segunda-feira, 30 de março de 2020



Leva a birra e a raiva
Faz despedida do peso
Conversa com teu silêncio
Deixa as lágrimas saírem
Procura na relva
Sombra e som
Debulha a saudade
Para se reencontrar com o riso
Escutar a cantora que baila tua alma
Segue como uma folha levada com o vento
Para encontrar com outras folhas e juntas voarem.

Alexandre Lucas       



No interior das minhas lembranças
Trago algumas fogueiras
 O desejo de viver intensamente
A saudade dos braços quentes e acolhedores
Na mudança fui deixando ou fui deixado em outras casas
Pedaços que se espalham,
Vontade de saciar, de beber na boca e de ler nos olhos
O verso contado na cama.

Alexandre Lucas   


 O que tem no miolo da nossa luta?
A ancestralidade dos meus e dos nossos
O pote e a luta braçal   
A preta , o preto, eu que não sou preto
o popular, a ciência e a resistência
A fogueira para esquentar a alma
Lembrar das mulheres queimadas na fabrica  
O terreiro para aquecer a esperança
As crianças nos ensinando a repensar
O verso estampado nos nossos passos
Bandeiras encarnadas
E sonhos sem gaiolas.

Alexandre Lucas 

domingo, 29 de março de 2020

Recomeço a cada manhã a desenhar teu corpo
Na tranquilidade da noite, rompo o silêncio
Com fé toco tua pele  
Canta em gemidos a tua liberdade
Faz casa, samba e  amor   
Amanhece, guardo a gratidão
E o sabor enviesado dos teus grandes lábios.

Alexandre Lucas 

Meia-luz, um jazz de fundo
Teus seios desenham xícaras
Tomemos o café dos desejos
Retira o girassol dos teus cabelos
Para assanhar o teu olhar  
Luz e alegria no teu rosto
Sinto na ponta dos dedos
A tua chuva, molhada de prazer
Passo hortelã verde pelo teu corpo     
Contorno teus lábios
Sinto o gosto  ventre
e me faço dança entre teus braços.

Alexandre Lucas        




Estão vendendo na esquina  deus, céu e a felicidade  
O amor entrou em escassez,
Os 10 mandamentos foram fuzilados
A armaminha estava na mão
A fé está perdida entre amar e matar
Na maquineta do cartão passa o pecado e a prosperidade
Não existe paz na guerra
Pessoas passam fome
E o pastor camuflado de cordeiro recomenda o ódio     
Maria, que não segue recomendações
Planta a vida.

Alexandre Lucas    




O terror devasta  sem esconderijo
Bolsonaro se viraliza nas botas e nos lambe-botas
Nos shopping da fé, nos templos de incubação
No homem chamado de bem, cumplice do capital     
Presidente da burguesia, delinquente
Subsidio do ódio
A saúde mental se desmorona   
Marx que não é santo preconiza
Trabalhadores, uni-vos. 

Alexandre Lucas

O estado de desejo não tem ordem
Chegar de qualquer jeito, sem governo
Faz caminhos que os olhos viram
Sobrevoam a imaginação
Em dias frios e quentes,
A satisfação se borda
Numa trama que não se tece só.

Alexandre Lucas 

sábado, 28 de março de 2020


Amargo deixa só o prazer de tuas entranhas
Vamos induzir o fogo
Desvestir a curiosidade
Espalhar a língua e desmedir o pudor
Faz calor e já estou nu
Áspero de desejo
Descrevo retalhos
Peles costuradas com suor
Horas dedicadas a transgressão da palavra
E da calmaria.

Alexandre Lucas 

sexta-feira, 27 de março de 2020

As notícias são comidas numa sofreguidão
Só é possível ver as manchetes
Os conteúdos se perdem na velocidade dos conflitos
É uma masturbação de ideias sem gozo nenhum
Fé e perdão, talvez seja necessário, mas é preciso ação
A vida está longe de ser resolvida no coração
É  preciso reduzir a velocidade das falsas notícias
Quero sentar na calçada e ver despreocupado
A amplidão da casa para o tamanho da formiga
Sentir o tesão com calma e por partes
Esse tempo veloz apressa os nossos desejos.

Alexandre Lucas

quinta-feira, 26 de março de 2020


Escuto latidos nos centros comerciais da fé
Na sua prosa e risada  
O vendedor no seu estridente microfone
Vende toneladas de vento, aurora e prosperidade
O céu está em suas mãos     
Logo o inferno estaria entre nós
E o amor? Esse virou uma navalha de ódio
Que corta a sabedoria e a razão
O canto da imbecilidade está em marcha
Não levante os braços, é um assalto na certa  
Prepare um café e dialoguemos sobre outro amor.

Alexandre Lucas 

A mala continua pronta 
Deixo sempre próxima da porta da saída
Mesmo com os sapatos gastos e os cabelos brancos
É sempre o momento de desabastecer a dor
De encontrar amoras, tomar leite quente
Duelar com o nariz, Sair do atropelo
brincar com som da cabaça e  da caixa com os seus  comprimidos
Fazer samba e cultivar o nosso carnaval.

Alexandre Lucas   

terça-feira, 24 de março de 2020


Tinha que ser rápido
Naquele instante
Meia roupa, bocas coladas,
Trovões dentro e fora
Calor e sussurros tomando o quarto
Sonhos em volúpia
Antes do gozo, uma batida na porta
O caos indesejado se instalava
Rostos desconcertados
Daquela manhã guardo
As palavras, o sabor e a súplica de prazer  

Alexandre Lucas


A poesia sentou na travessia da vida
Conversou com a alegria e a tristeza
Fez silêncio para escutar a sua voz
E viu que os valores dividiam os sonhos
Umas famílias comiam e outras olhavam  
E a cada travessia, os punhados de versos
Transbordam  des/confiança.
     
Alexandre Lucas

segunda-feira, 23 de março de 2020



Falta quanto tempo para tudo isso passar?
Entre as paredes a solidão se estende a outras paredes
O dissabor é servido por insanos maestros
O coração parece diminuir, parece que estamos de partida
O surto institucional anuncia a barbárie
Tem um mundo que pede socorro
E socorro nasce em cada casa  que não pode esperar pelo amanhã.

Alexandre Lucas   


Só para rimar
Combina empatia com poesia
Resiliência com resistência
E fé com café
Na receita pronta da vida
O amor se encontra na bula
A rima na bússola
E o  sentido perdido   
Próximo do discurso
Conjugue a ação
A luta nos ensina
Que a vitória é casada
E não é filha dos bons modos
Mas para que servem os bons modos?
Para calar a solidariedade
Para presentear as mulheres durante o dia
E assassiná-las durante a noite?     
A rima que combina o belo com a contradição
Não preenche a poesia
E nem faz revolução.

Alexandre Lucas 

domingo, 22 de março de 2020



Faz frio, o tempo está deserto
O amor se perdeu no caminho
O filho sofre,  o trem da comida atrasou
Talvez não cheguei hoje e nem amanhã
As ovelhas estão entre as cercas
Fazem um lençol branco
A fome me encontrou no caminho
Combinei com ela
De derrubar cercas
E dividir carnes.

Alexandre Lucas
   

Vou partir a dor e o medo
Em pedaços tão pequenos
Que se perderá entre os átomos
Vou parir o reencontro da palavra e do amor
Da leveza e do sorriso
Não é o fim do mundo
O poema sobrevive ao lance
A dose  ácida das botas acefálicas
O Arrependimento
Foi deixar o silêncio tomar contar do sentimento
A todo instante escrevo só para gritar uns desejos.

Alexandre Lucas

Entre inúmeras palavras
Trago bordados de encontros
Linhas de beijos, pontos de abraço
Um picolé derretido nos lábios
O batom vermelho, o fogo
A agua na boca
O verso das línguas
O carinho do olhar
O girassol de Van Gogh na parede
E o amém do amor nas cartas da memória.

Alexandre Lucas




Saquearam a poesia da cidade
Franquearam o modo de sorrir e de vestir
Os rostos cinzas parecem estátuas ambulantes
E o obscurantismo faz vigília
O amor se tornou proibido
O ódio se pulveriza no ar
Tempo nublado
A melancolia faz roupa
Agito uma lata de spray
Para desesconder a política
Fazer da bila samba, otimismo
O verso resistência não é harmonia
É Sacolejo, é capoeira
É rinha
É choro e um mundo para tomar
Para fazer do mundo, um sol,  
É de todos e não é de ninguém.

Alexandre Lucas
   


Onde passeia a solidariedade?
As ruas estão desertas, os gritos foram ensacados
Dos umbigos querem fazer a humanidade
A fé já se vende nos shoppings centers
E nos templos espalhados em cada esquina
Os tribunais de pós-verdade se espalham no mundo
A velocidade das notícias falsas perde para velocidade da luz
A saúde se esconde por trás das partículas
A palavra tóxica se espalha como um vírus capital
É preciso se proteger
A perseverança não morreu e a esperança continua paquerando a união.

Alexandre Lucas  

sábado, 21 de março de 2020


Estávamos no quarto da natureza
Tocava e banhava teus pés
As borboletas e os pássaros faziam a melhor composição
A conversa parecia ter braços e  tocava por dentro
Queria jogar com nossas línguas
Brincar de atravessar
Penetrar nos teus olhos e sentir teus suspiros
Fazer chuva de brilho
E deixar viver  
A poesia no poste
O mar que nos carrega
E vento leve que nos faz sorrir.

Alexandre Lucas   

sexta-feira, 20 de março de 2020


Pelos meus e pelos nossos
Pelos que tombaram,
Pelo pão que faltou entre camaradas  
Pelo corpo jogado no jogo
Pela palavra atravessada
E os corpos desaparecidos
A lágrima escreve uma história
Que nos aparta e nos une
Ela se conta nos palmos de terra e de sonhos
Os sonhos sempre são maiores que os palmos de terra
Os corpos tombarão
e a cada noite, o amor e a desordem  
Nunca será união
Haverá um tempo, que pelos meus e pelos nossos
Não haverá capitão do asfalto
As casa e as fabricas serão tão nossas
Como os nossos sonhos.

Alexandre Lucas   

quinta-feira, 12 de março de 2020


Toca uma música incompleta
Busco as palavras e encontro labirintos
Os números espalhados nas estatísticas dos afetos
Deixa-me órfã
Estou correndo, as vezes não percebo os livros no caminho
Esqueço de tomar água e a comida se estraga no esquecimento
Enquanto derreto o chocolate doce na boca
Imagino a flacidez dos lábios mordidos   
As colinas aladas dos braços, seios.
Dançando nas mãos, num malabar de prazer
O cachorro late, quebrou o ritmo, e por acaso entrou nesta história
Volto para o espaço onde se tece o desejo
Fico entre a palavra e a imaginação
Enquanto teu corpo desfila na minha língua.

Alexandre Lucas  

quarta-feira, 11 de março de 2020

Sequestra esse tédio
Joga tua língua, num jogo de vem e vai
Bebe o vinho espalhado no corpo
Solta nos ouvidos a palavra delícia
Teus cabelos assanhados
A boca voraz que   vasculha
O canto do corpo
A mãos deslizam
Enquanto adentramos nos céus.

Alexandre Lucas 

domingo, 8 de março de 2020


Antes de entrar na casa
Pergunta
A porta pode esta escancarada
Pode até não ter porta e a casa está fechada
A lua mandou avisar que nem toda noite é de amor
Mas que toda noite ela estará ali presente
A casa tem uma lua toda noite,
A lua é a lua
A casa é a casa    
E nós temos luas e casas
Tanto a lua como a casa têm a nossa presença
Deixamos entrar e transbordar o afeto e a pedra
A vezes pegamos a pedra para jogar no rio
E sentir a música da pedra beijando a água  
Existe uma luta, nas casas abertas e nas casas fechadas   
As vezes nos tacamos dentro de casa
Outras vezes nos jogamos na rua
Para sentir o vento
Ver a flor branquinha
No meio de nós
E a boca pronunciado palavras não tidas  
Enquanto penso na dança das línguas
O momento fluir
Com a partilha da noite e as águas do dia
Os corpos se guardam nas suas casas
Mesmo vizinhos e próximos
Eles só se conectam quando se abrem as portas.

Alexandre Lucas  

quarta-feira, 4 de março de 2020


Hoje tirei minhas roupas
Fiquei-me olhando
E vir que minhas expectativas não são pequenas
Fiquei nu
Dançando na cassa, enquanto escrevia
Tomei alguns goles de café
Olhei pelo espelho e comparei com algumas fotos
Continuei nu
E ouvir uma voz estranha
Insistentemente dizendo:
Veste a roupa a esconde tuas verdades
Teimoso
Quero ficar é nu
Só para saberem das minhas expectativas.

Alexandre Lucas  

terça-feira, 3 de março de 2020

Conversa o corpo e o poema
Na nudez do vento
Olhos cintilantes e ventre envolvente
Contrair, ondular e vibrar
Ousar, ocupar e afirmar 
Ventania que retira véus que encobre dores
Corpo em movimento, sedução de si
Político é o corpo que quebra os diamantes de pudores   
O vai-e-vem é apenas um ensaio para outro mundo,
Com dança, corpo e poesia.

Alexandre Lucas

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020


Vamos beber do nosso sabor
Virar os olhos e rebolar a noite
Liquidar o ventre e nadar nos sonhos
Fazer um verso carnívoro após cada verso
Amolecer a carne, transitando de prazer
Sejamos o poema descascado na língua   
Poema nu,
É palavra que se espalha, é letra que enrosca
É sumo que se explode
É canto de calmaria
O poema nu é tanta coisa  que nunca bebemos por completo.

Alexandre Lucas

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Já não socializamos nossas carnes
O frevo e o beijo foi adomercido em carnavais passados
O vinho de final de tarde navega em outros mares
Mesmo assim  o verso se refez
Numa estrada de muitos caminhos e uma só  bússola
Germinada no dia do trabalho
Caminhamos com seis pernas e carregados de motivos para caminhar
Na estrada vou colando
A palavra gratidão
Sobre os escombros e as cicatrizes
O poema se edifica
Ainda se faz argamssa com flores e ternura.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

O sutiã preto desenhava com clareza
A delicadeza dos teus seios
Que façamos a ligação da voz, da boca e do sonho
Da noite e do dia
Ainda brincam as palavras e as crianças no meio de nós
E o sutiã? Ele já não existe mais.

Alexandre Lucas

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

O chá era apenas uma desculpa
Como tantas outras desculpas
Para se encontrar com o sorriso
Entre as duas xícaras 
Estava quente o desejo, 
Fazia sol no meu intimo lugar 
Para alimentar a flor de Frida
As mãos ainda trêmulas
Buscavam encontrar a casa
Para se fazer lar
A boca parecia ser um caminho incerto
Os olhos arregalados
Pronunciavam inúmeras profanidades e reticências
Enquanto isso a vida transbordava 
E o amor cheio de carne e sorrisos
Passeava deixando lembranças
Já é hora de inventar outra desculpa
Dessa vez para sentir o gosto do chá
Nos teus lábios.

Alexandre Lucas

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Gotas de limão para salivar o desejo
Num tempo árido de afetos
Azedo é a solidão companheira da melancolia
Entre mil redemoinhos, força
Para espremer os limões   secos
Ainda quero falar de amor
E fiar a língua entre  pontos
e vielas de sonhos
para assassinar a carência.

Alexandre Lucas

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020


Tomo remédio 
Ele vem em palavras
Dosagem de nove palavras,
Pode ser menos
Pode ser mais
As vezes nem tomo
Dizem que não tem contraindicação
Tenho minhas dúvidas
Gosto quando me dão
As vezes devolvo um poema
Outras nem um até logo
Esqueço, quase sempre
É quase uma regra
E a palavra é só uma desculpa
Para remediar o desejo da carne
Do alvoroço, do beijo no carroço
É a busca da linguagem
Do encontro   suave
Daquele abraço forte, quente e carregado de esperança
É o vômito das coisas estragadas
No meio do pensamento.

Alexandre Lucas   

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Ler nos teus  grandes lábios
Pelas linhas tortas
A intensidade da tuas palavras gemidas
Língua que avança  para o infnito
Onde fica o desejo
Onde o ponto se faz reticência
E  a saudade brinca com a imaginação
Tuas pernas se abrem
Como livro cheio histórias e um caldeirão quente
Que molha nossas bocas
Para um banquete
De palavras escritas com o corpo
Leitura condensada  com o cuidado de não  deixar esfriar as linhas tortas e a escrita profana.

Alexandre Lucas

terça-feira, 28 de janeiro de 2020


Existe uma floresta que esconde o verso e o corpo
E a passagem de Capitu
Na silhueta vejo teus seios
pontiagudos e cheios de palavras  
Um caminho de reticências se faz
Mesmo assim
Brota dos teus lábios uma carta de amor profano
Como operária abelhinha adocica os pensamentos
E como felina é ligeira
Tua língua é capaz de voar ao infinito
A palavra é sempre uma entrega       
Para uma floresta descoberta
  
Alexandre Lucas


Teus olhos acesos tem um universo
De um mundo inquieto,
Colchas de línguas e de deserto
Humano desejo trafega
Com poder e delírio
No corpo que verseja o amor
Sem Damares e pastores.

Alexandre Lucas

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019


O poema veio cheio de fogo
Sentiu o ar e bebeu da   agua da liberdade
Procurou sereias no mar
E tocou os céus como pássaro
O poema estava preso achando que era livre.

Alexandre Lucas  


Meus pensamentos atravessaram a paciência
Enquanto tecia a rede para balançar a alma
O vesso se contorcia atordoado
A luta se tornou parte do poema e do pão  
Em cada alvorecer das ideias peço calma
Para persistência de caminhar e amar
A vida se reinventa no aço, no beijo e desespero
E  em cada cruzamento do pensamento.   
  

Alexandre Lucas  

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Nossas bocas que nunca se cruzaram
Fizeram amor com afinco
Molhou o infinito das beiras
Dos grandes lábios
Movidos pelo vapor  da palavra , sua o verso
No exercio do prazer
Nem sempre o corpo transita no amor.


Alexandre Lucas

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

A pipa voava, mas tinha uma linha que segurava
O vento não  bastava
Subia aos céus 
Mas não  podia vasculhar sua imensidão
Tomar café para pensar nas pipas e na raiz  da vida que  nunca é quadrada
Faz vento
E a solidão  me faz querer voar
Que o vento não  tenha linha e que o amor seja um céu para ser assanhado sem dor, sem pudor ou um nenhum por favor.


Alexandre Lucas
A palavra e a carne
Parece fazer samba
Na nossa conversa
Esquenta o fogo e o afeto
Nos coloca pelo avesso
E faz sambar a imaginação
O verso até  rebola
Quando a carne se esquenta na brasa da palavra.

Alexandre Lucas

sábado, 7 de dezembro de 2019

Eu me assassino a cada instante
Logo eu,  que não  quero morrer
Mesmo assim estou morrendo
A vela ja colocaram nas minhas mãos
Quero mesmo é que ela queime
Só para gritar e acordar a passividade
Espero o verso vivo
O desejo do gozo
A alegria de chupar picolé  no banco da praça
De renascer a cada encontro.
Quero mesmo é matar a morte.

Alexandre Lucas
Eu que não sou de sequestrar trem nenhum
Nem de roubar coração
vejo um trilho que me leva a vários caminhos e  um coração que  bate
Quando criança via o trem passar
Meu desejo era subir no ombro dele e seguir
Eu que nunca tive coragem de seguir o trem
Ainda tenho desejos.


Alexandre Lucas
Nunca nos encontramos 
Eu e Ritalina
Dizem que ela ė mimha metade, talvez uma sereia 
Mas sereia ė conversa de pescador
Desses que pescam mais invenções  do que peixes
Sereia ou não  
Um dia quero provar dela 
Sentir o seu gosto
Dentro dos meus pensamemtos 
Talvez por alguns dias 
Ou uma vida inteira 
Dizem que ė  sempre tempo para encontros
Un dia encontro Ritalina .

Alexandre Lucas

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

A poesia estava ali
No meio do parto
Passando pela chuva
Debaixo do sol
Na terra da dor
O poema se fez natal
Trançado entre línguas
Descobriu a mudança 
Nu se fez encanto
A poesia já  estava aqui
Quente e despida.

Alexandre Lucas

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Tenho medo da palavra não dita
Da exclusão
Da inclusão sem consulta
Da dominação,
Tenho medo da bala, da faca, da fala
Do domínio invisível do capital
Da rapidez e da força da opressão 
Do Preconceito, do olho avesso
Do desrespeito, da perna que ultrapassa sem permissão
Tenho medo dos que não sabem dizer não 
Que proliferam a hipocrisia e esquecem da poesia
E ainda tenho medo  do corpo livre e do corpo fechado
Numa sociedade de um povo privado.


Alexandre Lucas
Um meliante  tingido de cinza
Incitava gritos 
Feroz e demente
Gargalhava
Numa viela de três metros
O amor passava longe
Já o ódio se fez sangue e morte
e o silêncio é um estado de impunidade
e o baile continua resistindo.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Passei a manhã toda tentando escrever sobre tua boca, teu toque,  teu olhar
Tentei escrever de várias formas
Apaguei palavra, acrescentei outras
Modifiquei a ordem
Só conseguia lembrar do teu gemido e do teu rebolado
Acho que a poesia estava ali indescritível.

Alexandre Lucas

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

O vento  traz um trem de  palavras
Afiadas de afeto
Talham a alma
Numa fé tecida de versos
Que  vão
E nem sempre voltam
A palavra e o corpo se tecem com fome e esperança
E o teu rosto se faz ventre
Onde germina a febre dos desejos e a faca para partilhar a vida.


Alexandre Lucas

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Olhando o livro
Li nosso último e único encontro
Costurado com conversas
Traçado entre línguas e dedos
Um verso de desejo
Transbordado na tua boca
Tumulto em corpos de serenidade 
O ser na coletividade roga por amor
Como a árvore frutífera
Roga pela água
Resta a memória
A compreensão de que existe despedida
Que lê a macieira mordida
Sorrindo de pecado.


Alexandre Lucas

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Espero que o tempo frio passe logo
Que venham as férias
Tingida de beijos e com grandes lábios e que eles sintam o terremoto de prazer que é um corpo em verão
De dezembro a dezembro,
dia após  dia, verso apos língua
Respiro
O sol se instalou e derreto a cada  vontade.



Alexandre Lucas
Faz sol durante a noite
A lua se faz  rede
E o pecado parece nublado
Ainda talho a esperança
Para me fazer parte do teu corpo
Conforto quente
Nos meus olhos descrevo
a dança pulsante   da lua e do sol.

Alexandre  Lucas

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Teu sorriso se abriu 
Enquanto tuas pernas se  molhavam 
As mãos  passeavam pelo  teu rosto procurando a sabedoria da lua 
Nutrir um céu  azul calmo
Cheio de aconchego
Teus olhos fechados 
Regava o sertão  e o fervor 
Enquanto desejava nascer dentro do ventre
Molhado, quente e companheiro. 


Alexandre  Lucas

sábado, 2 de novembro de 2019

Quantas noites  fizemos amor, sem se ver?
O desejo é assim supreendente
Parece até artista, não  é adpto de regras
É irrevetente
Da vontade, fico debulhando a imaginação 
Deve ser amoroso  seu   encaixe, que como a noite se encaixa nas estrelas
No fluxo das lembranças
Vem corpo nu, sem ser ponderado
Eu que desconheço as tuas formas e teus suspiros
Apenas  flutou
Tuas palavras são intessantes quanto tua  boca
Que mesmo calada profana sabores.

Alexandre Lucas

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Tua boca esbanjada
E o filme passando
É uma viagem nua
Onde a  dança se embola com as palavras e o olhar
Unir o verso na paciência e na loucura
Maturar o  desejo
Quente como setembro
Para sentir o gosto da tua boca
Esbanjada na minha.

Alexandre Lucas

domingo, 13 de outubro de 2019

Diante da saia colorida e do vestido florido na boca,
A esperança fez foco
Era a vida passando
Cheia de imaginação
A persistência se fez família
Algo próximo e indissociável
Assim como o desejo que anda alado da imagem
E os amigos também amam 
Com versos, corpos despidos e paz
Afinal  não fazemos amor com os inimigos.


Alexandre  Lucas

sexta-feira, 11 de outubro de 2019


Queria me inquietar nos teus crespos prazeres
Atravessar tua carne para florear nossa alma
Acender a luz do abajur dos olhos
Acreditar no verso carnívoro
Aquele que verseja a esperança
Sinto o vento quente, deve ser o calor cheio de lua   
Posso escutar o canto gemido que renasce a cada encontro   
Que o porto não seja caixote
E que viver, lutar e amar sejam como grãos de areia
Que passam pelas cercas e que se encontram em qualquer lugar.


Alexandre Lucas

Se o desejo fosse monocromático
Harmonioso, de uma só cor
A alegria e a  amizade poderia  ser intensamente colorida
Para a gente sentir a respiração junta aos lábios
Receber a brisa e se fazer teia na alvorada
Sentir a plenitude do fogo
E a trepidaçao do gozo
Até as estrelas ficaram   próximas e se vestirem de alucinação.

Alexandre Lucas
A maldade também veste lattes, com algumas exceções
Ela se pinta de seletividade, engole vaidades
E enxerga o mundo, a partir das suas sobrancelhas
Ler as narrativas e constroem seus personagens a partir do seu script
Resumido de suposições
Confunde pão com rocha
E coloca à mesa para ser servido
Enquanto isso, nem todos comem a notícia.


Alexandre Lucas

sábado, 5 de outubro de 2019

Eu quase que entrava dentro do teu sorriso
Só pela aproximação do verso feito pelo olhar
Trocaria os lençois frios
Para acolher teu corpo
E desenhar sobre teus mamilos a presença do pecado
Desejo conjugado
Na sala do suco
E no poema em construção
Deitado, revirando o amor até chega em Roma dentro de ti.

Alexandre Lucas

Acordei com uma vontade de debulhar palavras
Soprando nos teus ouvidos lentamente
Como se fosse acender o fogo
A gente sopra devagarzinho para não se apagar de uma vez   
Fogo acesso,  
As palavras se devoram,
O corpo se trança no outro
Entre entranhas, braços, penas e bocas   
Fazendo chamas
Ainda com vontade, continuo acordado.

Alexandre Lucas    

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Eu que não sei das escrita dos teus lábios e nem dos cachos da tua língua
Sinto o vento que me joga
A luz apagada átiça os desejos
O verso vem na palma da mão como carinho
Faz calor, não é tempo de espera
A nudez da pele faz empatia  com a poesia que nos cerca
O corpo nu e a palavra sem arrodeios tem tom ruivo
Como a carência que pede a  presença da carne e do verso.


Alexandre Lucas
A noite poderá  ser nossa
Talvez o corpo seja bordado de carinho
Sem culpa,  os pudores poderão  ser rasgados
O afeto costurado com o som da vontade e os toques eriçados da pele
A  música trans-pira nos lábios mordidos
Num molotov de esperança
Surgirá brilhos de alegria
A paz pede a dança dos olhos e o corpo  quente
Num bombardeio de desejos.

Alexandre Lucas

domingo, 22 de setembro de 2019

Encaixe-me dentro dos meus gemidos
A noite recortava pedaços de momentos
Refazendo uma colagem de carne e olhares
Um corpo de mil faces se fez
A palavra tingida de saliva e suor escreveu um poema profano sobre a pele
E os gemidos apenas anunciaram que o prazer é canção que não se canta só.


Alexandre Lucas
Era um corpo vermelho onde sobressaia um corpo nu
Tinha um salto de quatro dedos, apesar de não gostar de saltos
Eles deixaram  nossas bocas rentes
Dois palmos e um sorriso
E saiu
E olhei o desfile querendo  outro desfecho.

Alexandre Lucas

domingo, 15 de setembro de 2019


Publiquei nos jornais
Preciso de uma massagem de língua
Sem troca de valores
E tempos pré-estabelecidos
Dessas que retiram tensões
Alongam a imaginação
E que até fazem nascer dos sorrisos, flores
Massagem língua que contorcem as páginas de jornais    
Enquanto leio tuas pernas.

Alexandre Lucas   

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Gosto de acordar com o canto dos pássaros
Roçar os pés e sentir a trama das pernas
O desejo latejando
E o corpo fiando em outro corpo
uma costura sem ponto
Entre o falo e a língua
Costurar os lábios
Fazendo das manhãs
Um poema cheio de gozo.

Alexandre Lucas

Escondi-me no quarto para voar
Sobre teu corpo fui às estrelas e rastejei como serpente
Envolvido na maça santifiquei o pecado
Fora do quarto escondo as asas e deixo aparente, só os versos.


Alexandre Lucas

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Amolo o tesão com a língua
E a faca deixo cega
Fagulhas dos olhos
Se afinam as estrelas
E nós em terremotos
Nos lavamos de prazer.
Alexandre Lucas

terça-feira, 3 de setembro de 2019


A delicadeza perdi no caminho
Não sei se foi no meio, no início
Mas foi no caminho
Ainda ando procurando caminhos
Encontrei infinitos céus  e inúmeros infernos
Cada qual o com o seu caminho
Já a delicadeza está difícil de encontrar.

Alexandre Lucas     


Quero um poema
Silencioso, para uma noite de gritos
Durante a noite
Quero mesmo é gemido e gingado  
Corpo entrançado
 Boca sendo ouvido da boca
Um poema socado de prazer
Socado, socado e socado
Sem nenhuma porrada
Olhos revirados
Corpos quentes
E um desejo queimando  os lençóis   

Alexandre Lucas    


Cobri-me de espinho
E não foi uma escolha
Espinhei e fui espinhado
De tempos em tempos e por um curto tempo
 Sou rosa
Tenho cheiro forte e beleza encantadora
Mas murcho
As rosas desaparecem rápido  
E os espinhos espinham
Não culpem as rosas, muito menos os espinhos.

Alexandre Lucas

domingo, 25 de agosto de 2019


Entendo das ferrugens
E dos ácidos tóxicos
Mentira, a tabela periódica
Sempre foi um transtorno
Assim como os amores
A composição  são  ingredientes  desconhecidos,
Por isso, muitas explosões,
Nada previsível.
Dizem que o Amor é para explodir   
De raiva ou de brilho
Dessa química, a tabela periódica sempre foi rasgada.
Como o vento que rasga o vento

Alexandre Lucas

domingo, 18 de agosto de 2019

Entre as cruzes
Carrego as minhas escolhas
Um terço de sentenças para orar todos os dias
Um sol e uma lua para reinventar as nuvens
Uma bandeira para estender, dormir e amar
Carrego a escolha, que posso voar,
Pelo menos por alguns instantes.

Alexandre Lucas

sábado, 17 de agosto de 2019

O  amor se espalha no horizonte
Mesmo com a lealdade violenta
Da verticalidade do poder
Um sentimento forte diz: 
Segue camarada
Na confiança que a felicidade não é eterna
Sigo 
Vou catando esperança,
Mesmo o espinho não deixando de ser sincero.

Alexandre Lucas

A solidão da cozinha temperava uma canção
Escutava a lua, que mesmo silenciosa
Fazia-me suar,
O violão entoava tua boca cheia de mãos
E o teu sexo fervia
Enquanto me deslizava pelos teus lábios.

Alexandre Lucas   



O vento presente sopra dúvidas
Poderia soprar tua roupa
Descobria teus sinais
E deles faria uma constelação
Construiria uma história de verdade
Para o tempo efêmero  
Entra a bússola e a busca
Ainda não temos respostas
O vento parece ser forte
E no cotidiano vamos sendo levados  
Pelos redemoinhos das relações.


Alexandre Lucas




Recebi promessas
E um saco vazio
Nunca conseguir encher
Nem de saudade e nem solidão
Muito menos de paz e de saúde
É tempo de celebrar a casa vazia
Já guardo muitos gritos
A tranquilidade é um  haikai
De tempos em tempos:  encontramos
Talvez o saco esteja cheia
E seja preciso esvaziar
Dizem que viajar é celebrar a vida
Só não sei se devemos levar o saco.

Alexandre Lucas   


Gosto mesmo é de subir nas cadeiras
De beijar com gosto  e de escutar gemidos
Tomar café na banca de bombom
E de ver as crianças brincando no terreiro
De chupar manga para ficar com a boca amarela
De falar palavrinhas e palavrões
Ser coloquial no desejo
A norma culta é uma jaula fria
Em que as flores não aparecem.

Alexandre Lucas   

quarta-feira, 14 de agosto de 2019


Costurar nuvens é complicado
Nunca é possível concluir
É como querer beijar a boca
Vendo uma fotografia distante
Prefiro é imaginar a delicadeza do carinho
E o absurdo do prazer.

Alexandre Lucas   

domingo, 11 de agosto de 2019



Homem chora 
Se estrepa e trepa 
Usa batom, chupa o que quiser
Homem chora pelo amor que não veio
Pelo te amo que perdeu
.... homem aprende desde cedo
A ser o que não presta
A dividir as cores, brinquedos e conter as lágrimas
Homem aprende a ser macho,
E isso não presta.   

Alexandre Lucas

sexta-feira, 2 de agosto de 2019


Descobrir o sabor da  conversa
Longe do sol e da pressa
Esquecendo a hora
Sentindo o gosto agradável da palavra
Encontro  um jardim de letras e de sombra
Para tomar do tempo a palavra que me foi roubada.

Alexandre Lucas  

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Eu sei
É um verso terminantemente impróprio
Quando saber é infinitamente o verbo
Mesmo sabendo que sei,
ainda falta saber 
Sobre os segredos não descritos nas palavras ditas.


Alexandre Lucas

Quando criança sonhava com as nuvens
Elas eram macias, mas assustavam
Eram bonitas, mas  grandes
Quando criança cabia dentro delas
Isso já não era mais sonho
E eu pedia para acordar.

Alexandre Lucas    

domingo, 7 de julho de 2019


O jantar está  pronto
Os lustres fazem parte da comida  
Comem tudo,
Calados comem até as suas mentiras de economia e de amor solidário
Não serei o poeta fino e requintado, para jantar lustres
Lustres não matam a minha fome   
Cuspirei no caviar
Comerei de capitão
Mijarei  nos paletós
De Balburdia será a poesia
Enquanto o prato de cristal
For da casa grande
Nossa poesia proletária
Não jantará  presunto ibérico  recheado de hipocrisia.  

Alexandre Lucas    


No campo do quarto estão os nossos corpos
 Jogando  entranhados
Sem juízes, jogamos no meu time
Acertamos nas estrelas e na abstração da linguagem
Realidade
Teu copo  cheio de leveza faz flutuar  teus olhos
Um toque de carrossel na alma
Deixa tudo em harmonia.

Alexandre Lucas  


Tem grade de faca
No horizonte da consciência
De faca em faca
Contaram  a liberdade e os sonhos
Mas ainda tenho janelas
O sol continua sinalizando as manhãs
E o espelho, quebrei
só para fazer um verso cheio de luz
vamos dando sentido as coisas
quando não é  possível enxergar tão longe vamos imaginando  
Guardo retratos na cabeça, alguns me deixam com fome
Pois lembro o quanto é bom assanhar o cabelo.

Alexandre Lucas   

segunda-feira, 1 de julho de 2019


Decidir florescer palavras
Por alguns instantes
Talvez o tempo de uma flor
A palavra chega para ficar mais que a flor
Tão necessária como  arroz e feijão, 
A  palavra   é trivial
Posso viver sem nenhum jardim
Mas não tire as palavras  
Venha bagunçar  as letras  e os assanhar meus cabelos
Nada acontece pelo  acaso
O ser que cria a palavra
É imprescindível
Para criar a flor.  

Alexandre Lucas

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Institucionalizaram as relações
A república do amor
Fez teses 
e a burocracia do afeto se  fez fluxograma
A política do desencanto
Vestiu farda para ser identificada
Enquanto isso fiquei nu
Em pleno tribunal
Só para desacatar
Os paletós e as maquiagens.

Alexandre Lucas 

quinta-feira, 27 de junho de 2019

No carro apertado, que cabia apenas nossas bocas
Um verso gostoso se escreveu entre as línguas
O despertador  tocou
Nem sempre o sonho dura muito.

Alexandre Lucas