terça-feira, 22 de maio de 2018


Quando todas as vozes se calam e insistem  em anular o dialogo
Grito com as palavras,
Desocupo o entulho que me engasga
Retiro cada monstro que se instalou ao longo dos tempos
Gritar com as palavras é fácil e necessário.
Difícil mesmo é enrocasse num dialogo de suspiros, desses que nos fazem gozar.  


Alexandre Lucas
  


Despeço-me no meu silêncio manifesto

O corpo gélido já não abre alas e nem ruas

Não fecha e nem abre portas

O corpo tombou  na vida

Ela ( a vida)  que era tão besta

Resolveu acabar com a besteira

E o verso da carne se fez vida

Que não se refaz.

 

Alexandre Lucas   



Quero plantar flores, nunca plantei nenhuma
Até  tentei,  parece que não é fácil plantar flores
Quando se plantar flores, elas ficam ali paradas e depois morrem.
Nasceram novas flores e novamente novos cuidados
Mas fiquei pensando elas ficam paradas
Como seria se as flores me plantassem?

Alexandre Lucas      


Trabalho na escassez das minhas forças
Carrego caixas pesadas de informações
Trabalho com o coração, o meu
Ele não me parece de pedra ou de  aço
Acho que ele é de teia de aranha e não suporta muito peso
Ele pode disparar, acalmar ou ainda parar

Alexandre Lucas

segunda-feira, 21 de maio de 2018


Enquanto dormia
Falei com  deuses e diabos
Com orixás, duendes e ETs  
Com monstros e árvores
Pulei do precipício
Toquei fogo na casa
Fui a lua, cheguei perto do sol
Dei a volta ao mundo
Ainda continuo aqui
Enquanto você dorme.

Alexandre Lucas   

domingo, 20 de maio de 2018


Tiro a roupa
Para escrever cartas de amor
A cada linha descrevo o vestido que encobre  verdades não ditas.

Alexandre Lucas  

sábado, 19 de maio de 2018


Sempre me lembro do homem da esquina
Olhava sempre para baixo
Como se estivesse buscando a vida no chão
Os dias se passavam
O  homem só tinha a esquina que nem era sua
Um dia a esquina estava cheia,
E o homem já morto foi notado.

Alexandre Lucas   

Escrevo um poema de imagens
Nele vejo a boca  com os lábios enviesados
A ponta dos seios em forma de seta  
As pernas despidas
E uma carta para abraçar a alma
De fogo e afeto
No poema cabe tudo,
O desejo, a esperança, o objeto, o dejeto
O verso, a alma e o incerto
O poema atreve a mente   
Sem pontos, pontilha o infinito
Em canto e grito.

Alexandre Lucas