quarta-feira, 25 de abril de 2018


Rasgo a espera
Antes que se rasgue o estômago
Nado  em pétalas de sonhos rasgados
De  aguas salgadas
E de  cada despedaço faço uma colagem árida
Esperando a chuva chegar.

Alexandre Lucas  

terça-feira, 24 de abril de 2018


A garrafa está cheia de café e de pouca paciência
Os trabalhos se acumulam e as ideias se multiplicam
As nuvens de ideias vão surgindo e vou tocando
Às vezes sai uma valsa, outras só barulho
Enquanto isso faz calor  para rimar: penso em amor
Em fazer amor, sem pontos, sem vírgulas, sem pudores
O café me deixa acesso,  como o desejo  e a luta
Intenso,  são também os  dias.

Alexandre Lucas   

segunda-feira, 23 de abril de 2018


Durante a noite posso desaparecer
Como as cartas  que em tempos difíceis nunca chegaram
Deixo algumas cartas, sem endereços ou destinatários   
Escrevi  e fui deixando no caminho, umas mais apressadas
Outras densas e confusas,
Elas estão espalhadas  num mapa rasgado e perdido
as palavras que elas contém vão  se encaixando  com os gestos
e se arranjando num baralho que nem sempre é possível jogar.

Alexandre Lucas


O prazer foi enxotado
Com vassouras de pelos de prego
Estava deitado, ereto e viajante
O prazer estava despido
Com os lábios entre os dentes
E olhos arregalados de gosto
O prazer deitou-se no silêncio
Murcho, vestido e ferido
e adormeceu.

Alexandre Lucas    

domingo, 22 de abril de 2018


A criança falava baixinho
Estou com fome, mãe  
E a mãe achava que era apenas uma frescura
Em tom mais alto a criança repete
Estou com fome, mãe!
E a mãe irritada diz: chega!
Não houve a terceira, a criança se calou  
Morreu de fome.

Alexandre Lucas   


Língua livre
Para discursar  o desejo  
Empunhar a bandeira da  liberdade
Manifestar a rebeldia
Acolher o afeto
Língua para gestar a palavra e temperar o gozo
Que não nos falte a  língua,   no banquete dos afetos
E na procissão pela vida. 

Alexandre Lucas   


Gosto de acordar com o carinho das palavras
Espreguiçado, com um tempo mais lento
Abrindo devagarzinho os olhos para sentir o gosto do dia   
Um café quentinho, uma companhia mesmo que distante
Pulei da rede sem nenhuma palavra,
Não tive tempo de esticar os braços
Nem me ver no espelho
Sair correndo com a xícara na mão
Com  café amargo, de muita água e pouco pó
Esqueci-me de desligar o acelerador
Nem sempre ele anda comigo.

Alexandre Lucas  

Escuto tiros e cachoros latindo
A rua faz barulho
Vejo pela brecha fumaça
Tento sair, não consigo abrir a porta
Estou preso
Fabricando monstros e celas


Alexandre Lucas

sexta-feira, 20 de abril de 2018


Hoje não tem poema
Porque não teve pão
A  correria foi companheira
E o desejo entalado
Todas as desculpas são argamassas
Para misturar palavras
E compor narrativas do duelo da vida  
Que se faz de amor e dor.

Alexandre Lucas  

quinta-feira, 19 de abril de 2018


Compor um poema
Com  sincera-mente
Ele já nasce
Mentirosamente.

Alexandre Lucas  

Pichei a geladeira do teu coração
Só para sentir vida
e catar umas palavras

Alexandre Lucas

sábado, 14 de abril de 2018


Nas noites  das mais variadas luas
Nos dias de sol e cinzento
No calor e no frio
Na correria capital
Na luta contra a subsistência
Além do arroz e feijão
Que não falte
Nós nus  (e vestidos)  
Compactuando pele,  suores  e assaltos afetivos
Tramando um desejo coletivo
composto de fartura e fraternidade.

Alexandre Lucas   

quinta-feira, 12 de abril de 2018


Meu pai tem uma perna
A outra é um pedaço de ferro que se faz perna
Nunca vi a outra perna de carne e osso do  meu pai
Pai tinha duas pernas
E eu nem existia
Mas se hoje pai tivesse duas pernas
E uma apartasse e bolasse no asfalto
Não comeria pipoca
Não sentaria no sofá
E não ficaria curioso para espiar a dor humana.

Alexandre Lucas

sábado, 7 de abril de 2018


Não peçam silêncio
Quando as bombas e os tiros se anunciam
Faz dor e nós gritamos
De tão  alto acordará os vizinhos, a América Latina, o mundo  
Nós nos importamos
Quando a  pimenta arde,
Quando o sangue se faz cachoeira
Quando a pele abre crateras
Quando o medo e o ódio querem se fazer morada
Quando a mentira dita infinitas vezes quer se fazer verdade
As bombas não calam, muito menos dispersam
Os tiros do passado são siameses dos de hoje     

E eles nunca mataram as ideias.

 

 

Alexandre Lucas

Madrugada de 08 de abril de 2018.



Nem BOstas, nem DEMônios , nem TUpelosCANOS  
Nem arrego,  nem desespero
Outros dias estão nascendo  
brotará foice e martelo, estrela  e sol
Canhões de flores,
bandeiras vermelhas, amarelas e brancas serão borboletas nas ruas
As bandeiras brasileiras terão o mastro multicolor do seu povo
Lulas, Manuelas e Boulos serão temperos dos sonhos  que não se prendem
O país  inundará de esperança
Seremos o formigueiro vermelho, mais denso e mais convicto
Espalhados e juntos, caminharemos
Para uma terra sem boi zebu.  

  Alexandre Lucas


Tem dias em que as lágrimas batem por dentro
Sacudindo   o tempo com rajadas de trovões  
Que a chuva da alma nunca fique presa nos céus
Caia chuva
Depois de você (chuva, lágrimas)
Forte broto da terra.

Alexandre Lucas    

terça-feira, 3 de abril de 2018


Em tempos de infláveis e patos amarelos
Verdes olivas batem continência para o atraso
Uma torcida corre com olhos vendados e ouvidos lacrados  
Empunham com a mão direita
Uma tocha, uma balança desmedida e um dicionário de mentiras
Nas escrituras da dor
Desconhecem:
Pau-de-arara
Choque elétrico
Pimentinha
 Afogamento
Cadeira do Dragão
Geladeira
Cobra
Barata
Banho chinês
Injeção de éter
Soro pentotal
Telefone
Sexo anal com cacetete
Fio no pênis e na rosa vagina
Dessaber
Um relatório para a história
Brasil Nunca Mais.

Alexandre Lucas   
   

segunda-feira, 2 de abril de 2018


Fazer pipoca
É juntar milhos,
Colocar para esquentar  
Esperar
Pouco a pouco cada milho  se avessa
Algumas pulam fora
Outras  queimam
A maioria parece ser igual
Apenas parecem
Enquanto faço pipoca
Penso como se esquenta uma ditadura.

Alexandre Lucas  

sábado, 31 de março de 2018


 Verso de língua
É um canto de prazer
Que se faz descascando
Os mistérios  do corpo  
Para ele cantar
Um canto gemido de sabor
Que se faz quente e úmido
Para aquecer os encontros.

Alexandre Lucas 

quinta-feira, 29 de março de 2018

Acabem logo com os direitos humanos
Blasfemam: os de panelas cheias
Nos seus incontáveis holofotes de sedução
Continuam
Não se esqueçam dos bandidos 
Bandido são pretos, pobres
Moram nas favelas, subúrbios e periferias
São perigosos, violentos e assassinos
E acham que tem direito de comer em panela cheia
Acabem com os direitos humanos
Daqueles que tem intermináveis panelas cheias
E ai, os direitos humanos deixaram de ser coisa de bandido.

Alexandre Lucas

domingo, 25 de março de 2018



A esperança  dança no meio do caminho
Como a bandeira rubra
Que junta fabrica de famintos
E cultivadores da terra
É preciso temperar o alimento da revolução
Com mãos e mentes, exploradas e oprimidas
Vamos preparar o banquete
O  gosto do nosso tempero
tem  que ter o sabor da felicidade
de ver o povo dividindo
O  fruto do trabalho socializado.  

Alexandre Lucas  

sábado, 24 de março de 2018



Linda palavra que se abre entre  as pernas
Grandes lábios de beijos colados  
Treta, faceta, buceta
Pecado, só se for calar o desejo
Errado é o silêncio que tranca
Abre
O  teu vale molhado,  quando quiser.

Alexandre Lucas


Nós nos tapamos de olhares  
Enquanto nossas  línguas se esbarram
Fazendo versos em ziguezague
Na esquina ( das tuas curvas)
Faço frevo, bebo do teu sabor
Visto-me de nudez só  para enxergam
Os teus olhos  revirar.

Alexandre Lucas  

terça-feira, 20 de março de 2018





Amo-te sem intervalos filho
Como é sem interrupção a nossa relação
Nunca seremos ex
Mas parte da mesma parte
e cheio de outras partes nos faremos únicos
na medida do agrado e desagrado
fiaremos o bordado da vida
as vezes com linha frouxa, outras apertadas
com simetria ou assimetria
com varias cores
ou branco no branco
 ou  preto no preto
a agulha dos sentimentos vai fiar
podemos furar os dedos
ou confiar que agulha vai apenas bordar
e sem intervalos,
corro  com a pressa necessária para fiar na alma,
 o bordado tecido com as linhas da vida
que carrega a imensidão que nos faz pai e filho
o bordado pode não ser tão visível quantos as palavras
mas com letras garrafais e invisíveis está  adornado: Eu te amo.

Alexandre Lucas    

domingo, 18 de março de 2018


A palavra é finita
Podendo carregar infinitas possibilidades
Um  poema  pode ter mais intenções  que palavras
Pode ser preciso,  
Pode não dizer nada com nada...
Prefiro o poema de muitas ou pouquíssimas palavras
Mas que me afeta!

Alexandre Lucas    




Sou de um partido
Que tentaram partir
Partiram alguns, algumas
Sumiram outros, outras     
As balas atravessaram os corpos
As piranhas devoraram  carnes
Nos porões,  a lucidez foi baldeada  
Entre paletós, batinas e fuzis
A elegância da maldade imperava
Sobre os bons costumes,
Costumes infelizes   
Até tentaram achatar  foices e martelos
Achando que achatariam as ideias
Elas, continuam vivas
Temperando foices e martelos.

Alexandre Lucas    

quinta-feira, 15 de março de 2018


Que as línguas e as bocas
Duelem prazer
Que o gemido seja sinfonia
Dos nossos encontros  
Pausa, tomando fôlego  
Os corpos já não se comandam
Atrelam-se e se atritam
Entram-se e se diluem
 Como peixinhos que encontram  caminhos.

Alexandre Lucas  


Estou menstruado
Sangro Marielles e Pedros, Dinas e Oswaldos, Angelos e Olgas, Heleniras e Pomares
Sangro
As  balas vem dos coturnos
Escutem, eles fazem silêncio
E  se escondem nas sentinelas do poder
Para blasfemar contra os oprimidos
Negros, pobres e faladores  
Negras, pobres e faladoras  
Como cães, as cabeças ocas dos cacetetes   se adestram com vigor a subalternidade   
Que bate continência  ao ódio,
Disseminado pelo opressor
Sangro e se renovo para sangrar
No sangue que se tempera
Do direito negado,
Da fala que se faz primavera
Em tempos quentes e de pouca luz
Sangro com as bandeiras vermelhas
Hasteadas pelos multicolores braços
Dos oprimidos e explorados
A estrada segue
Pois nunca se mata,  o sonho.

Alexandre Lucas   

Nossos risos se brindam
com olhos que se chamam
o verso atravessa a carne
no banquete sirvo-me da alma
e pinto com as cores mais vivas
os desejos mais saltitantes
de sonhar. 



Alexandre Lucas



Quero os chocolates do teu olhar
Logo cedo,
Durante o dia que ele possa derreter com carinho e calor
A noite, ou antes mesmo
Que nos façamos lar, num mar doce e apimentado.


Alexandre Lucas

sexta-feira, 2 de março de 2018

Faz frio
Tirei a roupa e os  pudores
Pronunciei com a língua
Uma  profunda delicadeza
Querendo fazer poemas nos teus olhos
Vestir  roupa quando tudo estava quente.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

A língua, bendita de todas as palavras
É sempre mal falada
Entre as curvas escrevo poesias
Algumas que só se sente
Como a língua que o corpo bem entende.



Alexandre Lucas

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

O tempo nos convoca para bailar
Para transformar suor em esperança  
Balançamos
Como corpos de fitas coloridas
Na dura vida proletária
O amor se faz carne,
Verbo
e infinito desejo de suprimir a fome , a sede e as secas.

Alexandre Lucas   

domingo, 25 de fevereiro de 2018


Um poema composto por olhares e risos
Mãos que se fazem plumas
E uma certeza infinita que é possível galopar na lua
Bolar sobre o sol
E se encher de eternidade
Que o poema da vida tenha essa intensidade
Que seja árvore com frutos de maça  e tenha asas
Para sobrevoar o infinito da imaginação.

Alexandre Lucas   


No caminho tinha uma flor, uma pedra  e a nossa possibilidade
Peguei com carinho a possibilidade, sem esquecer a pedra e a flor
Seguro a flor para nos proteger da pedra
E a pedra me serve para abrir caminhos.

Alexandre Lucas  


Chega, ocupar e sai
Como uma nuvem, as vezes são os amores
Com delicadeza o verso se faz
Com estranheza se tudo se vai.

Alexandre Lucas  


Escrevo como uma exigência da vida
Busco arrancar as feridas encravadas na alma
Evidenciar os banquetes da carne, do verso e do cotidiano
Escrevo para desacatar a ordem da minha desordem
Com requintes de formalidade a burocracia exige:  escreva
Escrevo com  delicadeza,   quando possível
Uso a foice e o martelo para escrever e toda fúria racional
Quando vou talhar a revolução.

Alexandre Lucas     

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018


Em resumo as palavras se condensam
com o verso do teu olhar
Expressamente confidente
sacolejo de rios risos
que se fazem caminhos
No calor da luta proletária
Em construção
se tece almofadas de carinho
para acomodar os tijolos da vida.


Alexandre Lucas

sábado, 17 de fevereiro de 2018



Nos jarros do teu olhar
Tomo banho de encanto
Faz primavera  entre nossas bocas
O riso sai fácil
Chove cores
Enquanto escrevo a singularidade  da vida
Nossos corpos se separam na labuta proletária  
Mas se encontram  a cada instante num canto de esperança.  

Alexandre Lucas

Testemunho que no momento exato
Não existe nenhuma borboleta
Voando dentro da barriga
E que não passou nenhum passarinho verde
Testemunho também que a lua não é minha
Nem a mulher
E nem os botões da vida
Confesso  que o poeta também escreve sonhos e descreve desejos
que a poesia brota da concretude do ser
e que as palavras em tempos de esperança são como asas, nos fazem ir além.

Alexandre Lucas

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Quero sentir as palavras mais sinceras de carinho
A gente sente as palavras
Como as mãos, elas deslizam, sobem
Fazem massagem
Olho no olho até se embriagar de sorrisos 
E ver o brilho estufado sem se conter...
Procuro palavras perdidas
Caso me encontre deixei por gentileza sentir.

Alexandre Lucas
Quando criança  acreditava no amor
Pleno, eterno e no romantismo dos contos de fadas
Mais no percurso conheci as rosas,
Com todas as suas simetrias, delicadezas e cheiros  aconchegantes
Descobrir que elas tem espinhos, precisam de cuidados ( é preciso cuidar de tudo)
As rosas murcham, como o amor....

Alexandre Lucas 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Caberia todo em minha boca
O desejo profano
Ficaria de joelhos
Sentindo a profundeza dos teus suspiros
E tua mão dirigindo a minha cabeça  
Alegremente perdida num mar de vontades
Desacelero, só para sentir a pele quente,
O olho afiado que perfura com carinho
O gesto safado
O poema gostoso do gozo
É tão intenso que  transborda entre as palavras.


Alexandre Lucas          


Na dança das cadeiras
Aquele que não for esperto
Não dança,  cai.

Alexandre Lucas   

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Ofereço-me no café, na prosa e no olho da conversa
Na estrada, na rede  e no canto da escada
No livro  e na livraria
Estou em oferta
Como o sol está para terra
Pelas noites,
Escondo-me e me oferto aos sonhos.

Alexandre Lucas


Estou tango
Dançando triste
Carregado de um olhar compassado de desejo
Estendendo a mão para dançar
Sentir o verso das pernas e o sopro malicioso no pescoço.   

Alexandre Lucas               


Estou aqui, certo que não é bem aqui
Saudade é lembrança que vem em  imagem
Com cheiro de presença
Calor do tato, do olhar e do sorriso que   acolhe a esperança
Estou do outro lado
Querendo mesmo está no mesmo espaço compartilhado.

Alexandre Lucas


Vamos orar para que alma seja livre
e que o encontro dos corpos
seja uma benção de felicidade
que os rosários não precisem pedir perdão
vamos orar em ação,
corpo em movimento para dividir prazer,
mas também o campo e a  cidade
no verso que se comunga com revolução.

Alexandre Lucas 

Trovoadas de gritos
E ninguém consegue escutar
Silenciosamente as paredes fazem companhia 
Aqui dentro faz barulho
Já falta força para abrir a  porta e sair
O pávio está curto,
A porta vai abrir a qualquer momento.

Alexandre Lucas


O café da manhã não precisa ser na cama
Quero um corpo quente roçando carinho
um bom dia acompanhado de um sololento sorriso
Um corpo ativo  bagunçando tudo 
O café não cabe na cama, mas  pode ser feito a dois para que não haja espera.


Alexandre Lucas

[23:39, 27/1/2018] +55 88 9679-2889: Entre bucetas
Nem sempre o ânimo
Caminha entre as pernas
O verso sai como pêlo encravado, dolorido
Polido é o jogo de palavras que agora não quero gozar
Não é licença poética
É poética que não se normatiza
Imoral ou imortal
Não é a poesia
É como se ver cada tempo.

Alexandre Lucas


Faço um bordado com sangue
Só pra disfarçar a dor
Ergo as palavras numa confissão de martírio
Amanhã, sempre dizem que é outro dia
Talvez até seja 
Talvez sobre apenas as palavras.

Alexandre Lucas

Não entendo de signos
Queria entender dos mapas
Que pontua cada ponto de prazer no universo do corpo
Do sol e da lua, que narra as histórias de desejo
Da boca que profana gemido e delicadeza 
Da ascendência dos hormônios
Da liquidez do orgasmo
E da imensidão dos cosmos-corpos
Que compõe os signos
Da carne, dos olhos e da na ocupação na varanda do ser.

Alexandre Lucas

A cidade cinza perde as cores alegres
Secam o brilho dos olhos
Como os casais que perdem o desejo de tecer no corpo do outro
Toquemos fogo
para ver no calor da vida, o amarelo, vermelho e azul...e outros desejos.

Alexandre Lucas


Entre a terra dividida e o corpo socializado
Demarco o desejo
Da felicidade construída a cada palmo de prazer
Faz da terra pão e do corpo comunhão
Sem que haja contrassenso
Entre o discurso e ação
Que se estenda a palavra à boca molhada
E na terra tenha fincado os mais altos
Desejos de partilha.

Alexandre Lucas

Trovoadas de gritos
E ninguém consegue escutar
Silenciosamente as paredes fazem companhia
Aqui dentro faz barulho
Já falta força para abrir a porta e sair 
O pávio está curto,
A porta vai abrir a qualquer momento.

Alexandre Lucas

Um café derrama pela noite insônia
O papel recebe o gozo da cabeça inquieta
O esboço ganha forma com o conteúdo que jorra: cabeças
Preto, branco e silhuetas de desejos e conflitos.
Na fábrica da imaginação 
O operário é patrão.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Enquanto o corpo compreende a língua bolando
A filosofia é uma antigula afetiva
Grite em  profundo prazer
Desconecte a racionalidade  na intimidade do ser  
Liquidado
De olhos  pequenos, buscando aquietar a respiração
As teorias poderão  começar a fazer todo sentido.


Alexandre Lucas  
De cada amor sou grato
Das noites quentes e molhadas de prazer
Das conversas de amparo e de risos
Da partilha de sabores e saberes
Das caminhadas e das flores com cheiro de poesia
Mas aqui é tumulto, como o amor no mar
Leva e traz, esfria e arremessa, inunda e afunda.
E o amor é heterogêneo como a vida e flácido como os sonhos.

Alexandre Lucas

Os suicidas são cartas de dor
Que ninguém conseguiu ler antes
É poesia sem despedida
Gatilho que não espera
É um adeus de quem queria ficar.
Alexandre Lucas

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Que todos os dias sejam de tratamento
Que a cada ano novo
a humanidade seja o mais eficaz remédio da fraternidade
Reacenda todas as  necessárias luzes, que promovam a esperança
Lute no seu tempo
Se fizer frio ou calor
Manifeste
Escreva dos amores e das dores
Sem pontos finais
Lembre-se que os versos da vida, não são uma composição da literatura
As regras são outras
E a gramática social
Não é evolutiva e normativa.
A subversão é sempre
O anúncio das rupturas
Tratemos de estabelecer a nossa ordem.

Alexandre Lucas



Acordar
No tempo necessário
Sem a pressa dos relógios capitais
Abrir
os olhos e acreditar 
Que a utopia é o primeiro alimento  de cada manhã
Levantar
Faz frio e os olhos querem descansar mais um pouco
Fiquemos de pé
A vida exige andar.

Alexandre Lucas

Já é tarde,
O silêncio conversou durante toda a noite
Aproveitei  para mastigar
Algumas frutas azedas
E na conversa inquieta
Pincelei no papel 
Traços desfocados
Deitei dentro de um quadrado
Resfriado , senti a cada espirro, um vazio.
E a noite vaza, como se estivesse  gotejando  lágrimas.

Alexandre Lucas

Turbilhões de ideias
Tinta, agua, cores, parede, cama, risos, mãos e  pernas
Pintavam o imaginário de prazer
Mas no meio da tela
Infinitas palavras em caixa alta e inúmeras fórmulas matemáticas
Atrofiavam as ideias
A dislexia e a discalculia
Caminhava em supremacia.

Alexandre Lucas

Meu corpo do teu se separa
Entre a terra e a lingua
Um desconforto
E as nossas almas se negam
Mesmo quando não se apartam

Alexandre Lucas

Até então passava despercebida
Mas os olhos fizeram uma carta de confissões
Reservo-me ao direito de observar as linhas não ditas
E imaginar as linhas corpos
Escritas na palma dos desejos.

Alexandre Lucas

Vestido de silêncio
Pronuncio desejos
Retiro a roupa
Para sentir o gosto da maçã
Vermelho, faço caminhos
Falo
Não apenas falo
Em silêncio guardo um turbilhão de duvidas.

Alexandre Lucas

Na rede nos debulhamos pela ultima vez
Teu corpo deliciosamente encaixado
Balançava para acordar o   fogo
Chama que hora e outra acende
No quarto te vejo pelas paredes
Como as lembranças velozes
Dos teus gemidos
Das tuas pernas
Dos teus saborosos gritos
Forte, rápido,  com todo prazer.
Uma música como chá para acalmar os ânimos
E nas lembranças a  rede balança. 


Alexandre Lucas

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Vestido de silêncio
Pronuncio desejos
Retiro a roupa
Para sentir o gosto da maçã
Vermelho, faço caminhos
Falo
Não apenas falo
Em silêncio guardo um turbilhão de duvidas.

Alexandre Lucas
Até então passava despercebida
Mas os olhos fizeram uma carta de confissões
Reservo-me ao direito de observar as linhas não ditas
E imaginar as linhas corpos
Escritas na palma dos desejos.

Alexandre Lucas
Meu corpo do teu se separa
Entre a terra e a lingua
Um desconforto
E as nossas almas se negam
Mesmo quando não se apartam

Alexandre Lucas
Um gesto que anuncia uma  desgraça
Um brinquedo, um peru, uma cesta básica
A fila, a briga e a máscara
Em tempo de natal,
Opio para o povo
A miséria não tem intervalo
Os relógios da exploração e da opressão
Cumprem o seu intento
As luzes anunciam torres artificiais de vazios
A vida segue
Com sacos esqueléticos e punhados de esperança 
Não esperemos, 
Que o  natal seja o nascimento diário
Da fabrica dividida, da terra compartilhada
do povo organizado e do brilho humanitário.

Alexandre Lucas   

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Na rede nos debulhamos pela ultima vez
Teu corpo deliciosamente encaixado
Balançava para acordar o   fogo
Chama que hora e outra acende
No quarto te vejo pelas paredes
Como as lembranças velozes
Dos teus gemidos
Das tuas pernas
Dos teus saborosos gritos
Forte, rápido,  com todo prazer.
Uma música como chá para acalmar os ânimos
E nas lembranças a  rede balança. 

Alexandre Lucas   

domingo, 1 de outubro de 2017

Que os traços simples
Desenhem
Podem ser nuvens
Passageiras até
Intensas e leves
Que refaçam brilhos 
Que brinquem com a imaginação
Que sentem na calçada 
De uma praça qualquer 
Tome sorvete 
Para instigar o desejo 
Que seja simples 
Como o arroz e feijão
Tão trivial e necessário 
Esse é o requinte 
Mastigado na delicadeza 
Que transforma o vago, o simples 
Num verso de encanto.

Alexandre Lucas

Comuna de prazer
Eis a cidade corpo
Com suas avenidas e curvas
Suas casas e suas fabricas de sonhos
Suas vielas molhadas
O detalhe dos altos 
Querendo se libertar das rendas 
E entre palavras e imagens
Teu corpo comuna se materializa 
Teus olhos se fazem semáforos 
De uma só cor: Verde 
Vou atravessar 
Para temperar o aperto nos lábios 
Para sentir o engarrafamento dos corpos 
Impregnados de humanidade
A cidade fria e a cidade quente 
Pede um tempo comuna 
Em que corpo seja uma canção fraterna 
De uma terra solidária
Que as mãos se misturem com as bocas
Para construírem rios de turbulentos gemidos 
Com casas fartas de pão, risos e emancipação.

Alexandre Lucas


Minha vó
Ensinou-me a escolher laranjas e pequis
E tentou ainda me ensinar a desenrolar sacos numa paciência interminável
Talvez sacos não sejam difíceis de desenrolar
Já a paciência é outra coisa
Lembro-me daquela senhorinha 
Franzina, cabelo branco e disposta
Dona Maria 
Como muitas marias 
Perdeu parte do brilho da vida 
Perdendo a vida do filho 
A rede de vó balança na memória 
Como a casa cheia
e o desejo de aprender a desenrolar sacos.

Alexandre Lucas


Entre tentar e fracassar
Guardo uma coleção de amores
Escrevo com as lágrimas ditando palavras inchadas de saudades
Dos risos soltos e dos largos prazeres cantarolados em gemidos
Histórias partidas
Como a maçã mordida
Que não se recompõe.

Alexandre Lucas

Afaste-se
sangro pela boca
A mesma que pronuncia o verbo do gozo e dar dor
Estou em rios
Como uma menstruação
Esvai-se parte que se renova 
Não chegue perto 
Deixe-me sagrando 
Enquanto escuto 
Os barulhos das correntezas sanguíneas.

Alexandre Lucas

Eu me mato
Com um cordão de verso no pescoço
Já é tarde e a indiferença ainda dorme
Nem perceberá a minha despedida
Tive pressa
E o amor não chegou 
E entre a flor do bem me quer ou mal me quer 
Prefiro sair e pular 
Da ponte que a desordem pariu.

Alexandre Lucas

Angu
Milho, sal e água
Algumas mexidas
E como a vida
Vamos (nos) mexendo
De angustia em angústia
Na brevidade na dor 
Abreviamos até a angústia
Como sinônimo de intimidade.

Alexandre Lucas

Houve um momentâneo assassinato
As ruas da alma ficarão na escuridão
Fizeram tabuleiro de desprezo e de tristeza
Na precisão da vida
Chutou-se os tabuleiros
Para ressuscitar o alivio.

Alexandre Lucas


terça-feira, 11 de julho de 2017

Ler os meus lábios em silêncio
O meu olhar tagarelo
A minha palavra inversa
Não me deixar só
Faz frio quando a leitura se cala.  

Alexandre Lucas


Quero te ver em breve
Contornar os teus olhos fechados
Senti  o teu desejo
como mãos apressadas de carinho
Acrescentar mais algumas tatuagens no teu corpo
Só para sentir os teus gemidos
Que me fazem música, dança e suspiros
Na brevidade do ato
Assinemos nas lembranças
A eternidade da conjugação dos corpos
E da lealdade dos afetos.

Alexandre Lucas    
 
Que o blues regado pela manhã
Descontorça as minhas dores
Leve-me ao embalo leve da pena
E que as  palavras se façam purpurina no ar
 Que o beijo tenha  gosto de felicidade
A leveza do beija-flor
e que a lua seja galopada
e o sol temperado por um blues de arrepiar.

Alexandre Lucas    

domingo, 25 de junho de 2017

Escrevo para acalmar as feridas
Mesmo entre sangues e companheiros
Entre sonhos e cafés
O abraço pode desabraçar
As pontes podem cair
Diluindo horizontes
Fraturas expostas
Podem redescobrir caminhos
O fluxo se renova
Como um rio que nunca tem as mesmas águas.

Alexandre Lucas



No decorrer do verso
Vejo a variação da vida
Uma procissão de maçãs e estilhaços sem luas
Desfilando no horizonte
Um desenho inacabado se refaz
Como nuvens passageiras
A boca espera
O encontro do verso
Para a poesia não terminar.

Alexandre Lucas


Um verso escorreu entre nossas pernas
Tua boca pronunciou
Os mais gostosos palavrões
E pelas manhãs
Vejo calado
Os corpos desfilarem com pudores
Ainda é proibido
Pronunciar prazeres
Corto o silêncio da noite
Procriando maçãs.

Alexandre Lucas


Não diga como devo comer
Eu sinto fome
E tenho pressa
O tempo de barriga cheia
Não é tempo de bons modos
O meu tempo exige
Luta
 E pressa
Não diga como devo comer
Quando não tenho o que comer
Eu, faminto
Tenho meus modos
Que tremam as barrigas
Que me fazem sem comida.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 24 de maio de 2017

É quente o lençol da companhia
o verso da manhã que se escreve entrepernas
Conforta o gosto de acreditar
O café desce
nem amargo, nem diabético
Na medida necessária
De um cafuné matinal
Esquentado de delicadezas frouxas.

Alexandre Lucas

Tu que tens um jeito de me querer
Resiliente
Entre os lençóis e pés descalços da vida
afaga o falo na fala do prazer
Que revira a sala da safadeza,
delicadeza é quando abraça
mesmo sobre lençóis de escombros
 tu que tens o jeito teu
eu particularmente ( explosivo) o meu
enrosco-me em tuas pernas
para sentir a fala da companhia
em tempos de guerra e de busca de estrelas.

Alexandre Lucas

Seja flor que se cheire
Mesmo em dias suados
Se abra com a delicadeza
Ponha-se no sol que queima na labuta
E faça fumaça de sonhos
Acenda a lua e faz estripulias de prazer
Plante a flor no vaso que é você.

Alexandre Lucas

Chega abarrotada de desejos
Vem ser cabelo no pente das minhas mãos
 Deixar-me acordado no café quente das tuas entranhas
Esse sorriso disfarçadamente tesudo
Acaricia o texto do encontro
Cuidemos, a temperatura aumentar na devassidão dos pensamentos
E já me quero mar pastoso de nós.

Alexandre Lucas

Ganhei um saco de mentiras
Todas encaracoladas
Quando fui ver
 Um câncer estava instalado
E de tanta ira
joguei fogo
Restou as cinzas
Quem sabe se transformam em adubo
Talvez nasça um baobá
E faço ninho
Ou as cinzas se espalhem entre as poeiras.

Alexandre Lucas

Enquanto dorme reviro o mundo
Soprando sonhos de paz
Teu corpo quente acende os dias frios
A companhia dos teus olhos acessos de carinho
Transbordam com a companhia sincera que dialoga com o cotidiano cheios de ematomas
Não nos afastemos
As mãos se estendem enquanto as lágrimas escorrem
E a poesia nasce com a delicadeza do cuidado.

Alexandre Lucas

Entre as terras e o corpo
uma propriedade
Ninguém vê o corpo transitar livremente pelas terras
Nem terras sem corpos protegendo
Quem consome quem
 Dualidade cercada
Desinventemos as linhas que separam e as asas que se cortam.

Alexandre Lucas

Usa todas as tuas canetas
Nenhuma será vermelha
Teu sorriso plástico e amarelo
Combina com teu sangue azul
Azul de pássaro bicudo
A matemática aponta valores
Que somados fazem mentiras voarem como verdades
Não tenho canetas,
Apenas uma cueca suada
Sem nenhum valor.

Alexandre Lucas

Pergunto-me que são os companheiros?
Em que trincheiras estão e por que se movem ?
Na hora que sentirem sede como dividirão a agua?
Quando outro companheiro for abatido quem quem se fará maca?
Qual será a sua bandeira na hora do poder?
 Entre os companheiros, existem parasitas que se pintam de estrelas cadentes, usam ternos vermelhos, abraçam os operários e pousam para fotos
alargam seus pulos para o privado poder
Acertaremos as contas,
 Sempre é hora de perguntar
O que é isso companheiro?

Alexandre Lucas

Esperando, esperando, esperando...
No caminho tem uma pedra,
Não é de Drummond
No caminho tem uma vidraça
 No caminho
Restará a pedra e cacos de vidro.

Alexandre Lucas


A negligência esbanjou
A corte burguesa
Com ares de vermelho artificial
A história açoita o trabalhador
Sem licença, sem ser cortês
E a paciência se esgota como molotov.

Alexandre Lucas

Daria-te um buquê de spray de pimenta, o tempo não está para flores
Entre a bomba e o relógio não existe distância
A inércia da caneta do poder esquenta a irá
Reservo mil palavras descompassadas
O vaso da paciência
Ficou triturado
Dois passo para trás
Só para pegar impulso.

Alexandre Lucas





sexta-feira, 7 de abril de 2017

Na geografia dos sentimentos
A estratégia de ataque e defesa
Nem sempre é favorável
O território é esfumaçante de egos
A paisagem se deforma
E os lugares são habitáveis de incompreensões.

Alexandre Lucas

Os dias passam
E a dor do outro ( a minha dor)
Perambula num campo minado
Nos gabinetes se esbanjam desdém
e tentam se escondem em carapuças vermelhas
os pavios estão acessos
no centro da mente humana.

Alexandre Lucas


As horas são  tempos diferentes
Na  burocracia em que o selfie reina
O tempo passa lento
Esmagando quem espera.

Alexandre Lucas                      


Os olhos podem brilhar
Pode  ser as crianças brincando
O gato rebolando com a bola
O beija-flor bailarinando a flor
Mas poder ser a dor que corrói
E o olho não ver.

Alexandre Lucas    
                 

Se me deres o peixe
Comerei,
Amanhã vou precisa de mais peixe
Se me ensinar a pescar
Poderei  comer amanhã e me calar
Não basta
Tenho que aprender a tomar os rios e os mares
Com todos aqueles que sentem fome.

Alexandre Lucas                      


A lua de tão descantada
Demitiu-se dos céus
A noite sem traços e luzes
Deitou-se  solitária
E fez cair uma chuva
Destas de inundam a imensidão da vida
E depois floresceu taquinhos de esperança
Desses que deixam os olhos moles e brilhantes.

Alexandre Lucas                      


O pão nunca vem integral
Quando o trabalho é Social
E a divisão privada
Persiste uma cortina
Que separa a carne humana
As casas, os direitos e os sonhos
Existe uma fome e uma comida jogada fora
Um dia tudo vai estourar
A  exploração não é casamento eterno da humanidade
Divorciarmo-nos desde o princípio
E cobremos cada pão que nos foi roubado.

Alexandre Lucas                      


Nesta noite atormentada queria ouvir a música do teu olhar
Ser abanado com o contágio do teu riso,
comer o banquete de desejos
Beber dos teus lábios
E sentir o teu corpo
Abraçado no encanto
Dos encontros.

Alexandre Lucas                      


Desde cedo soube o significado da palavra miúdo
Nas gigantescas coisas da vida
Apenas me fartaram as menores
A escrivaninha  sonho de um escritor pequenino
Era uma mesa que para tudo servia
A carne era pouca
Como  a incerteza do pão de amanhã
Até os amores eram miúdos
E a felicidade passageira
Foram de amiudados pedaços
Que descobrir a existência dos graúdos.

Alexandre Lucas                      


Gozo com as palavras
No íntimo prazeroso da alma
Na caverna do submundo das dores
Quando era invisível
Atirava a palavra na parede
Pichava a cidade  necrotério e silenciosa
Só para escutar os burburinhos de que eu existia.

Alexandre Lucas                      


Um dia sonhamos como pássaros que queriam ser leves e livres
Voamos nos sonhos do outro
Eles  pesam ( os sonhos )
 e caímos
Com todas mentiras que um dia foram verdade
Ainda em traços ralados
Persistimos  em voar
As feridas abertas
Ainda fazem asas fechadas
Que ensaiam o toque nas nuvens.

Alexandre Lucas                      


Manda-me uma de tuas poesias
Para um dia frio,
Que ela venha cheia de imagens
Cheiros e gostos
As palavras impregnem nos poros
Traga  o molhado dos teus desejos
Posta a tua poesia mais vermelha
Encandeada de vontades.

Alexandre Lucas