segunda-feira, 3 de dezembro de 2018


Nas  férias quero língua
Versos e flores
Beijos,
Um riso leve e um olhar de quero
As contas pagas e a casa arrumada
O corpo trançado no teu
De vez em quando
Preciso sentir a minha respiração também
Enquanto as férias não chegam
eu durmo,  mais pouco
Só pra ficar sonhando.

Alexandre Lucas.



No contentamento do instante
O verso goza jogo de palavras
É uma surpresa
O jogo de indecisão e confusão
Nem sempre falamos para compressão
A comunicação trunca, dúbia,  dribla
Tripudia as vezes para rimar com a poesia
Enquanto isso vou desejando o prazer
Com a intensão de encontrar cada palavra
Bulinando o querer.   

Alexandre Lucas

Será necessário cortar a carne
Só para dizer que está sagrando
Fazer pregas na cara para dizer que dói
Publicar nos jornais um manifesto de dor
E distribuir laudos de sofrimento
Não!
As mãos se estenderão
Nas tardes sepultadas
Às cirandas continuarão quando as dores não forem minhas.
É neste privado estufamento desumanitário que não sigo em marcha.

Alexandre Lucas

Junto as palavras
Aquelas que me dão e não são tuas
Aquelas que pego do tempo, espaço e momento e que  também não são minhas
Pego, junto , troco, brinco e crio imagens, recrio a realidade 
De palavra em palavra 
Comemos no baquete antropofágico temperado com a  língua. 

Alexandre Lucas

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Quando eu olho
vejo além do olho
Parte do olho é mundo
A outra parte é eu jogado no mundo
O poema é olho
Furado ou brilhante
Sangrando ou lacrimejando
Longo ou curto
Murcho ou florido
No poema tudo pode faltar
Menos o olho.

Alexandre Lucas 

Dentro mim  águas turbulentas
A superfície árida da realidade, o verso ácido
Querem nadar comigo
Não tem indecisão
Quando querem me ensinar a nadar
Decido voar

Alexandre Lucas

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

No calor da pele
Sinto a respiração
Falando melodias quentes
Ainda balanço na rede a preguiça e as lembranças
O tempo exige pressa
Tenho que correr para tomar café e me encontrar com asfalto e concreto
Talvez sobre tempo para um gole de água
Mas não sei se terá nem meio dedo de prosa
Mesmo assim, tempero as palavras para que a vida tenha gosto. 


Alexandre Lucas

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Gostaria de ler lábios
E sentir  cada palavra
Quente e molhada
Entre um livro e um  banho
Receber as mãos
Tateando o viver
O cansaço consome a cabeça
Preciso de um chá
que  me afaste do sono  e que venha com lábios  e sonhos.

Alexandre Lucas



Na cidade ou no campo
Brotam flores e dores
A felicidade é o verso mais procurado
Bandeiras de paz são hasteadas em terrenos de  guerra
Na garra se faz doce e se jorra sangue
E entre o céu e o sonho
A vida se desenrola na terra.

Alexandre Lucas


Para cada intervalo  frio da vida
Uma xícara quente de café
Acompanhada de uma língua em brasa de doçura
Tricotando com beijos e mordidas delícias
As mãos escritas nas costas apontando o código forte do desejo incontido.

Alexandre Lucas



O homem agoniza na multidão 
Mas Drummond é mais importante 
O homem na mesa é um verso de dor, mas o riso é mais importante 
Estendeu-se no papel o corpo do homem 
Mais o homem já não estava mais aqui 
Existem coisas mais importantes que o homem. 

Alexandre Lucas 

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Qual seria a desenvoltura de dois corpos vestidos de pudores?
Eu gosto do verso nu
Da delicadeza sem arrodeios,  da palavra forte e do beijo molhado
Da esperança do reencontro
Do carisma feito de lenço de paz
Gosto do despudor
Cheio de afeto e caragem
Das pernas entrelaçadas e voz da liberdade.

Alexandre Lucas
Doar parte de mim
Voar  permeado com teu calor , ir aos céus
Viajar por alguns instantes na rua  boca  para cultivar flores, sabores e o gosto de viver
Se a felicidade é a uma fortaleza instantânea
Que seja constante
Pois, a  vida é um bosque
Onde procuramos
Incansavelmente sombras para amar.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 14 de novembro de 2018


Vi uma rosa branca, num quintal de angústia
Seu coração, se que as rosas têm coração
Cheirava continuamente...era tempo de cheirar
Ainda existia perfume
Um desejo de conquistas
Saúde, paz e amor
Bordava os sonhos   
Com uma dedicação
Que só uma rosa branca, no meio de um quintal de angústia
 Poderia brotar a cada dia como uma poesia.

Alexandre Lucas  

Escrevo com a liberdade que não tenho
O sonho é sempre uma escrita proibida
Até mesmo quando a simplicidade o compõe
De tempo em tempos
O prazer e o sorriso podem ser censurado
O deus do ódio usa maquiagem e artificializa a  bondade
Os tiros viram música
O amor uma extinção
Mas a todo tempo a vida resiste.

Alexandre Lucas
Gostaria de ler lábios
E sentir  cada palavra
Quente e molhada
Entre um livro e um  banho
Receber as mãos
Tateando o viver
O cansaço consome a cabeça
Preciso de um chá
Que  me afaste do sono  e que venha com lábios  e sonhos.

Alexandre Lucas

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O canto foi um verso de dor,
A tristeza se fez paisagem
Mas entre as rachaduras do concreto se espriguiçavam às flores
A simpatia multicolor
Se fez força, energia que se  faz voz, punho e poesia
E entre as rachaduras descobrimos o amor.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Parece que os olhos sempre  denuciam
O indigesto e o gesto do desejo
O código que tem um segredo perdido
Num  olhar atento
Texto de letras embasadas
A leitura poderá sair
Das advinhações
Dos tabuleiros que colocamos na vida.

Alexandre Lucas

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Reescrever as palavras com outras palavras
Falamos amor infinitas vezes
Sem usar a palavra amor
Vamos reinventar as palavras para reaprender a caminhar
Usaremos azul, verde e amarelo quando  for necessário
E  o vermelho quando for possível
Tomaremos mais café com Marias e Raimundos
Entraremos na fila só para ganhar mais força
Todos os dias escreveremos cartas sem palavras para o capitão
E rios de livros para o povo debulhar sonhos
Existir será sempre  uma certeza para resistir
Como cupins, trabalharemos
Da madeira de lei
Tocaremos o samba que nos une, com suor e brilho nos olhos, com panela cheia e o direito de amar.



Alexandre Lucas

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Escrevo versos quando estamos juntos
Quando nossos olhos brilham
E nossos sorrisos brindam  
Quando sentamos nas praças
Tomamos café
Quando nos agradamos das flores, borboletas e crianças
Quando sinto a tua mão é sinal que estamos juntos
Escrevo versos quando partilhamos a comida
Mas nem só de prazer escrevo versos
Escrevo quando estou com medo
E escuto gritos entorpecidos
Quando vejo gatilhos sem freios 
E ódios incessantes,
A comunicação veloz do capital
Vendando, triturando e bombardeando
Escrevo um verso doce cheio de firmeza
Só para dizer a dureza
Que não escrevo sozinho.


 Alexandre Lucas  
O girassol amanheceu
abatido,
Como um verso quebrado
O mundo com pétalas secas se fez desesperança
Ainda existem sementes 
Os girassóis nascerão
Com a consciência de um novo tempo
brilhos brotarão como flores na primavera
Coragem, o povo sabe plantar girassóis
E voar alto, além dos sonhos
Colher equilíbrio e lutar insistemente por pão, cama e felicidade.
Alexandre Lucas

quarta-feira, 26 de setembro de 2018


A poesia não basta
Quando as letras são de ameaças
Quando coturnos e bíblias
Atravessam os céus
E esfregam as almas com ácido
Um exército sem cabeças, perambula  
Munidos de ódio e com código de barra adulterado
Carregam suas escopetas de músculos, narcisismo e pêndulos violados
Parem!
Não fazemos apenas poesia
O nosso verso é construído nas ruas,
Nas mãos que puxam outras mãos
No pão que se aprender a dividir em tempos áridos
Nas aulas de histórias que tentaram nos esconder
Nós também não andamos só
Porque o nosso verso é temperado no aço, no braço e no abraço.

Alexandre Lucas   


Rabisco desejos
Enquanto escuto a Imagen do teu riso
Poesia que escorre como história
Livro de pele e de arrepios , de amor
Aguardo o teu café quente
com todo o teu sabor
Tempero refinado de  delicadeza e despudor
Borboletas vão surgindo
Como arte e gratidão
No poema da epiderme.


Alexandre Lucas

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Na ponta da lingua vira poesia
A lingua que escreve com amor
Nas pontas dos dedos mais sabor
Teu corpo dedilhado com ternura
tua pele página guarda histórias
canções de liberdade
no verso composto do cuidar.

Alexandre Lucas
Mesmo diante do terreno de ódio, feridas e cicatrizes
Carrego uma primavera
Que faz curva e cura
Brilho e chuva
Faz inovação
Diante do frio
Quero sentir a respiração cantarolando desejos
E que não falte a flauta mansa das palavras, nem o incêndio da paixão
Em procissão de esperança
Acendo velas
vejo as silhuetas das nossas mãos fazendo versos.

Alexandre Lucas


A gente é um livro de muitas coisas
A cada página uma narrativa de luta
Vamos dando significados  as coisas e a  nós
Assim como  na arte, nada   é tão real como a realidade que criamos
Temos a liberdade de criar e nos criar,
recriar,
A vida é isso
Um livro escrito com infinitas mãos, algumas leves, outras fortes
Neste livro procuramos constantemente as páginas de  prazer.

Alexandre Lucas


Talvez gostaria de ser um pássaro
Voar,  em alguns momentos
Desbravar os céus
Descobrir a prisão e a liberdade de voar sozinho
Tempo, queda, vôo
A poesia já criou asas
Mas só voa com gente.

Alexandre Lucas


É tempo de Sol
E de florescer nos braços
De sentir o sorriso e o beijo molhado
O verso atravessa a lingua num desvelado  desejo
Flores de gostar e gozar se fazem   quentes
Como são quentes os corpos que  atestam a vida.

Alexandre Lucas


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Perderia-me no mar
Deixaria tuas ondas me navegar
Forte e devagar,
Molhado com o orvalho do teu prazer
Faço-me  anjo de cachos  e sexo
Sagradamente provo teus lábios e o gosto da tua  sucção
O céu azul fica estrelado
Enquanto fico derretido sobre o seu olhar.

Alexandre Lucas

sexta-feira, 14 de setembro de 2018


Entre as linhas e o desejo, nada discrepante
Apenas meu corpo sobre o teu em intervalo
Distante
O beijo de fogo nas entranhas
Faz consenso de prazer
Eternamente, por um instante suspiro
Flores de braços e carnes
Desenham uma vontade inquieta.

Alexandre Lucas  

domingo, 9 de setembro de 2018

Com quantas gotas de sangue se faz uma facada?
Nenhuma!
A violência não precisa vir jorrada de facas, tiros e sangue
Na verdade, a violência não precisa nem vir. 
Gostaria de mandar um recardo para ela:
Não venha!
Será inútil
Ela não obedecerá
Enquanto não desaprendermos a deixar o sangue do outro guardado
A violência não manda recado
E se esconde nas mangas dos paletós
Na ausência dos sonhos e na presença dos pesadelos. 

Alexandre Lucas




Nem mico, nem mito
Minto, minto, minto  
Atrofio, fio, atroz   
Minto, minto, minto
Músculos, culto e força  algoz     
Minto, minto, minto
A verdade é
Minto, minto, minto
E como um piu programado
Minto, Minto, minto
E de tanto
Minto, minto, minto
A verdade parece não existir
Fora do minto, minto, minto.

Alexandre Lucas      

sábado, 1 de setembro de 2018

Deitado olho o horizonte azul,
Ainda sinto a lua piscar os olhos
Relembrando o afeto
Sonhos, daqueles se sente na pele
Caminho que fazemos
Na boca e na luta
Em tempos frios é preciso  resistência  com calor.


Alexandre Lucas
Escreveria com fidelidade na tua boca
Um poema provocante
Teus lábios como fitas
Estimula uma escrita temperada com fogo e paciência,
Quando as peles se cativam , é como uma amizade que se cuida
Fazendo uma escrita sedutora.


Alexandre Lucas

quarta-feira, 29 de agosto de 2018



Tenho uma bandeira vermelha,
Talvez ela seja mais velha, surrada   e empoeirada
Do que outras bandeiras
Eu tenho uma bandeira vermelha
Ela não é laranja, nem azul
É vermelha
Da cor de sangue, da maçã e do pau Brasil
Dizem até que o amor é vermelho,
Nem sei de onde tiraram a ideia que o amor tem cor      
Só sei que a minha bandeira é vermelha
Elas, ainda, são raras
São dessas que não vendem nas esquinas
nos gabinetes,  nos quartos, nos leilões e nos cabarés
Eu tenho uma bandeira vermelha
Tecida por anos, ainda continua sendo tecida
Ganhei há alguns anos essa bandeira vermelha
Nunca a deixo em casa,
Sempre a carrego erguidas nas palavras e nas ações.
Eu tenho uma bandeira vermelha.  

Alexandre Lucas     

quarta-feira, 15 de agosto de 2018


Eu escrevo a poesia amor
Cravada com  botões pontiagudos
Lembranças de brasas
Lágrimas
Diabo como adjetivo
 pronunciado com bastante força: “jabo”
Sim, carrego o peso e  a esperança
A palavra não vem neutra
E o amor não vem sozinho.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 18 de julho de 2018


Calem a boca
Dizem que no teatro deve se fazer silêncio
Na dança silêncio
Na música, na m-ú-s-i-c-a silêncio
Na exposição olhares de contemplação e silêncio
Na periferia a mãe grita:
Filho da puta
Peste
Cão
Diabo ruim  
O filho atende, às vezes   
A violência vem do grito e muito mais do silêncio.

 

Alexandre Lucas