segunda-feira, 20 de maio de 2019

Enquanto bebia o café
A sensação quente
Do primeiro abraço
A pele e  o cheiro desconhecido
Uns goles de paz,
O gato se distrai 
O tempo é curto
Mas o copo,  apesar de vazio
Aguarda o próximo café
Que seja demorado
 E entrelaçado de carinho.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 1 de maio de 2019

O tempo dos afetos tem um relógio inquieto
Os seus ponteiros apontam imagens
Agora
Falta-me água e sobram palavras presas
Vejo uma cachoeira de cachos que bordam risos
 O sol fica azul e a noite amarela 
Os céus cheios de flores se  acariciam com as estrelas
O vento sopra uma fala mansa e um par de olhos pequeninos
Cheiro de mato, alecrim
Suor, chá de amor desconhecido
Penso na textura e no sabor  dos teus movimentos
O relógio gira
A cada passo,  as palavras ainda tímidas,  fazem cachos.


Alexandre Lucas

segunda-feira, 22 de abril de 2019


Tomo muito café
Alguns bem doces,  outros amargos,
Tem  aqueles que esperamos esfriar um pouco
Outros já são frios demais
Provo das paixões e dos cafés
O café tem vida curta, como as paixões
Enquanto o café acaba
Vou colocar-me  no fogo.

Alexandre Lucas

quinta-feira, 18 de abril de 2019


Escreverei  inúmeras cartas de amor
Em nenhuma, escreverei  para sempre ou eternamente  
Escreverei  cartas de amor para o tempo presente
Dez cartas de amor, cem cartas de amor
Inúmeras cartas de amor por dia, mas que isso,   para amores diferentes
Escreverei cartas sinceras,  intensas e efêmeras como as imagens das nuvens  
Escreverei cartas entorpecidas e libertárias, cartas de amor
Cartas para serem sentidas com a língua e o riso para o horizonte
Escrevo cartas de amor
Mesmo as cartas de amor sendo proibidas
Num tempo em que terra, amor e cartas são privadas.

Alexandre Lucas   

domingo, 14 de abril de 2019


É tudo mentira
Até a própria mentira
É uma grande mentira
O que seriamos de nós sem as mentiras?
A liberdade continua sendo uma mentira
Tem gente que encontra deus na goiabeira
E diz que arma de fogo é para proteger
É tudo mentira.
Mas alguém precisa acreditar em alguma coisa
Quando a verdade é uma mentira o que nos resta?
Dizer verdades mentirosas?

Alexandre Lucas

segunda-feira, 1 de abril de 2019


Eu que queria amar a noite toda
Fico apenas com as palavras
E com a vontade
A noite anuncia que será longa
De companhia, além das palavras
Apenas o corpo molhado da chuva
E as luzes dos trovões
Eu que tenho pouco tempo,
Talvez não possa amar a noite inteira
Mas quando ela deixa
 Amo por uma noite inteira.

Alexandre Lucas     
   

Qual o sabor da tua boca?
Esbugalhada,
Ela textualiza um verso profano
Vejo delicias escritas
Entre língua e lábios
A carne se faz escrita delirante
A tua boca é um livro desses que desejamos ler.  

Alexandre Lucas

terça-feira, 19 de março de 2019

Que os abraços possam ser quentes
Mas que a cidade seja agradável
Que os tapetes pretos de asfalto
Possam ser xadrezes de rochas
Que as águas banhem o corpo do solo
E as árvores possam acolher os afetos
Que o ar seja outro, menos carros
Ruas misturando gente e edificando saberes
Que os pássaros sejam livres na cidade
Que as frutas estejam ao alcance das mãos
Uma cidade que alimente barrigas e sonhos
que a poesia seja espalhada por toda a cidade
substituindo todas as embalagens.
Que as crianças conheçam a cidade sem os enlatados
E sem o véu cinza de urbanização antissocial.



Alexandre Lucas

domingo, 17 de março de 2019

Tenho  a idade dos meus sonhos
As vezes,  eles, meus sonhos    
Tem a idade do meu filho
As vezes eles são pequenos,
Outras vezes  gigantescos
Alguns são novos e outros bem velhos
Tenho a idade para beijar na boca
E para vestir o corpo despido
Tenho  idade dos que choram e dos que gritam
Dos que calam também
A idade nunca deveria ser medida pela carcaça
Os sonhos nunca se medem pelo tempo.


Alexandre Lucas 

sábado, 16 de março de 2019


Já não tenho lembranças do sabor do teu beijo
Que se fez verso como a primavera, passageira
Tua boca fez silêncio, mas teus olhos escreveram tantos poemas
Que cheguei a pensar que Paraty
Estava bem aqui, nos toques das mãos.

Alexandre Lucas      


Queria comprar felicidade na esquina
Mas se na esquina tivesse felicidade para vender
Muita gente ficaria infeliz
Não teriam como comprar felicidade
Dizem que a felicidade não é permanente
É visitante
Acredito nisso
Entretanto fico na dúvida
Se ela não está à venda esquina.

Alexandre Lucas   

terça-feira, 5 de março de 2019


Vesti a melhor roupa, a que estava limpa e confortável
Não tirava os olhos do relógio
Dias confeccionando risos,
Se aproximava o momento
O relógio parecia mais lento
A roupa limpa e confortável
Foi aos poucos ficado suja e suada
O riso murchou
A porta que esteve sempre aberta
Carrega as lembranças das esperas  
E o olhar triste
De quem não sabe se haverá primavera.

Alexandre Lucas   

segunda-feira, 4 de março de 2019


Eu que me abandono no canto do quarto
Procurando versos para se enrolar
Tranco-me num vaso de desejos
A noite parece silenciosa, mas dentro de mim faz barulho
O vaso quebra, sangro de palavras
E o poema escorre cheio de dor.  


Alexandre Lucas


Todos estão ocupados
Enquanto isso,  converso
Com os monstros desocupados
Eles sempre têm tempo, além do desejado
Escrevo
Como se tirasse espinhos dos olhos
É porque tem que sair
Enquanto converso como os monstros.

Alexandre Lucas   


Apaguei palavras e recomecei
O poema estava preso e o  poeta atordoado   
O poeta pari e aborta o poema
O poeta é o pai e a mãe do poema
Mas o poema já não é mais seu.  


Alexandre Lucas  

sábado, 23 de fevereiro de 2019


Estou fazendo o café
Lembrei da ligação
E fui organizar os livros
Cortei o papel
Desliguei o fogo
Varri a casa
Terminei o café
No caminho para banheiro
Lembrei da carteira de identidade
Escrevi uma poesia
Tomei um gole de café.
Eu não podia esperar  apenas pelo café.

Alexandre Lucas  

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019


Vejo versos vermelhos
Na tua boca maçã
Poema carnaval
Escrito no tecido erógeno da imaginação
Teus lábios tem uma escrita profana
Leio com gosto
Com o prazer que Eva teve ao comer a maçã
Pecado, é não descobrir o teu poema
Tão exposto,  na primeira página
Abaixo dos teu olhos.

Alexandre Lucas     

sábado, 16 de fevereiro de 2019


Casa, caso, casamento, acasalamento       
Entranhamentos
Na deriva
Casei comigo, em dias tranquilos
E em dias de tempestade
Fico para me separar
Parar e sentir o ar
Casar
Interminavelmente casamos.

Alexandre Lucas



Não era amor
Mas era abraço forte
Não era sexo
Mas parecia
Aquele homem vestia preto
Por cima do preto
Na escutava nada     
Não era asfixiofilia
Muito menos poesia
Extra , Extra, Extra
O supermercado tem comodidade  
Para cachorro da madame
Com personal dog
Mais um preto anônimo
É estrangulado
Na rotina dos homens de preto
    

Alexandre Lucas   

domingo, 3 de fevereiro de 2019


O café é a grande companhia
O jantar foi cancelado
As velas foram apagadas
Sobre a mesa uma salada de papeis e outras coisas
Para comer trago indelicadezas e uma gastrite
Prossigo, ainda tem na garrafa café e alguns desaforos.

Alexandre Lucas   



Eu sou homem que veste rosa
Que gostar de poesia,
Que fala de flor e de rosa
Que vai a sorveteria e as lojas de bijuterias
Que de cara não tem cara de homem
Sou desses homens que chora
No quarto e na praça
No momento só precisam saber que choro.

Alexandre Lucas  


Vasculhando meus olhos
Sentir saudades
Encontrei versos de pedaços cheios de cor
Saia rodada, cordel do fogo encantado
Peregrinações no teatro da vida  
Brilhos, estrelas e massagens nos olhos
Ainda lembro das massagens nos olhos
Como da homeopatia dos beijos e da sua evolução
Poema interrompido
A vida segue
E a poesia se reinventa.

Alexandre Lucas   

sábado, 2 de fevereiro de 2019


O poema engarrafado de uma noite de vinho
Guarda os olhos claros e o sorriso embriagante
Os versos que se fizeram nas praças e no estreito sofá
A lembrança da dança, da chuva e da alegria de correr pelas ruas
O brilho dos afetos, não se engarrafa
Anda solto
Não pede permissão
Entra, como luz,
Basta uma brechinha.

Alexandre Lucas    

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Eu que nunca menstruei
Entendo de várias outras menstruações
Existe sempre uma maça no caminho
Gostosa, irrecusável e na boca da cobra  
E um incomodo novo de tempos em tempos
Sangra, mas cessa
O pecado é inevitável.

Alexandre Lucas 
Quando criança acreditava no céu e no inferno
Brncava de construir castelos, inclusive de açúcar
O céu e o inferno e os castelos de açúcar existem, bem mais proximos e efêmeros
São como os sorrisos e as nuvens: passageiros
É como um beijo que nao dura um dia inteiro
Muito menos a eternidade
Mais todos os dias
Estamos construindo
O céu, o inferno e os castelos de açúcar.

Alexandre Lucas

Percebo que falo sozinho
Falo com os monstros   e o silêncio
Vou parindo um terço de inquietações
E no meio de quatro paredes sempre me refaço
Café amargo, sem ser coado
Palavras jogadas e organizadas
Quando não tenho muito tempo e sobra muita raiva, cuspo
Nem todos os dias são de delicadeza,
As vezes planto novas flores.

Alexandre Lucas 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019


Vi um menino chorando na multidão
Falava sozinho, resmungava
Olhava de lado e continuava sozinho
O choro dizia o não dito
O grito que no meio da multidão continuava sozinho
Como a formiga que não sobrevive no meio do mel.

Alexandre Lucas  

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019


Não decoro versos e nem formulas
Esqueço da chave e de fechar a porta
As vezes esqueço-me no pé do altar
Deixo o feijão queimar, porque esqueço
Outro dia esqueci que estava nu
Sair pelas ruas, sendo eu
Sem rótulos e roupas
Isso é raro,
Desde cedo nos colocam roupas, inclusive aquelas que não gostamos
Isso não tenho como  esquecer.

Alexandre Lucas   



Enquanto tomo café
Penso num desejo quente
Começo a caminhar
Nas estradas flutuantes do pensamento
Logo começo a rir
Esse teu olhar me desmonta de felicidade
É possível ver e  sentir, algo além das nuvens, talvez o azul   
O azul do mar, do céu e dos olhos  
Da imensidão do andar  e do abraço de flor
A praça guarda lembranças verdes
Que alegremente insistem em não passar.

Alexandre Lucas

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Tenho mais que uma boca para dividir
Tenho a palavra e a língua
O dialogo e a caminhada
As estrelas, o verso e o riso
O tempo maior que as nuvens e a companhia da cama, 
mais que um beijo, mais que um dia
Tem uma canção que não se canta só
E que se aprende a cantar de um único jeito:
cantando.

Alexandre Lucas

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019


Podemos tomar um sorvete
Com o sabor do teu tempo
Tem tempos de sabores quentes
De línguas e olhos acoplados
De sorver,
De brincar com sorvete derretido
E de sentir o gosto do bordado da vida   

Alexandre Lucas

O beijo suave  bordava a tarde
Nós quentes faziamos versos de suspiros e delicadeza
Branca macia e avermelhada pele
Lençol de encontro
 A noite chega e o desejo madruga
Teu riso tatua lembranças
Cada  tarde se renova afogueada de nós e cheia de cetim.


Alexandre Lucas

domingo, 27 de janeiro de 2019

Eu que não escrevo cartas de amor
O arrumo o quarto, sempre fica algo bagunçado
Prefiro apenas meu cabelo bagunçado
Pelas tuas mãos
Essas que escrevem poesia 
Sim, poesia, sem texto
Com língua e tudo
Eu que não preciso escrever cartas de amor
Assanho-me todo, só para dizer que o quarto está ficando organizado.

Alexandre Lucas

sábado, 26 de janeiro de 2019

Vamos de mãos dadas
Tem um caminho verde, cheio de esperança
Fitas coloridas que vibram cheias de fé
No teu silêncio
leio a carta de  afetos dos teus olhos
Falam mais que todas as  palavras juntas
Sentamos
E aos poucos vamos debulhando com pressa o encanto 
Cobriremos as ladeiras mais altas de beijos
Só para descemos de mansinho.

Alexandre Lucas

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019


As flores ainda existem
Mesmo lapidadas em rochas magmáticas
Inventemos de ser felizes  
Com trocados de carinho
E maciez no olhar
O beijo, o toque e o sorriso, apenas isso
Já carrega incêndios de felicidade
Hoje é sempre outra poesia , num intervalo da cada meio dia.

Alexandre Lucas  

Amarelo, alecrim, alegria
Tempo para chorar de rir
Tem uma rosa para se fazer 
Céu para brincar
Voltar a sentir
O encanto
da folha seca  dançando com o vento
Logo, invento de me abrir com 7 chaves
E  escamcaro o verso do desejo que se espalha pelo ar.


Alexandre Lucas

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019


Estamos em romaria de afetos
O céu está ao alcance das mãos
Peregrinando a esperança
Sinto tua boca no meu olhar
Azul,  verde e vermelho   compõe o rosário
Entre sabores vamos orando
Neste rosário de flores,  profano e  sagrado
O instante é tão intenso
Como brilho nos olhos
Que se faz verso tecido entre a carne e a alma.
Como o rio que não se separa das margens.

Alexandre Lucas  

domingo, 20 de janeiro de 2019


Entre dedos que não se tocam
Nos tocamos
Esbugalhamos sensações,
Nas telas, palavras
Carregadas de nós
Palavras, nunca são só palavras
Afagam, despertam, descobrem
Mas também criam monstros,
Metralhadoras que disparam
Dissipam
Param  
Palavras que não nos faltam, até mesmo quando falta
O silêncio é cheio de palavras.

Alexandre Lucas

sábado, 19 de janeiro de 2019


Gosto mesmo é de café com mãos
Um sopro para esfriar o pé do ouvido
Nós sendo xícara e nos bebendo
Corpos quentes, como um café no ponto.


Alexandre Lucas       

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Que a boca seja família
Fico pensando no que a boca é capaz de fazer
Até reviro os olhos,
Mas também fico espantado  
Mas logo penso que família nem sempre é aconchego
Saudades tenho de muitas coisas
Inclusive da família e de algumas bocas
Tem horas que sinto vontade de gritar
Palavrões de prazer e choros presos  
Espero mesmo é um abraço
Desses que conversa com o corpo e traz sorrisos
Sempre reencontro família, boca, amizade e amor.

Alexandre Lucas 

terça-feira, 15 de janeiro de 2019


Nosso encontro, ainda não encontrado
Pode ter estações de corpos elétricos e quentes
Nos momentos de melancolia, sejamos fuga
Fugazes, sem deixar de cultivar
Colinas de encanto
Que a vontade não seja,
Um ponto para esperar
O sol desaparecer.

Alexandre Lucas      



Decreto o credo
Escudo é bíblia
Arma de fogo é testamento
A bala é a palavra do diálogo do tomento
Reescreveram o evangelho
Trocaram verbos, adjetivos e substantivos
Sobraram antônimos.
O homem de bem escreve a lei, somente a sua
O homem de bem ora
e mata.

Alexandre Lucas  

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019


Quero te riscar toda
Com a ponta da língua
Escrever rabiscos na tua boca
E na beira dos grandes lábios
Fazer as mais importantes anotações
Escrevo em linhas onduladas
Um texto sentido   
Na trepidação entre a  pele e a língua
A gramática do corpo
Vai se compondo no momento
Descomportadamente culta
O texto escrito a dois se dissolve
Como um poema de açúcar.


Alexandre Lucas

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019


Todos os dias picho:  eu te amo
O amor é subversivo
É canção que nunca se canta só
Estandarte de afeto, buquê de dor   
O amor, filho,  é dicotomia
Parece com a poesia
Que se tece com os fios da vida
Cheios de cores e misturas,  
Fios rígidos e frágeis  
Que vão costurando horizontes
Cheios de pássaros
Assim como nós
Que voamos e amamos
E como o pão de cada dia
Não pode nos faltar
Vou continuar pichando: Eu te amo.  

Alexandre Lucas


A boca  é um cinema de tesão
Em pé  sinto a cena
Entre uma volta e outra
Um recomeço de harmonia
Calma e apressada
A boca
Vai compondo a chegada
Que se espalha de vida
Pelos lábios
Entre gemidos agudos
A paz se instala
E o amor se faz uma cena sem fim.   

Alexandre Lucas

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019


Importa o pão que nos falta
E a guerra que se faz
A fruta tóxica, a morte
E a vida Severina
O menino embrulhado nos jornais
O motivo não é rosa, nem azul
Eu quero a paz, a barriga cheia e tempo para brincar
Nada vem apenas com as palavras,
Continua sendo tempo de lutar.

Alexandre Lucas   

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019


Escrevo num borrão

palavras que dissolvem

Entre fagulhas e névoas

Um desejo infinito que não se guarda no túmulo

A palavra grita embaixo da pedra

Mas ela é arqueira

E a qualquer momento seu grito voa.

 

Alexandre Lucas


sábado, 5 de janeiro de 2019

Faz sol camaradas
A estrada pode ter poesias
Mas faz sol
Podemos ficar com sede e  a pele ressecada
O caminho é longo,
E cheio de frutas e lutas
Quando a noite chegar
Precisamos comer
Da poesia que nos enche de esperança
Ainda vai fazer sol
Precisamos caminhar
E encontrar a porta do desejo a cada dia.


Alexandre Lucas

Quando for do nosso desejo
Caminhemos juntos,
Pelas manhãs, tardes, noites e quem sabe pelas madrugadas
Não será todos os dias e nem pela eternidade
Talvez tenha o tempo do café
Ou do baobá
No caminho
Partilhemos da luta, do  pão e da carne
Se for do nosso desejo
Publicaremos na nossa alma
Nossos encontros
Que ele seja incenso,
E não pólvora
Mas que não falte fogo
E que vire incêndio de sorrisos
E  quando não for mais possível
O poema continuará
Por um tempo sozinho
Por outro compartilhado
Mas livre para sonhar.

Alexandre Lucas   

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Na nação e pátria do desejo
O verbo da persistência não é novidade
A luta diária tem vontade
De cirandar a felicidade
Enquanto a ciranda não se faz
A resistência se tempera
Pois desistir jamais.


Alexandre Lucas
Despeço-me
Tentei
Dentre tantas vezes tentei
Sou tentador
Sem nunca tentar buscar a dor ,
Ela vem
Pensei  que o amor era como a poesia
Bastava escrever e  estava pronto
Prefiro  tentar escrever poesia
Porque o amor não se escreve .

Alexandre Lucas

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Pensei em guardar beijos 
Mas o amor é nascente
A alegria brota brilhos no presente
E amanhã é novo dia, é óbvio
É preciso cuidar da nascente com canto suave, isso nem sempre é óbvio
A palavra tem que fazer para o coração rede
Balançar de felicidade os olhares
Essa deve ser a luta.


Alexandre Lucas
Visita-me com calma
Desata a correria
Compõe a lira do companheirismo
Podemos sentar e sentir o gosto do olho, do café e do  alecrim
O cheiro,  da alegria e do corpo tocado
A música canta carinho
E os lábios voam, num intervalo de mordidas.

Alexandre Lucas

domingo, 23 de dezembro de 2018


Não sou a bonequinha de porcelana
Apesar de muito frágil
Não sou a bonequinha de porcelana
Que fica onde você botar, quietinha
Por dias, por anos
Esperando você querer brincar
A bonequinha de porcelana é a coisa
E eu não sendo, me revolto.

Alexandre Lucas    



Procuro abraços
Dentro e fora de mim
No quarto, na esquina e no embaraço
Ando pelas ruas, eu e o sol
Nenhum abraço
Olho para mim e vejo braços,
E me abraço com lágrimas
Continuo andando e vasculhando
Dentro ou fora de mim
Existe jasmim e mandacaru
Deve existir também outros braços.

Alexandre Lucas

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018


Nas  férias quero língua
Versos e flores
Beijos,
Um riso leve e um olhar de quero
As contas pagas e a casa arrumada
O corpo trançado no teu
De vez em quando
Preciso sentir a minha respiração também
Enquanto as férias não chegam
eu durmo,  mais pouco
Só pra ficar sonhando.

Alexandre Lucas.



No contentamento do instante
O verso goza jogo de palavras
É uma surpresa
O jogo de indecisão e confusão
Nem sempre falamos para compressão
A comunicação trunca, dúbia,  dribla
Tripudia as vezes para rimar com a poesia
Enquanto isso vou desejando o prazer
Com a intensão de encontrar cada palavra
Bulinando o querer.   

Alexandre Lucas

Será necessário cortar a carne
Só para dizer que está sagrando
Fazer pregas na cara para dizer que dói
Publicar nos jornais um manifesto de dor
E distribuir laudos de sofrimento
Não!
As mãos se estenderão
Nas tardes sepultadas
Às cirandas continuarão quando as dores não forem minhas.
É neste privado estufamento desumanitário que não sigo em marcha.

Alexandre Lucas

Junto as palavras
Aquelas que me dão e não são tuas
Aquelas que pego do tempo, espaço e momento e que  também não são minhas
Pego, junto , troco, brinco e crio imagens, recrio a realidade 
De palavra em palavra 
Comemos no baquete antropofágico temperado com a  língua. 

Alexandre Lucas

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Quando eu olho
vejo além do olho
Parte do olho é mundo
A outra parte é eu jogado no mundo
O poema é olho
Furado ou brilhante
Sangrando ou lacrimejando
Longo ou curto
Murcho ou florido
No poema tudo pode faltar
Menos o olho.

Alexandre Lucas 

Dentro mim  águas turbulentas
A superfície árida da realidade, o verso ácido
Querem nadar comigo
Não tem indecisão
Quando querem me ensinar a nadar
Decido voar

Alexandre Lucas

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

No calor da pele
Sinto a respiração
Falando melodias quentes
Ainda balanço na rede a preguiça e as lembranças
O tempo exige pressa
Tenho que correr para tomar café e me encontrar com asfalto e concreto
Talvez sobre tempo para um gole de água
Mas não sei se terá nem meio dedo de prosa
Mesmo assim, tempero as palavras para que a vida tenha gosto. 


Alexandre Lucas

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Gostaria de ler lábios
E sentir  cada palavra
Quente e molhada
Entre um livro e um  banho
Receber as mãos
Tateando o viver
O cansaço consome a cabeça
Preciso de um chá
que  me afaste do sono  e que venha com lábios  e sonhos.

Alexandre Lucas



Na cidade ou no campo
Brotam flores e dores
A felicidade é o verso mais procurado
Bandeiras de paz são hasteadas em terrenos de  guerra
Na garra se faz doce e se jorra sangue
E entre o céu e o sonho
A vida se desenrola na terra.

Alexandre Lucas


Para cada intervalo  frio da vida
Uma xícara quente de café
Acompanhada de uma língua em brasa de doçura
Tricotando com beijos e mordidas delícias
As mãos escritas nas costas apontando o código forte do desejo incontido.

Alexandre Lucas



O homem agoniza na multidão 
Mas Drummond é mais importante 
O homem na mesa é um verso de dor, mas o riso é mais importante 
Estendeu-se no papel o corpo do homem 
Mais o homem já não estava mais aqui 
Existem coisas mais importantes que o homem. 

Alexandre Lucas 

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Qual seria a desenvoltura de dois corpos vestidos de pudores?
Eu gosto do verso nu
Da delicadeza sem arrodeios,  da palavra forte e do beijo molhado
Da esperança do reencontro
Do carisma feito de lenço de paz
Gosto do despudor
Cheio de afeto e caragem
Das pernas entrelaçadas e voz da liberdade.

Alexandre Lucas
Doar parte de mim
Voar  permeado com teu calor , ir aos céus
Viajar por alguns instantes na rua  boca  para cultivar flores, sabores e o gosto de viver
Se a felicidade é a uma fortaleza instantânea
Que seja constante
Pois, a  vida é um bosque
Onde procuramos
Incansavelmente sombras para amar.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 14 de novembro de 2018


Vi uma rosa branca, num quintal de angústia
Seu coração, se que as rosas têm coração
Cheirava continuamente...era tempo de cheirar
Ainda existia perfume
Um desejo de conquistas
Saúde, paz e amor
Bordava os sonhos   
Com uma dedicação
Que só uma rosa branca, no meio de um quintal de angústia
 Poderia brotar a cada dia como uma poesia.

Alexandre Lucas  

Escrevo com a liberdade que não tenho
O sonho é sempre uma escrita proibida
Até mesmo quando a simplicidade o compõe
De tempo em tempos
O prazer e o sorriso podem ser censurado
O deus do ódio usa maquiagem e artificializa a  bondade
Os tiros viram música
O amor uma extinção
Mas a todo tempo a vida resiste.

Alexandre Lucas
Gostaria de ler lábios
E sentir  cada palavra
Quente e molhada
Entre um livro e um  banho
Receber as mãos
Tateando o viver
O cansaço consome a cabeça
Preciso de um chá
Que  me afaste do sono  e que venha com lábios  e sonhos.

Alexandre Lucas

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O canto foi um verso de dor,
A tristeza se fez paisagem
Mas entre as rachaduras do concreto se espriguiçavam às flores
A simpatia multicolor
Se fez força, energia que se  faz voz, punho e poesia
E entre as rachaduras descobrimos o amor.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Parece que os olhos sempre  denuciam
O indigesto e o gesto do desejo
O código que tem um segredo perdido
Num  olhar atento
Texto de letras embasadas
A leitura poderá sair
Das advinhações
Dos tabuleiros que colocamos na vida.

Alexandre Lucas

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Reescrever as palavras com outras palavras
Falamos amor infinitas vezes
Sem usar a palavra amor
Vamos reinventar as palavras para reaprender a caminhar
Usaremos azul, verde e amarelo quando  for necessário
E  o vermelho quando for possível
Tomaremos mais café com Marias e Raimundos
Entraremos na fila só para ganhar mais força
Todos os dias escreveremos cartas sem palavras para o capitão
E rios de livros para o povo debulhar sonhos
Existir será sempre  uma certeza para resistir
Como cupins, trabalharemos
Da madeira de lei
Tocaremos o samba que nos une, com suor e brilho nos olhos, com panela cheia e o direito de amar.



Alexandre Lucas

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Escrevo versos quando estamos juntos
Quando nossos olhos brilham
E nossos sorrisos brindam  
Quando sentamos nas praças
Tomamos café
Quando nos agradamos das flores, borboletas e crianças
Quando sinto a tua mão é sinal que estamos juntos
Escrevo versos quando partilhamos a comida
Mas nem só de prazer escrevo versos
Escrevo quando estou com medo
E escuto gritos entorpecidos
Quando vejo gatilhos sem freios 
E ódios incessantes,
A comunicação veloz do capital
Vendando, triturando e bombardeando
Escrevo um verso doce cheio de firmeza
Só para dizer a dureza
Que não escrevo sozinho.


 Alexandre Lucas  
O girassol amanheceu
abatido,
Como um verso quebrado
O mundo com pétalas secas se fez desesperança
Ainda existem sementes 
Os girassóis nascerão
Com a consciência de um novo tempo
brilhos brotarão como flores na primavera
Coragem, o povo sabe plantar girassóis
E voar alto, além dos sonhos
Colher equilíbrio e lutar insistemente por pão, cama e felicidade.
Alexandre Lucas

quarta-feira, 26 de setembro de 2018


A poesia não basta
Quando as letras são de ameaças
Quando coturnos e bíblias
Atravessam os céus
E esfregam as almas com ácido
Um exército sem cabeças, perambula  
Munidos de ódio e com código de barra adulterado
Carregam suas escopetas de músculos, narcisismo e pêndulos violados
Parem!
Não fazemos apenas poesia
O nosso verso é construído nas ruas,
Nas mãos que puxam outras mãos
No pão que se aprender a dividir em tempos áridos
Nas aulas de histórias que tentaram nos esconder
Nós também não andamos só
Porque o nosso verso é temperado no aço, no braço e no abraço.

Alexandre Lucas   


Rabisco desejos
Enquanto escuto a Imagen do teu riso
Poesia que escorre como história
Livro de pele e de arrepios , de amor
Aguardo o teu café quente
com todo o teu sabor
Tempero refinado de  delicadeza e despudor
Borboletas vão surgindo
Como arte e gratidão
No poema da epiderme.


Alexandre Lucas

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Na ponta da lingua vira poesia
A lingua que escreve com amor
Nas pontas dos dedos mais sabor
Teu corpo dedilhado com ternura
tua pele página guarda histórias
canções de liberdade
no verso composto do cuidar.

Alexandre Lucas
Mesmo diante do terreno de ódio, feridas e cicatrizes
Carrego uma primavera
Que faz curva e cura
Brilho e chuva
Faz inovação
Diante do frio
Quero sentir a respiração cantarolando desejos
E que não falte a flauta mansa das palavras, nem o incêndio da paixão
Em procissão de esperança
Acendo velas
vejo as silhuetas das nossas mãos fazendo versos.

Alexandre Lucas


A gente é um livro de muitas coisas
A cada página uma narrativa de luta
Vamos dando significados  as coisas e a  nós
Assim como  na arte, nada   é tão real como a realidade que criamos
Temos a liberdade de criar e nos criar,
recriar,
A vida é isso
Um livro escrito com infinitas mãos, algumas leves, outras fortes
Neste livro procuramos constantemente as páginas de  prazer.

Alexandre Lucas


Talvez gostaria de ser um pássaro
Voar,  em alguns momentos
Desbravar os céus
Descobrir a prisão e a liberdade de voar sozinho
Tempo, queda, vôo
A poesia já criou asas
Mas só voa com gente.

Alexandre Lucas


É tempo de Sol
E de florescer nos braços
De sentir o sorriso e o beijo molhado
O verso atravessa a lingua num desvelado  desejo
Flores de gostar e gozar se fazem   quentes
Como são quentes os corpos que  atestam a vida.

Alexandre Lucas


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Perderia-me no mar
Deixaria tuas ondas me navegar
Forte e devagar,
Molhado com o orvalho do teu prazer
Faço-me  anjo de cachos  e sexo
Sagradamente provo teus lábios e o gosto da tua  sucção
O céu azul fica estrelado
Enquanto fico derretido sobre o seu olhar.

Alexandre Lucas

sexta-feira, 14 de setembro de 2018


Entre as linhas e o desejo, nada discrepante
Apenas meu corpo sobre o teu em intervalo
Distante
O beijo de fogo nas entranhas
Faz consenso de prazer
Eternamente, por um instante suspiro
Flores de braços e carnes
Desenham uma vontade inquieta.

Alexandre Lucas  

domingo, 9 de setembro de 2018

Com quantas gotas de sangue se faz uma facada?
Nenhuma!
A violência não precisa vir jorrada de facas, tiros e sangue
Na verdade, a violência não precisa nem vir. 
Gostaria de mandar um recardo para ela:
Não venha!
Será inútil
Ela não obedecerá
Enquanto não desaprendermos a deixar o sangue do outro guardado
A violência não manda recado
E se esconde nas mangas dos paletós
Na ausência dos sonhos e na presença dos pesadelos. 

Alexandre Lucas




Nem mico, nem mito
Minto, minto, minto  
Atrofio, fio, atroz   
Minto, minto, minto
Músculos, culto e força  algoz     
Minto, minto, minto
A verdade é
Minto, minto, minto
E como um piu programado
Minto, Minto, minto
E de tanto
Minto, minto, minto
A verdade parece não existir
Fora do minto, minto, minto.

Alexandre Lucas      

sábado, 1 de setembro de 2018

Deitado olho o horizonte azul,
Ainda sinto a lua piscar os olhos
Relembrando o afeto
Sonhos, daqueles se sente na pele
Caminho que fazemos
Na boca e na luta
Em tempos frios é preciso  resistência  com calor.


Alexandre Lucas
Escreveria com fidelidade na tua boca
Um poema provocante
Teus lábios como fitas
Estimula uma escrita temperada com fogo e paciência,
Quando as peles se cativam , é como uma amizade que se cuida
Fazendo uma escrita sedutora.


Alexandre Lucas

quarta-feira, 29 de agosto de 2018



Tenho uma bandeira vermelha,
Talvez ela seja mais velha, surrada   e empoeirada
Do que outras bandeiras
Eu tenho uma bandeira vermelha
Ela não é laranja, nem azul
É vermelha
Da cor de sangue, da maçã e do pau Brasil
Dizem até que o amor é vermelho,
Nem sei de onde tiraram a ideia que o amor tem cor      
Só sei que a minha bandeira é vermelha
Elas, ainda, são raras
São dessas que não vendem nas esquinas
nos gabinetes,  nos quartos, nos leilões e nos cabarés
Eu tenho uma bandeira vermelha
Tecida por anos, ainda continua sendo tecida
Ganhei há alguns anos essa bandeira vermelha
Nunca a deixo em casa,
Sempre a carrego erguidas nas palavras e nas ações.
Eu tenho uma bandeira vermelha.  

Alexandre Lucas     

quarta-feira, 15 de agosto de 2018


Eu escrevo a poesia amor
Cravada com  botões pontiagudos
Lembranças de brasas
Lágrimas
Diabo como adjetivo
 pronunciado com bastante força: “jabo”
Sim, carrego o peso e  a esperança
A palavra não vem neutra
E o amor não vem sozinho.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 18 de julho de 2018


Calem a boca
Dizem que no teatro deve se fazer silêncio
Na dança silêncio
Na música, na m-ú-s-i-c-a silêncio
Na exposição olhares de contemplação e silêncio
Na periferia a mãe grita:
Filho da puta
Peste
Cão
Diabo ruim  
O filho atende, às vezes   
A violência vem do grito e muito mais do silêncio.

 

Alexandre Lucas  

quinta-feira, 21 de junho de 2018


Em dias frios
Suspiros e boca quente
A consciência flutua
Falta ar
O coração dispara
Enquanto escorro
Entre os teus olhos  e lábios arregalados.

Alexandre Lucas