quarta-feira, 15 de agosto de 2018


Eu escrevo a poesia amor
Cravada com  botões pontiagudos
Lembranças de brasas
Lágrimas
Diabo como adjetivo
 pronunciado com bastante força: “jabo”
Sim, carrego o peso e  a esperança
A palavra não vem neutra
E o amor não vem sozinho.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 18 de julho de 2018


Calem a boca
Dizem que no teatro deve se fazer silêncio
Na dança silêncio
Na música, na m-ú-s-i-c-a silêncio
Na exposição olhares de contemplação e silêncio
Na periferia a mãe grita:
Filho da puta
Peste
Cão
Diabo ruim  
O filho atende, às vezes   
A violência vem do grito e muito mais do silêncio.

 

Alexandre Lucas  

quinta-feira, 21 de junho de 2018


Em dias frios
Suspiros e boca quente
A consciência flutua
Falta ar
O coração dispara
Enquanto escorro
Entre os teus olhos  e lábios arregalados.

Alexandre Lucas    


Escreveria nos teus lábios
Com língua e dedos
Um poema gemido
De cada sim  e de  parte a parte
Um verso contorcido
Nós tecidos
Escreveríamos um livro  

Alexandre Lucas    

domingo, 17 de junho de 2018


Escutava-se do apartamento  blues e choros
Talvez já seja tarde para o abraço silencioso
Para conversa com agua e café
Mil desaforos e infinitas declarações de amores
Foram professadas do  mais  potente alto falante
Ninguém escutou
Esse silêncio é um cartão de visita sem volta
Um rio de lamentos  interrompido no caminho.

Alexandre Lucas     


Ainda namoro comigo e não é nada fácil
Tem dias que menstruo e nem quero  tomar banho
E obrigo  a me suportar
Tem horas que desejo  bailar na cama sem horas para cessar
Em outros o silêncio é a  melhor serenata
Têm dias de dores, esses são os piores
Parece que entramos no liquidificador
E não sabemos apertar os botões, aquele que para
Mas ainda bem que namoro comigo
E ainda não me encontrei com Maiakovski.

Alexandre Lucas       


Engasguei-me  com o assalto
Quando levantei as mãos
Já estava despido
Com frio e  medo
Encolhi-me  
Para escrever
Poemas chorosos de esperança.

Alexandre Lucas   

sexta-feira, 1 de junho de 2018

O dia amanhece
O sol parece chorar
Na estrada caminhões parados
Faixas pedem intervenção militar
A afefalia desfila na estrada
A história foi enterrada numa butija sem mapa
Vamos escavar as estradas, desenterrar a história
Com militar nem greve, nem poesia
Atesta a história
Liquidificadores de sangue
Orquestrados nos porões
Silenciosos do poder
Maqueiam a ordem
Da tortura, censura e da frescura.

Alexandre Lucas

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Escuto um blues
Para desatender a tempestade
Da  boca molhada dos céus
Estamos distantes
Mas os trovões se fazem tão perto.

Alexandre Lucas 

quarta-feira, 23 de maio de 2018


Sozinho  no parto
Carregos nos braços o choro
O verso nasce do pranto
Das pernas abertas
Expulso a dor para nascer o poema.

Alexandre Lucas  

terça-feira, 22 de maio de 2018


Quando todas as vozes se calam e insistem  em anular o dialogo
Grito com as palavras,
Desocupo o entulho que me engasga
Retiro cada monstro que se instalou ao longo dos tempos
Gritar com as palavras é fácil e necessário.
Difícil mesmo é enrocasse num dialogo de suspiros, desses que nos fazem gozar.  


Alexandre Lucas
  


Despeço-me no meu silêncio manifesto

O corpo gélido já não abre alas e nem ruas

Não fecha e nem abre portas

O corpo tombou  na vida

Ela ( a vida)  que era tão besta

Resolveu acabar com a besteira

E o verso da carne se fez vida

Que não se refaz.

 

Alexandre Lucas   



Quero plantar flores, nunca plantei nenhuma
Até  tentei,  parece que não é fácil plantar flores
Quando se plantar flores, elas ficam ali paradas e depois morrem.
Nasceram novas flores e novamente novos cuidados
Mas fiquei pensando elas ficam paradas
Como seria se as flores me plantassem?

Alexandre Lucas      


Trabalho na escassez das minhas forças
Carrego caixas pesadas de informações
Trabalho com o coração, o meu
Ele não me parece de pedra ou de  aço
Acho que ele é de teia de aranha e não suporta muito peso
Ele pode disparar, acalmar ou ainda parar

Alexandre Lucas

segunda-feira, 21 de maio de 2018


Enquanto dormia
Falei com  deuses e diabos
Com orixás, duendes e ETs  
Com monstros e árvores
Pulei do precipício
Toquei fogo na casa
Fui a lua, cheguei perto do sol
Dei a volta ao mundo
Ainda continuo aqui
Enquanto você dorme.

Alexandre Lucas   

domingo, 20 de maio de 2018


Tiro a roupa
Para escrever cartas de amor
A cada linha descrevo o vestido que encobre  verdades não ditas.

Alexandre Lucas  

sábado, 19 de maio de 2018


Sempre me lembro do homem da esquina
Olhava sempre para baixo
Como se estivesse buscando a vida no chão
Os dias se passavam
O  homem só tinha a esquina que nem era sua
Um dia a esquina estava cheia,
E o homem já morto foi notado.

Alexandre Lucas   

Escrevo um poema de imagens
Nele vejo a boca  com os lábios enviesados
A ponta dos seios em forma de seta  
As pernas despidas
E uma carta para abraçar a alma
De fogo e afeto
No poema cabe tudo,
O desejo, a esperança, o objeto, o dejeto
O verso, a alma e o incerto
O poema atreve a mente   
Sem pontos, pontilha o infinito
Em canto e grito.

Alexandre Lucas 

sexta-feira, 18 de maio de 2018


Talvez eu tenha partido
Esperei o bom dia, boa tarde, boa noite
e até  a boa madrugada
 a roupa ficou empoeirada de tanto esperar
os rios secaram, as rosas murcharam   
e o fruto verde, numa amadureceu .

Alexandre Lucas


Escrevo  quando a alma chora e  quando ela rir
Escrevo quando o  acoite sangra
E quando o corpo treme  de prazer  
Escrevo na pele linhas gozadas
e versos  no ventre da   vida
sempre que necessito respirar, escrevo   
mas antes que tudo
Escrevo por que existo.

Alexandre Lucas    

sábado, 12 de maio de 2018


Primeiro privatizaram a buceta
Pensando  na propriedade da terra
Entre arames e símbolos cercaram a liberdade
Depois coisificaram o que não era coisa
Alargaram quadrados e diminuíram outros
Entre cacetes e bucetas,
Uma balança de uma justiça cega e assimétrica não dorme.

Alexandre Lucas  


O poema está engasgado
De dor e desejo
Como posso pelo poema
Grito e silêncio,
E ainda reinvento de acordo com o tempo

Alexandre Lucas

segunda-feira, 7 de maio de 2018


Talvez seja tarde
E o amor tenha sido uma  tigela de gelo
O corpo esteja estirado no canto frio do quarto solitário
Restam poemas escritos com o pulso sangrando
É tarde
E o galo já não canta.

Alexandre Lucas    

domingo, 6 de maio de 2018


Minhas palavras não serão polidas
Não escrevo joias
Elas poderão ser enormes e as chamarei de palavrão
É assim que devemos chamar as palavras grandes
Como paralelepípedo
Não serão feias ou bonitas, serão palavras
Onde está o  cu e o culto está os humanos
E só por isso existe a palavra.

Alexandre Lucas  


Vejo nas mãos dos meus pensamentos
Nossos corpos salientes de verso profano
Mordo o vento, apalpo as nádegas da espera
Retiro com a boca a calcinha verde
Ainda resta esperança
Chega com desejo e carne
Para que o poema nasça  composto
De gemido e gozo.

Alexandre Lucas  

sábado, 5 de maio de 2018


O amor  não tem  porta, muito menos chave
Não tem parede, nem teto
As vezes dorme no relento
Outras nos braços
Tem horas que dorme  nuzinho
Mas tem horas que fica vestido para o pólo norte
O amor é uma invenção complexa
Que nunca chega a ser completa
É uma certeza incerta
O amor é um texto escrito com várias mãos
Ele é tanta coisa
O amor é como a esperança
Dificilmente falta.  

Alexandre Lucas    

domingo, 29 de abril de 2018


Hoje vou para escola de camisa encarnada
De sandália de couro pintada de amarelo
De calça branca com listras  goiabas
Estou para decidi se vou de turbante ou boné aba reta
Quando chegar,  vou questionar o que nos cabe  
Cabe-nos saber, da ciência, da filosofia e das artes
Do que acontece no mundo, das lutas e da atmosfera   
Da decodificação da palavra, da economia e da ideologia
O que na escola não nos cabe
 É a festa  do pai , da mãe,   da santa e do santo
A oração só se for gramatical
Decidir quem deve amar quem
ou lugar de alguém, também não convém
Hastear a bandeira do conhecimento,
Essa deve ser a moral da escola
Para que dirigido aprenda a ser dirigente.  

Alexandre Lucas  

quinta-feira, 26 de abril de 2018


Faço-me companhia para o café e a conversa
Porque as paredes não escutam nada
o profundo verso, o grito estrondoso
o choro e nem uma prosa de amor
A vontade que tenho é  de quebrar as paredes
Talvez as paredes precisem ficar inteiras
Para acolher a companhia.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 25 de abril de 2018


Rasgo a espera
Antes que se rasgue o estômago
Nado  em pétalas de sonhos rasgados
De  aguas salgadas
E de  cada despedaço faço uma colagem árida
Esperando a chuva chegar.

Alexandre Lucas  

terça-feira, 24 de abril de 2018


A garrafa está cheia de café e de pouca paciência
Os trabalhos se acumulam e as ideias se multiplicam
As nuvens de ideias vão surgindo e vou tocando
Às vezes sai uma valsa, outras só barulho
Enquanto isso faz calor  para rimar: penso em amor
Em fazer amor, sem pontos, sem vírgulas, sem pudores
O café me deixa acesso,  como o desejo  e a luta
Intenso,  são também os  dias.

Alexandre Lucas   

segunda-feira, 23 de abril de 2018


Durante a noite posso desaparecer
Como as cartas  que em tempos difíceis nunca chegaram
Deixo algumas cartas, sem endereços ou destinatários   
Escrevi  e fui deixando no caminho, umas mais apressadas
Outras densas e confusas,
Elas estão espalhadas  num mapa rasgado e perdido
as palavras que elas contém vão  se encaixando  com os gestos
e se arranjando num baralho que nem sempre é possível jogar.

Alexandre Lucas


O prazer foi enxotado
Com vassouras de pelos de prego
Estava deitado, ereto e viajante
O prazer estava despido
Com os lábios entre os dentes
E olhos arregalados de gosto
O prazer deitou-se no silêncio
Murcho, vestido e ferido
e adormeceu.

Alexandre Lucas    

domingo, 22 de abril de 2018


A criança falava baixinho
Estou com fome, mãe  
E a mãe achava que era apenas uma frescura
Em tom mais alto a criança repete
Estou com fome, mãe!
E a mãe irritada diz: chega!
Não houve a terceira, a criança se calou  
Morreu de fome.

Alexandre Lucas   


Língua livre
Para discursar  o desejo  
Empunhar a bandeira da  liberdade
Manifestar a rebeldia
Acolher o afeto
Língua para gestar a palavra e temperar o gozo
Que não nos falte a  língua,   no banquete dos afetos
E na procissão pela vida. 

Alexandre Lucas   


Gosto de acordar com o carinho das palavras
Espreguiçado, com um tempo mais lento
Abrindo devagarzinho os olhos para sentir o gosto do dia   
Um café quentinho, uma companhia mesmo que distante
Pulei da rede sem nenhuma palavra,
Não tive tempo de esticar os braços
Nem me ver no espelho
Sair correndo com a xícara na mão
Com  café amargo, de muita água e pouco pó
Esqueci-me de desligar o acelerador
Nem sempre ele anda comigo.

Alexandre Lucas  

Escuto tiros e cachoros latindo
A rua faz barulho
Vejo pela brecha fumaça
Tento sair, não consigo abrir a porta
Estou preso
Fabricando monstros e celas


Alexandre Lucas

sexta-feira, 20 de abril de 2018


Hoje não tem poema
Porque não teve pão
A  correria foi companheira
E o desejo entalado
Todas as desculpas são argamassas
Para misturar palavras
E compor narrativas do duelo da vida  
Que se faz de amor e dor.

Alexandre Lucas  

quinta-feira, 19 de abril de 2018


Compor um poema
Com  sincera-mente
Ele já nasce
Mentirosamente.

Alexandre Lucas  

Pichei a geladeira do teu coração
Só para sentir vida
e catar umas palavras

Alexandre Lucas

sábado, 14 de abril de 2018


Nas noites  das mais variadas luas
Nos dias de sol e cinzento
No calor e no frio
Na correria capital
Na luta contra a subsistência
Além do arroz e feijão
Que não falte
Nós nus  (e vestidos)  
Compactuando pele,  suores  e assaltos afetivos
Tramando um desejo coletivo
composto de fartura e fraternidade.

Alexandre Lucas   

quinta-feira, 12 de abril de 2018


Meu pai tem uma perna
A outra é um pedaço de ferro que se faz perna
Nunca vi a outra perna de carne e osso do  meu pai
Pai tinha duas pernas
E eu nem existia
Mas se hoje pai tivesse duas pernas
E uma apartasse e bolasse no asfalto
Não comeria pipoca
Não sentaria no sofá
E não ficaria curioso para espiar a dor humana.

Alexandre Lucas

sábado, 7 de abril de 2018


Não peçam silêncio
Quando as bombas e os tiros se anunciam
Faz dor e nós gritamos
De tão  alto acordará os vizinhos, a América Latina, o mundo  
Nós nos importamos
Quando a  pimenta arde,
Quando o sangue se faz cachoeira
Quando a pele abre crateras
Quando o medo e o ódio querem se fazer morada
Quando a mentira dita infinitas vezes quer se fazer verdade
As bombas não calam, muito menos dispersam
Os tiros do passado são siameses dos de hoje     

E eles nunca mataram as ideias.

 

 

Alexandre Lucas

Madrugada de 08 de abril de 2018.



Nem BOstas, nem DEMônios , nem TUpelosCANOS  
Nem arrego,  nem desespero
Outros dias estão nascendo  
brotará foice e martelo, estrela  e sol
Canhões de flores,
bandeiras vermelhas, amarelas e brancas serão borboletas nas ruas
As bandeiras brasileiras terão o mastro multicolor do seu povo
Lulas, Manuelas e Boulos serão temperos dos sonhos  que não se prendem
O país  inundará de esperança
Seremos o formigueiro vermelho, mais denso e mais convicto
Espalhados e juntos, caminharemos
Para uma terra sem boi zebu.  

  Alexandre Lucas


Tem dias em que as lágrimas batem por dentro
Sacudindo   o tempo com rajadas de trovões  
Que a chuva da alma nunca fique presa nos céus
Caia chuva
Depois de você (chuva, lágrimas)
Forte broto da terra.

Alexandre Lucas    

terça-feira, 3 de abril de 2018


Em tempos de infláveis e patos amarelos
Verdes olivas batem continência para o atraso
Uma torcida corre com olhos vendados e ouvidos lacrados  
Empunham com a mão direita
Uma tocha, uma balança desmedida e um dicionário de mentiras
Nas escrituras da dor
Desconhecem:
Pau-de-arara
Choque elétrico
Pimentinha
 Afogamento
Cadeira do Dragão
Geladeira
Cobra
Barata
Banho chinês
Injeção de éter
Soro pentotal
Telefone
Sexo anal com cacetete
Fio no pênis e na rosa vagina
Dessaber
Um relatório para a história
Brasil Nunca Mais.

Alexandre Lucas   
   

segunda-feira, 2 de abril de 2018


Fazer pipoca
É juntar milhos,
Colocar para esquentar  
Esperar
Pouco a pouco cada milho  se avessa
Algumas pulam fora
Outras  queimam
A maioria parece ser igual
Apenas parecem
Enquanto faço pipoca
Penso como se esquenta uma ditadura.

Alexandre Lucas  

sábado, 31 de março de 2018


 Verso de língua
É um canto de prazer
Que se faz descascando
Os mistérios  do corpo  
Para ele cantar
Um canto gemido de sabor
Que se faz quente e úmido
Para aquecer os encontros.

Alexandre Lucas 

quinta-feira, 29 de março de 2018

Acabem logo com os direitos humanos
Blasfemam: os de panelas cheias
Nos seus incontáveis holofotes de sedução
Continuam
Não se esqueçam dos bandidos 
Bandido são pretos, pobres
Moram nas favelas, subúrbios e periferias
São perigosos, violentos e assassinos
E acham que tem direito de comer em panela cheia
Acabem com os direitos humanos
Daqueles que tem intermináveis panelas cheias
E ai, os direitos humanos deixaram de ser coisa de bandido.

Alexandre Lucas

domingo, 25 de março de 2018



A esperança  dança no meio do caminho
Como a bandeira rubra
Que junta fabrica de famintos
E cultivadores da terra
É preciso temperar o alimento da revolução
Com mãos e mentes, exploradas e oprimidas
Vamos preparar o banquete
O  gosto do nosso tempero
tem  que ter o sabor da felicidade
de ver o povo dividindo
O  fruto do trabalho socializado.  

Alexandre Lucas  

sábado, 24 de março de 2018



Linda palavra que se abre entre  as pernas
Grandes lábios de beijos colados  
Treta, faceta, buceta
Pecado, só se for calar o desejo
Errado é o silêncio que tranca
Abre
O  teu vale molhado,  quando quiser.

Alexandre Lucas


Nós nos tapamos de olhares  
Enquanto nossas  línguas se esbarram
Fazendo versos em ziguezague
Na esquina ( das tuas curvas)
Faço frevo, bebo do teu sabor
Visto-me de nudez só  para enxergam
Os teus olhos  revirar.

Alexandre Lucas  

terça-feira, 20 de março de 2018





Amo-te sem intervalos filho
Como é sem interrupção a nossa relação
Nunca seremos ex
Mas parte da mesma parte
e cheio de outras partes nos faremos únicos
na medida do agrado e desagrado
fiaremos o bordado da vida
as vezes com linha frouxa, outras apertadas
com simetria ou assimetria
com varias cores
ou branco no branco
 ou  preto no preto
a agulha dos sentimentos vai fiar
podemos furar os dedos
ou confiar que agulha vai apenas bordar
e sem intervalos,
corro  com a pressa necessária para fiar na alma,
 o bordado tecido com as linhas da vida
que carrega a imensidão que nos faz pai e filho
o bordado pode não ser tão visível quantos as palavras
mas com letras garrafais e invisíveis está  adornado: Eu te amo.

Alexandre Lucas    

domingo, 18 de março de 2018


A palavra é finita
Podendo carregar infinitas possibilidades
Um  poema  pode ter mais intenções  que palavras
Pode ser preciso,  
Pode não dizer nada com nada...
Prefiro o poema de muitas ou pouquíssimas palavras
Mas que me afeta!

Alexandre Lucas    




Sou de um partido
Que tentaram partir
Partiram alguns, algumas
Sumiram outros, outras     
As balas atravessaram os corpos
As piranhas devoraram  carnes
Nos porões,  a lucidez foi baldeada  
Entre paletós, batinas e fuzis
A elegância da maldade imperava
Sobre os bons costumes,
Costumes infelizes   
Até tentaram achatar  foices e martelos
Achando que achatariam as ideias
Elas, continuam vivas
Temperando foices e martelos.

Alexandre Lucas    

quinta-feira, 15 de março de 2018


Que as línguas e as bocas
Duelem prazer
Que o gemido seja sinfonia
Dos nossos encontros  
Pausa, tomando fôlego  
Os corpos já não se comandam
Atrelam-se e se atritam
Entram-se e se diluem
 Como peixinhos que encontram  caminhos.

Alexandre Lucas  


Estou menstruado
Sangro Marielles e Pedros, Dinas e Oswaldos, Angelos e Olgas, Heleniras e Pomares
Sangro
As  balas vem dos coturnos
Escutem, eles fazem silêncio
E  se escondem nas sentinelas do poder
Para blasfemar contra os oprimidos
Negros, pobres e faladores  
Negras, pobres e faladoras  
Como cães, as cabeças ocas dos cacetetes   se adestram com vigor a subalternidade   
Que bate continência  ao ódio,
Disseminado pelo opressor
Sangro e se renovo para sangrar
No sangue que se tempera
Do direito negado,
Da fala que se faz primavera
Em tempos quentes e de pouca luz
Sangro com as bandeiras vermelhas
Hasteadas pelos multicolores braços
Dos oprimidos e explorados
A estrada segue
Pois nunca se mata,  o sonho.

Alexandre Lucas   

Nossos risos se brindam
com olhos que se chamam
o verso atravessa a carne
no banquete sirvo-me da alma
e pinto com as cores mais vivas
os desejos mais saltitantes
de sonhar. 



Alexandre Lucas



Quero os chocolates do teu olhar
Logo cedo,
Durante o dia que ele possa derreter com carinho e calor
A noite, ou antes mesmo
Que nos façamos lar, num mar doce e apimentado.


Alexandre Lucas

sexta-feira, 2 de março de 2018

Faz frio
Tirei a roupa e os  pudores
Pronunciei com a língua
Uma  profunda delicadeza
Querendo fazer poemas nos teus olhos
Vestir  roupa quando tudo estava quente.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

A língua, bendita de todas as palavras
É sempre mal falada
Entre as curvas escrevo poesias
Algumas que só se sente
Como a língua que o corpo bem entende.



Alexandre Lucas

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

O tempo nos convoca para bailar
Para transformar suor em esperança  
Balançamos
Como corpos de fitas coloridas
Na dura vida proletária
O amor se faz carne,
Verbo
e infinito desejo de suprimir a fome , a sede e as secas.

Alexandre Lucas   

domingo, 25 de fevereiro de 2018


Um poema composto por olhares e risos
Mãos que se fazem plumas
E uma certeza infinita que é possível galopar na lua
Bolar sobre o sol
E se encher de eternidade
Que o poema da vida tenha essa intensidade
Que seja árvore com frutos de maça  e tenha asas
Para sobrevoar o infinito da imaginação.

Alexandre Lucas   


No caminho tinha uma flor, uma pedra  e a nossa possibilidade
Peguei com carinho a possibilidade, sem esquecer a pedra e a flor
Seguro a flor para nos proteger da pedra
E a pedra me serve para abrir caminhos.

Alexandre Lucas  


Chega, ocupar e sai
Como uma nuvem, as vezes são os amores
Com delicadeza o verso se faz
Com estranheza se tudo se vai.

Alexandre Lucas  


Escrevo como uma exigência da vida
Busco arrancar as feridas encravadas na alma
Evidenciar os banquetes da carne, do verso e do cotidiano
Escrevo para desacatar a ordem da minha desordem
Com requintes de formalidade a burocracia exige:  escreva
Escrevo com  delicadeza,   quando possível
Uso a foice e o martelo para escrever e toda fúria racional
Quando vou talhar a revolução.

Alexandre Lucas     

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018


Em resumo as palavras se condensam
com o verso do teu olhar
Expressamente confidente
sacolejo de rios risos
que se fazem caminhos
No calor da luta proletária
Em construção
se tece almofadas de carinho
para acomodar os tijolos da vida.


Alexandre Lucas

sábado, 17 de fevereiro de 2018



Nos jarros do teu olhar
Tomo banho de encanto
Faz primavera  entre nossas bocas
O riso sai fácil
Chove cores
Enquanto escrevo a singularidade  da vida
Nossos corpos se separam na labuta proletária  
Mas se encontram  a cada instante num canto de esperança.  

Alexandre Lucas

Testemunho que no momento exato
Não existe nenhuma borboleta
Voando dentro da barriga
E que não passou nenhum passarinho verde
Testemunho também que a lua não é minha
Nem a mulher
E nem os botões da vida
Confesso  que o poeta também escreve sonhos e descreve desejos
que a poesia brota da concretude do ser
e que as palavras em tempos de esperança são como asas, nos fazem ir além.

Alexandre Lucas

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Quero sentir as palavras mais sinceras de carinho
A gente sente as palavras
Como as mãos, elas deslizam, sobem
Fazem massagem
Olho no olho até se embriagar de sorrisos 
E ver o brilho estufado sem se conter...
Procuro palavras perdidas
Caso me encontre deixei por gentileza sentir.

Alexandre Lucas
Quando criança  acreditava no amor
Pleno, eterno e no romantismo dos contos de fadas
Mais no percurso conheci as rosas,
Com todas as suas simetrias, delicadezas e cheiros  aconchegantes
Descobrir que elas tem espinhos, precisam de cuidados ( é preciso cuidar de tudo)
As rosas murcham, como o amor....

Alexandre Lucas 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Caberia todo em minha boca
O desejo profano
Ficaria de joelhos
Sentindo a profundeza dos teus suspiros
E tua mão dirigindo a minha cabeça  
Alegremente perdida num mar de vontades
Desacelero, só para sentir a pele quente,
O olho afiado que perfura com carinho
O gesto safado
O poema gostoso do gozo
É tão intenso que  transborda entre as palavras.


Alexandre Lucas          


Na dança das cadeiras
Aquele que não for esperto
Não dança,  cai.

Alexandre Lucas   

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Ofereço-me no café, na prosa e no olho da conversa
Na estrada, na rede  e no canto da escada
No livro  e na livraria
Estou em oferta
Como o sol está para terra
Pelas noites,
Escondo-me e me oferto aos sonhos.

Alexandre Lucas


Estou tango
Dançando triste
Carregado de um olhar compassado de desejo
Estendendo a mão para dançar
Sentir o verso das pernas e o sopro malicioso no pescoço.   

Alexandre Lucas               


Estou aqui, certo que não é bem aqui
Saudade é lembrança que vem em  imagem
Com cheiro de presença
Calor do tato, do olhar e do sorriso que   acolhe a esperança
Estou do outro lado
Querendo mesmo está no mesmo espaço compartilhado.

Alexandre Lucas


Vamos orar para que alma seja livre
e que o encontro dos corpos
seja uma benção de felicidade
que os rosários não precisem pedir perdão
vamos orar em ação,
corpo em movimento para dividir prazer,
mas também o campo e a  cidade
no verso que se comunga com revolução.

Alexandre Lucas 

Trovoadas de gritos
E ninguém consegue escutar
Silenciosamente as paredes fazem companhia 
Aqui dentro faz barulho
Já falta força para abrir a  porta e sair
O pávio está curto,
A porta vai abrir a qualquer momento.

Alexandre Lucas


O café da manhã não precisa ser na cama
Quero um corpo quente roçando carinho
um bom dia acompanhado de um sololento sorriso
Um corpo ativo  bagunçando tudo 
O café não cabe na cama, mas  pode ser feito a dois para que não haja espera.


Alexandre Lucas

[23:39, 27/1/2018] +55 88 9679-2889: Entre bucetas
Nem sempre o ânimo
Caminha entre as pernas
O verso sai como pêlo encravado, dolorido
Polido é o jogo de palavras que agora não quero gozar
Não é licença poética
É poética que não se normatiza
Imoral ou imortal
Não é a poesia
É como se ver cada tempo.

Alexandre Lucas


Faço um bordado com sangue
Só pra disfarçar a dor
Ergo as palavras numa confissão de martírio
Amanhã, sempre dizem que é outro dia
Talvez até seja 
Talvez sobre apenas as palavras.

Alexandre Lucas

Não entendo de signos
Queria entender dos mapas
Que pontua cada ponto de prazer no universo do corpo
Do sol e da lua, que narra as histórias de desejo
Da boca que profana gemido e delicadeza 
Da ascendência dos hormônios
Da liquidez do orgasmo
E da imensidão dos cosmos-corpos
Que compõe os signos
Da carne, dos olhos e da na ocupação na varanda do ser.

Alexandre Lucas

A cidade cinza perde as cores alegres
Secam o brilho dos olhos
Como os casais que perdem o desejo de tecer no corpo do outro
Toquemos fogo
para ver no calor da vida, o amarelo, vermelho e azul...e outros desejos.

Alexandre Lucas


Entre a terra dividida e o corpo socializado
Demarco o desejo
Da felicidade construída a cada palmo de prazer
Faz da terra pão e do corpo comunhão
Sem que haja contrassenso
Entre o discurso e ação
Que se estenda a palavra à boca molhada
E na terra tenha fincado os mais altos
Desejos de partilha.

Alexandre Lucas

Trovoadas de gritos
E ninguém consegue escutar
Silenciosamente as paredes fazem companhia
Aqui dentro faz barulho
Já falta força para abrir a porta e sair 
O pávio está curto,
A porta vai abrir a qualquer momento.

Alexandre Lucas

Um café derrama pela noite insônia
O papel recebe o gozo da cabeça inquieta
O esboço ganha forma com o conteúdo que jorra: cabeças
Preto, branco e silhuetas de desejos e conflitos.
Na fábrica da imaginação 
O operário é patrão.

Alexandre Lucas