domingo, 25 de agosto de 2019


Entendo das ferrugens
E dos ácidos tóxicos
Mentira, a tabela periódica
Sempre foi um transtorno
Assim como os amores
A composição  são  ingredientes  desconhecidos,
Por isso, muitas explosões,
Nada previsível.
Dizem que o Amor é para explodir   
De raiva ou de brilho
Dessa química, a tabela periódica sempre foi rasgada.
Como o vento que rasga o vento

Alexandre Lucas

domingo, 18 de agosto de 2019

Entre as cruzes
Carrego as minhas escolhas
Um terço de sentenças para orar todos os dias
Um sol e uma lua para reinventar as nuvens
Uma bandeira para estender, dormir e amar
Carrego a escolha, que posso voar,
Pelo menos por alguns instantes.

Alexandre Lucas

sábado, 17 de agosto de 2019

O  amor se espalha no horizonte
Mesmo com a lealdade violenta
Da verticalidade do poder
Um sentimento forte diz: 
Segue camarada
Na confiança que a felicidade não é eterna
Sigo 
Vou catando esperança,
Mesmo o espinho não deixando de ser sincero.

Alexandre Lucas

A solidão da cozinha temperava uma canção
Escutava a lua, que mesmo silenciosa
Fazia-me suar,
O violão entoava tua boca cheia de mãos
E o teu sexo fervia
Enquanto me deslizava pelos teus lábios.

Alexandre Lucas   



O vento presente sopra dúvidas
Poderia soprar tua roupa
Descobria teus sinais
E deles faria uma constelação
Construiria uma história de verdade
Para o tempo efêmero  
Entra a bússola e a busca
Ainda não temos respostas
O vento parece ser forte
E no cotidiano vamos sendo levados  
Pelos redemoinhos das relações.


Alexandre Lucas




Recebi promessas
E um saco vazio
Nunca conseguir encher
Nem de saudade e nem solidão
Muito menos de paz e de saúde
É tempo de celebrar a casa vazia
Já guardo muitos gritos
A tranquilidade é um  haikai
De tempos em tempos:  encontramos
Talvez o saco esteja cheia
E seja preciso esvaziar
Dizem que viajar é celebrar a vida
Só não sei se devemos levar o saco.

Alexandre Lucas   


Gosto mesmo é de subir nas cadeiras
De beijar com gosto  e de escutar gemidos
Tomar café na banca de bombom
E de ver as crianças brincando no terreiro
De chupar manga para ficar com a boca amarela
De falar palavrinhas e palavrões
Ser coloquial no desejo
A norma culta é uma jaula fria
Em que as flores não aparecem.

Alexandre Lucas   

quarta-feira, 14 de agosto de 2019


Costurar nuvens é complicado
Nunca é possível concluir
É como querer beijar a boca
Vendo uma fotografia distante
Prefiro é imaginar a delicadeza do carinho
E o absurdo do prazer.

Alexandre Lucas   

domingo, 11 de agosto de 2019



Homem chora 
Se estrepa e trepa 
Usa batom, chupa o que quiser
Homem chora pelo amor que não veio
Pelo te amo que perdeu
.... homem aprende desde cedo
A ser o que não presta
A dividir as cores, brinquedos e conter as lágrimas
Homem aprende a ser macho,
E isso não presta.   

Alexandre Lucas

sexta-feira, 2 de agosto de 2019


Descobrir o sabor da  conversa
Longe do sol e da pressa
Esquecendo a hora
Sentindo o gosto agradável da palavra
Encontro  um jardim de letras e de sombra
Para tomar do tempo a palavra que me foi roubada.

Alexandre Lucas  

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Eu sei
É um verso terminantemente impróprio
Quando saber é infinitamente o verbo
Mesmo sabendo que sei,
ainda falta saber 
Sobre os segredos não descritos nas palavras ditas.


Alexandre Lucas

Quando criança sonhava com as nuvens
Elas eram macias, mas assustavam
Eram bonitas, mas  grandes
Quando criança cabia dentro delas
Isso já não era mais sonho
E eu pedia para acordar.

Alexandre Lucas    

domingo, 7 de julho de 2019


O jantar está  pronto
Os lustres fazem parte da comida  
Comem tudo,
Calados comem até as suas mentiras de economia e de amor solidário
Não serei o poeta fino e requintado, para jantar lustres
Lustres não matam a minha fome   
Cuspirei no caviar
Comerei de capitão
Mijarei  nos paletós
De Balburdia será a poesia
Enquanto o prato de cristal
For da casa grande
Nossa poesia proletária
Não jantará  presunto ibérico  recheado de hipocrisia.  

Alexandre Lucas    


No campo do quarto estão os nossos corpos
 Jogando  entranhados
Sem juízes, jogamos no meu time
Acertamos nas estrelas e na abstração da linguagem
Realidade
Teu copo  cheio de leveza faz flutuar  teus olhos
Um toque de carrossel na alma
Deixa tudo em harmonia.

Alexandre Lucas  


Tem grade de faca
No horizonte da consciência
De faca em faca
Contaram  a liberdade e os sonhos
Mas ainda tenho janelas
O sol continua sinalizando as manhãs
E o espelho, quebrei
só para fazer um verso cheio de luz
vamos dando sentido as coisas
quando não é  possível enxergar tão longe vamos imaginando  
Guardo retratos na cabeça, alguns me deixam com fome
Pois lembro o quanto é bom assanhar o cabelo.

Alexandre Lucas   

segunda-feira, 1 de julho de 2019


Decidir florescer palavras
Por alguns instantes
Talvez o tempo de uma flor
A palavra chega para ficar mais que a flor
Tão necessária como  arroz e feijão, 
A  palavra   é trivial
Posso viver sem nenhum jardim
Mas não tire as palavras  
Venha bagunçar  as letras  e os assanhar meus cabelos
Nada acontece pelo  acaso
O ser que cria a palavra
É imprescindível
Para criar a flor.  

Alexandre Lucas

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Institucionalizaram as relações
A república do amor
Fez teses 
e a burocracia do afeto se  fez fluxograma
A política do desencanto
Vestiu farda para ser identificada
Enquanto isso fiquei nu
Em pleno tribunal
Só para desacatar
Os paletós e as maquiagens.

Alexandre Lucas 

quinta-feira, 27 de junho de 2019

No carro apertado, que cabia apenas nossas bocas
Um verso gostoso se escreveu entre as línguas
O despertador  tocou
Nem sempre o sonho dura muito.

Alexandre Lucas 

Tinha uma maquiagem na mesa
Taquei na cara
Deformei meu rosto
Eu que achava que não tinha escondido nada
Escondi minha fúria e meu sorriso
Meu rosto pintado
Esconde desejos
 E diz quem eu não sou.

Alexandre Lucas    

domingo, 23 de junho de 2019


O quarto estava cheio
Dividia ele  com lembranças, fogos e fogueiras  
Rabiscava  num canto da parede
Gritos
O corpo jogado nas lágrimas
Ensaiava um manifesto
Escrito com cacos de vidro
Que dizia que algo estava queimando
E não era festa.  

Alexandre Lucas   

segunda-feira, 17 de junho de 2019


Sobre a morte quero quase sempre a vida
Não dará para fazer tudo amanhã e nem agora
Faço planos que não cabem na cabeça
Não sei se é preciso ter pressa
Voar ou cessar
Na parede está escrito  que Deus está voltando
Nos templos, deus se confunde com o diabo
As ruas estão desertas
E a tristeza conversa no quarto
Um homem bomba a qualquer momento pode explodir
Na sua carta cheia de vida, todas as palavras
Menos mimimi.

Alexandre Lucas    

quarta-feira, 12 de junho de 2019


Sobre o amor
Não busco nos dicionários
Nem nas bulas padrões do comportamento
O amor é prisão, desde que cercaram o nosso corpo,
Antes precisaram cercar a terra e a nossa consciência   
Presos,  nutrimos tantas coisas
Inclusive a esperança
Enquanto existir a propriedade privada, inclusive a  minha e a tua
O amor será restrito.

Alexandre Lucas  

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Enquanto bebia o café
A sensação quente
Do primeiro abraço
A pele e  o cheiro desconhecido
Uns goles de paz,
O gato se distrai 
O tempo é curto
Mas o copo,  apesar de vazio
Aguarda o próximo café
Que seja demorado
 E entrelaçado de carinho.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 1 de maio de 2019

O tempo dos afetos tem um relógio inquieto
Os seus ponteiros apontam imagens
Agora
Falta-me água e sobram palavras presas
Vejo uma cachoeira de cachos que bordam risos
 O sol fica azul e a noite amarela 
Os céus cheios de flores se  acariciam com as estrelas
O vento sopra uma fala mansa e um par de olhos pequeninos
Cheiro de mato, alecrim
Suor, chá de amor desconhecido
Penso na textura e no sabor  dos teus movimentos
O relógio gira
A cada passo,  as palavras ainda tímidas,  fazem cachos.


Alexandre Lucas

segunda-feira, 22 de abril de 2019


Tomo muito café
Alguns bem doces,  outros amargos,
Tem  aqueles que esperamos esfriar um pouco
Outros já são frios demais
Provo das paixões e dos cafés
O café tem vida curta, como as paixões
Enquanto o café acaba
Vou colocar-me  no fogo.

Alexandre Lucas

quinta-feira, 18 de abril de 2019


Escreverei  inúmeras cartas de amor
Em nenhuma, escreverei  para sempre ou eternamente  
Escreverei  cartas de amor para o tempo presente
Dez cartas de amor, cem cartas de amor
Inúmeras cartas de amor por dia, mas que isso,   para amores diferentes
Escreverei cartas sinceras,  intensas e efêmeras como as imagens das nuvens  
Escreverei cartas entorpecidas e libertárias, cartas de amor
Cartas para serem sentidas com a língua e o riso para o horizonte
Escrevo cartas de amor
Mesmo as cartas de amor sendo proibidas
Num tempo em que terra, amor e cartas são privadas.

Alexandre Lucas   

domingo, 14 de abril de 2019


É tudo mentira
Até a própria mentira
É uma grande mentira
O que seriamos de nós sem as mentiras?
A liberdade continua sendo uma mentira
Tem gente que encontra deus na goiabeira
E diz que arma de fogo é para proteger
É tudo mentira.
Mas alguém precisa acreditar em alguma coisa
Quando a verdade é uma mentira o que nos resta?
Dizer verdades mentirosas?

Alexandre Lucas

segunda-feira, 1 de abril de 2019


Eu que queria amar a noite toda
Fico apenas com as palavras
E com a vontade
A noite anuncia que será longa
De companhia, além das palavras
Apenas o corpo molhado da chuva
E as luzes dos trovões
Eu que tenho pouco tempo,
Talvez não possa amar a noite inteira
Mas quando ela deixa
 Amo por uma noite inteira.

Alexandre Lucas     
   

Qual o sabor da tua boca?
Esbugalhada,
Ela textualiza um verso profano
Vejo delicias escritas
Entre língua e lábios
A carne se faz escrita delirante
A tua boca é um livro desses que desejamos ler.  

Alexandre Lucas

terça-feira, 19 de março de 2019

Que os abraços possam ser quentes
Mas que a cidade seja agradável
Que os tapetes pretos de asfalto
Possam ser xadrezes de rochas
Que as águas banhem o corpo do solo
E as árvores possam acolher os afetos
Que o ar seja outro, menos carros
Ruas misturando gente e edificando saberes
Que os pássaros sejam livres na cidade
Que as frutas estejam ao alcance das mãos
Uma cidade que alimente barrigas e sonhos
que a poesia seja espalhada por toda a cidade
substituindo todas as embalagens.
Que as crianças conheçam a cidade sem os enlatados
E sem o véu cinza de urbanização antissocial.



Alexandre Lucas

domingo, 17 de março de 2019

Tenho  a idade dos meus sonhos
As vezes,  eles, meus sonhos    
Tem a idade do meu filho
As vezes eles são pequenos,
Outras vezes  gigantescos
Alguns são novos e outros bem velhos
Tenho a idade para beijar na boca
E para vestir o corpo despido
Tenho  idade dos que choram e dos que gritam
Dos que calam também
A idade nunca deveria ser medida pela carcaça
Os sonhos nunca se medem pelo tempo.


Alexandre Lucas 

sábado, 16 de março de 2019


Já não tenho lembranças do sabor do teu beijo
Que se fez verso como a primavera, passageira
Tua boca fez silêncio, mas teus olhos escreveram tantos poemas
Que cheguei a pensar que Paraty
Estava bem aqui, nos toques das mãos.

Alexandre Lucas      


Queria comprar felicidade na esquina
Mas se na esquina tivesse felicidade para vender
Muita gente ficaria infeliz
Não teriam como comprar felicidade
Dizem que a felicidade não é permanente
É visitante
Acredito nisso
Entretanto fico na dúvida
Se ela não está à venda esquina.

Alexandre Lucas   

terça-feira, 5 de março de 2019


Vesti a melhor roupa, a que estava limpa e confortável
Não tirava os olhos do relógio
Dias confeccionando risos,
Se aproximava o momento
O relógio parecia mais lento
A roupa limpa e confortável
Foi aos poucos ficado suja e suada
O riso murchou
A porta que esteve sempre aberta
Carrega as lembranças das esperas  
E o olhar triste
De quem não sabe se haverá primavera.

Alexandre Lucas   

segunda-feira, 4 de março de 2019


Eu que me abandono no canto do quarto
Procurando versos para se enrolar
Tranco-me num vaso de desejos
A noite parece silenciosa, mas dentro de mim faz barulho
O vaso quebra, sangro de palavras
E o poema escorre cheio de dor.  


Alexandre Lucas


Todos estão ocupados
Enquanto isso,  converso
Com os monstros desocupados
Eles sempre têm tempo, além do desejado
Escrevo
Como se tirasse espinhos dos olhos
É porque tem que sair
Enquanto converso como os monstros.

Alexandre Lucas   


Apaguei palavras e recomecei
O poema estava preso e o  poeta atordoado   
O poeta pari e aborta o poema
O poeta é o pai e a mãe do poema
Mas o poema já não é mais seu.  


Alexandre Lucas  

sábado, 23 de fevereiro de 2019


Estou fazendo o café
Lembrei da ligação
E fui organizar os livros
Cortei o papel
Desliguei o fogo
Varri a casa
Terminei o café
No caminho para banheiro
Lembrei da carteira de identidade
Escrevi uma poesia
Tomei um gole de café.
Eu não podia esperar  apenas pelo café.

Alexandre Lucas  

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019


Vejo versos vermelhos
Na tua boca maçã
Poema carnaval
Escrito no tecido erógeno da imaginação
Teus lábios tem uma escrita profana
Leio com gosto
Com o prazer que Eva teve ao comer a maçã
Pecado, é não descobrir o teu poema
Tão exposto,  na primeira página
Abaixo dos teu olhos.

Alexandre Lucas     

sábado, 16 de fevereiro de 2019


Casa, caso, casamento, acasalamento       
Entranhamentos
Na deriva
Casei comigo, em dias tranquilos
E em dias de tempestade
Fico para me separar
Parar e sentir o ar
Casar
Interminavelmente casamos.

Alexandre Lucas



Não era amor
Mas era abraço forte
Não era sexo
Mas parecia
Aquele homem vestia preto
Por cima do preto
Na escutava nada     
Não era asfixiofilia
Muito menos poesia
Extra , Extra, Extra
O supermercado tem comodidade  
Para cachorro da madame
Com personal dog
Mais um preto anônimo
É estrangulado
Na rotina dos homens de preto
    

Alexandre Lucas   

domingo, 3 de fevereiro de 2019


O café é a grande companhia
O jantar foi cancelado
As velas foram apagadas
Sobre a mesa uma salada de papeis e outras coisas
Para comer trago indelicadezas e uma gastrite
Prossigo, ainda tem na garrafa café e alguns desaforos.

Alexandre Lucas   



Eu sou homem que veste rosa
Que gostar de poesia,
Que fala de flor e de rosa
Que vai a sorveteria e as lojas de bijuterias
Que de cara não tem cara de homem
Sou desses homens que chora
No quarto e na praça
No momento só precisam saber que choro.

Alexandre Lucas  


Vasculhando meus olhos
Sentir saudades
Encontrei versos de pedaços cheios de cor
Saia rodada, cordel do fogo encantado
Peregrinações no teatro da vida  
Brilhos, estrelas e massagens nos olhos
Ainda lembro das massagens nos olhos
Como da homeopatia dos beijos e da sua evolução
Poema interrompido
A vida segue
E a poesia se reinventa.

Alexandre Lucas   

sábado, 2 de fevereiro de 2019


O poema engarrafado de uma noite de vinho
Guarda os olhos claros e o sorriso embriagante
Os versos que se fizeram nas praças e no estreito sofá
A lembrança da dança, da chuva e da alegria de correr pelas ruas
O brilho dos afetos, não se engarrafa
Anda solto
Não pede permissão
Entra, como luz,
Basta uma brechinha.

Alexandre Lucas    

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Eu que nunca menstruei
Entendo de várias outras menstruações
Existe sempre uma maça no caminho
Gostosa, irrecusável e na boca da cobra  
E um incomodo novo de tempos em tempos
Sangra, mas cessa
O pecado é inevitável.

Alexandre Lucas 
Quando criança acreditava no céu e no inferno
Brncava de construir castelos, inclusive de açúcar
O céu e o inferno e os castelos de açúcar existem, bem mais proximos e efêmeros
São como os sorrisos e as nuvens: passageiros
É como um beijo que nao dura um dia inteiro
Muito menos a eternidade
Mais todos os dias
Estamos construindo
O céu, o inferno e os castelos de açúcar.

Alexandre Lucas

Percebo que falo sozinho
Falo com os monstros   e o silêncio
Vou parindo um terço de inquietações
E no meio de quatro paredes sempre me refaço
Café amargo, sem ser coado
Palavras jogadas e organizadas
Quando não tenho muito tempo e sobra muita raiva, cuspo
Nem todos os dias são de delicadeza,
As vezes planto novas flores.

Alexandre Lucas 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019


Vi um menino chorando na multidão
Falava sozinho, resmungava
Olhava de lado e continuava sozinho
O choro dizia o não dito
O grito que no meio da multidão continuava sozinho
Como a formiga que não sobrevive no meio do mel.

Alexandre Lucas  

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019


Não decoro versos e nem formulas
Esqueço da chave e de fechar a porta
As vezes esqueço-me no pé do altar
Deixo o feijão queimar, porque esqueço
Outro dia esqueci que estava nu
Sair pelas ruas, sendo eu
Sem rótulos e roupas
Isso é raro,
Desde cedo nos colocam roupas, inclusive aquelas que não gostamos
Isso não tenho como  esquecer.

Alexandre Lucas   



Enquanto tomo café
Penso num desejo quente
Começo a caminhar
Nas estradas flutuantes do pensamento
Logo começo a rir
Esse teu olhar me desmonta de felicidade
É possível ver e  sentir, algo além das nuvens, talvez o azul   
O azul do mar, do céu e dos olhos  
Da imensidão do andar  e do abraço de flor
A praça guarda lembranças verdes
Que alegremente insistem em não passar.

Alexandre Lucas

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Tenho mais que uma boca para dividir
Tenho a palavra e a língua
O dialogo e a caminhada
As estrelas, o verso e o riso
O tempo maior que as nuvens e a companhia da cama, 
mais que um beijo, mais que um dia
Tem uma canção que não se canta só
E que se aprende a cantar de um único jeito:
cantando.

Alexandre Lucas

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019


Podemos tomar um sorvete
Com o sabor do teu tempo
Tem tempos de sabores quentes
De línguas e olhos acoplados
De sorver,
De brincar com sorvete derretido
E de sentir o gosto do bordado da vida   

Alexandre Lucas

O beijo suave  bordava a tarde
Nós quentes faziamos versos de suspiros e delicadeza
Branca macia e avermelhada pele
Lençol de encontro
 A noite chega e o desejo madruga
Teu riso tatua lembranças
Cada  tarde se renova afogueada de nós e cheia de cetim.


Alexandre Lucas

domingo, 27 de janeiro de 2019

Eu que não escrevo cartas de amor
O arrumo o quarto, sempre fica algo bagunçado
Prefiro apenas meu cabelo bagunçado
Pelas tuas mãos
Essas que escrevem poesia 
Sim, poesia, sem texto
Com língua e tudo
Eu que não preciso escrever cartas de amor
Assanho-me todo, só para dizer que o quarto está ficando organizado.

Alexandre Lucas

sábado, 26 de janeiro de 2019

Vamos de mãos dadas
Tem um caminho verde, cheio de esperança
Fitas coloridas que vibram cheias de fé
No teu silêncio
leio a carta de  afetos dos teus olhos
Falam mais que todas as  palavras juntas
Sentamos
E aos poucos vamos debulhando com pressa o encanto 
Cobriremos as ladeiras mais altas de beijos
Só para descemos de mansinho.

Alexandre Lucas

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019


As flores ainda existem
Mesmo lapidadas em rochas magmáticas
Inventemos de ser felizes  
Com trocados de carinho
E maciez no olhar
O beijo, o toque e o sorriso, apenas isso
Já carrega incêndios de felicidade
Hoje é sempre outra poesia , num intervalo da cada meio dia.

Alexandre Lucas  

Amarelo, alecrim, alegria
Tempo para chorar de rir
Tem uma rosa para se fazer 
Céu para brincar
Voltar a sentir
O encanto
da folha seca  dançando com o vento
Logo, invento de me abrir com 7 chaves
E  escamcaro o verso do desejo que se espalha pelo ar.


Alexandre Lucas

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019


Estamos em romaria de afetos
O céu está ao alcance das mãos
Peregrinando a esperança
Sinto tua boca no meu olhar
Azul,  verde e vermelho   compõe o rosário
Entre sabores vamos orando
Neste rosário de flores,  profano e  sagrado
O instante é tão intenso
Como brilho nos olhos
Que se faz verso tecido entre a carne e a alma.
Como o rio que não se separa das margens.

Alexandre Lucas  

domingo, 20 de janeiro de 2019


Entre dedos que não se tocam
Nos tocamos
Esbugalhamos sensações,
Nas telas, palavras
Carregadas de nós
Palavras, nunca são só palavras
Afagam, despertam, descobrem
Mas também criam monstros,
Metralhadoras que disparam
Dissipam
Param  
Palavras que não nos faltam, até mesmo quando falta
O silêncio é cheio de palavras.

Alexandre Lucas

sábado, 19 de janeiro de 2019


Gosto mesmo é de café com mãos
Um sopro para esfriar o pé do ouvido
Nós sendo xícara e nos bebendo
Corpos quentes, como um café no ponto.


Alexandre Lucas       

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Que a boca seja família
Fico pensando no que a boca é capaz de fazer
Até reviro os olhos,
Mas também fico espantado  
Mas logo penso que família nem sempre é aconchego
Saudades tenho de muitas coisas
Inclusive da família e de algumas bocas
Tem horas que sinto vontade de gritar
Palavrões de prazer e choros presos  
Espero mesmo é um abraço
Desses que conversa com o corpo e traz sorrisos
Sempre reencontro família, boca, amizade e amor.

Alexandre Lucas 

terça-feira, 15 de janeiro de 2019


Nosso encontro, ainda não encontrado
Pode ter estações de corpos elétricos e quentes
Nos momentos de melancolia, sejamos fuga
Fugazes, sem deixar de cultivar
Colinas de encanto
Que a vontade não seja,
Um ponto para esperar
O sol desaparecer.

Alexandre Lucas      



Decreto o credo
Escudo é bíblia
Arma de fogo é testamento
A bala é a palavra do diálogo do tomento
Reescreveram o evangelho
Trocaram verbos, adjetivos e substantivos
Sobraram antônimos.
O homem de bem escreve a lei, somente a sua
O homem de bem ora
e mata.

Alexandre Lucas  

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019


Quero te riscar toda
Com a ponta da língua
Escrever rabiscos na tua boca
E na beira dos grandes lábios
Fazer as mais importantes anotações
Escrevo em linhas onduladas
Um texto sentido   
Na trepidação entre a  pele e a língua
A gramática do corpo
Vai se compondo no momento
Descomportadamente culta
O texto escrito a dois se dissolve
Como um poema de açúcar.


Alexandre Lucas

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019


Todos os dias picho:  eu te amo
O amor é subversivo
É canção que nunca se canta só
Estandarte de afeto, buquê de dor   
O amor, filho,  é dicotomia
Parece com a poesia
Que se tece com os fios da vida
Cheios de cores e misturas,  
Fios rígidos e frágeis  
Que vão costurando horizontes
Cheios de pássaros
Assim como nós
Que voamos e amamos
E como o pão de cada dia
Não pode nos faltar
Vou continuar pichando: Eu te amo.  

Alexandre Lucas


A boca  é um cinema de tesão
Em pé  sinto a cena
Entre uma volta e outra
Um recomeço de harmonia
Calma e apressada
A boca
Vai compondo a chegada
Que se espalha de vida
Pelos lábios
Entre gemidos agudos
A paz se instala
E o amor se faz uma cena sem fim.   

Alexandre Lucas

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019


Importa o pão que nos falta
E a guerra que se faz
A fruta tóxica, a morte
E a vida Severina
O menino embrulhado nos jornais
O motivo não é rosa, nem azul
Eu quero a paz, a barriga cheia e tempo para brincar
Nada vem apenas com as palavras,
Continua sendo tempo de lutar.

Alexandre Lucas   

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019


Escrevo num borrão

palavras que dissolvem

Entre fagulhas e névoas

Um desejo infinito que não se guarda no túmulo

A palavra grita embaixo da pedra

Mas ela é arqueira

E a qualquer momento seu grito voa.

 

Alexandre Lucas


sábado, 5 de janeiro de 2019

Faz sol camaradas
A estrada pode ter poesias
Mas faz sol
Podemos ficar com sede e  a pele ressecada
O caminho é longo,
E cheio de frutas e lutas
Quando a noite chegar
Precisamos comer
Da poesia que nos enche de esperança
Ainda vai fazer sol
Precisamos caminhar
E encontrar a porta do desejo a cada dia.


Alexandre Lucas

Quando for do nosso desejo
Caminhemos juntos,
Pelas manhãs, tardes, noites e quem sabe pelas madrugadas
Não será todos os dias e nem pela eternidade
Talvez tenha o tempo do café
Ou do baobá
No caminho
Partilhemos da luta, do  pão e da carne
Se for do nosso desejo
Publicaremos na nossa alma
Nossos encontros
Que ele seja incenso,
E não pólvora
Mas que não falte fogo
E que vire incêndio de sorrisos
E  quando não for mais possível
O poema continuará
Por um tempo sozinho
Por outro compartilhado
Mas livre para sonhar.

Alexandre Lucas   

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Na nação e pátria do desejo
O verbo da persistência não é novidade
A luta diária tem vontade
De cirandar a felicidade
Enquanto a ciranda não se faz
A resistência se tempera
Pois desistir jamais.


Alexandre Lucas
Despeço-me
Tentei
Dentre tantas vezes tentei
Sou tentador
Sem nunca tentar buscar a dor ,
Ela vem
Pensei  que o amor era como a poesia
Bastava escrever e  estava pronto
Prefiro  tentar escrever poesia
Porque o amor não se escreve .

Alexandre Lucas

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Pensei em guardar beijos 
Mas o amor é nascente
A alegria brota brilhos no presente
E amanhã é novo dia, é óbvio
É preciso cuidar da nascente com canto suave, isso nem sempre é óbvio
A palavra tem que fazer para o coração rede
Balançar de felicidade os olhares
Essa deve ser a luta.


Alexandre Lucas
Visita-me com calma
Desata a correria
Compõe a lira do companheirismo
Podemos sentar e sentir o gosto do olho, do café e do  alecrim
O cheiro,  da alegria e do corpo tocado
A música canta carinho
E os lábios voam, num intervalo de mordidas.

Alexandre Lucas

domingo, 23 de dezembro de 2018


Não sou a bonequinha de porcelana
Apesar de muito frágil
Não sou a bonequinha de porcelana
Que fica onde você botar, quietinha
Por dias, por anos
Esperando você querer brincar
A bonequinha de porcelana é a coisa
E eu não sendo, me revolto.

Alexandre Lucas    



Procuro abraços
Dentro e fora de mim
No quarto, na esquina e no embaraço
Ando pelas ruas, eu e o sol
Nenhum abraço
Olho para mim e vejo braços,
E me abraço com lágrimas
Continuo andando e vasculhando
Dentro ou fora de mim
Existe jasmim e mandacaru
Deve existir também outros braços.

Alexandre Lucas

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018


Nas  férias quero língua
Versos e flores
Beijos,
Um riso leve e um olhar de quero
As contas pagas e a casa arrumada
O corpo trançado no teu
De vez em quando
Preciso sentir a minha respiração também
Enquanto as férias não chegam
eu durmo,  mais pouco
Só pra ficar sonhando.

Alexandre Lucas.



No contentamento do instante
O verso goza jogo de palavras
É uma surpresa
O jogo de indecisão e confusão
Nem sempre falamos para compressão
A comunicação trunca, dúbia,  dribla
Tripudia as vezes para rimar com a poesia
Enquanto isso vou desejando o prazer
Com a intensão de encontrar cada palavra
Bulinando o querer.   

Alexandre Lucas

Será necessário cortar a carne
Só para dizer que está sagrando
Fazer pregas na cara para dizer que dói
Publicar nos jornais um manifesto de dor
E distribuir laudos de sofrimento
Não!
As mãos se estenderão
Nas tardes sepultadas
Às cirandas continuarão quando as dores não forem minhas.
É neste privado estufamento desumanitário que não sigo em marcha.

Alexandre Lucas

Junto as palavras
Aquelas que me dão e não são tuas
Aquelas que pego do tempo, espaço e momento e que  também não são minhas
Pego, junto , troco, brinco e crio imagens, recrio a realidade 
De palavra em palavra 
Comemos no baquete antropofágico temperado com a  língua. 

Alexandre Lucas