terça-feira, 2 de abril de 2013

Entre as lembranças 
Guardo a tua presença 
Incorporada aos meus sentimentos 
A distância nos parece uma insignificância geográfica 
Nossas almas se deleitam a cada instante nas nuvens 
E nas mais doces palavras de ternuras 
Que seja intenso todo acordar
E que no escondido do sol
As carícias e os sorrisos se façam eternos
Para desabrochar cada flor plantada
No nosso jardim sagrado que se reconstrói
A cada instante com as mais vivas cores e
O encanto das borboletas.

Alexandre Lucas


Parece tudo mentira
Um tira de retalhos que se faz balão
Uma palavra que se faz fogo
A rapidez que se parece uma eternidade
E ainda carrego uma montanha de sonhos
e um universo de tranquilidade
com o toque de vida que tem o tempero da tua suavidade.

Alexandre Lucas





A poesia se partiu 
Pelas ladeiras altas 
Entrou pelos becos 
E se perdeu na porta do boteco
Aproveitou para se embriagar 
Embolou a língua e as pernas 
E se fez pensar. 

Alexandre Lucas

sábado, 16 de março de 2013


Entre nuvens vejo as silhuetas dos teus seios
A leveza dos teus toques
A extinta a finidade
E aderência do desejo
Que se faz mar de prazer.

Alexandre Lucas  


Quero contornar o teu corpo como quem contorna o ar
Sentir a tua respiração condensada
A leveza e umidade dos teus lábios
Descobrir o do-in dos teus prazeres
E purificar a alma
Num baile ocular.

Alexandre Lucas


Passei a noite conversando 
Com o tempo e o vento
Comendo as migalhas que me restaram de algumas alegrias 
Abanando-me com o calor das lembranças 
e me acalmando com as teclas 
que me fazem respirar 
desta asfixia de paredes brancas 

Alexandre Lucas

Que as mãos decotem as vontades 
Façam silhuetas e erupções sobre o corpo 
Demarquem caminhos de utopias
E gerem sopros de prazeres 
e distensão de lábios

Alexandre Lucas

Acordo cedo, me parece até que recebo cutucadas do sol 
Armo o escritório na bolsa e saio veloz como a luz para a labuta 
Quando chega a hora de dormir, estou chegando em casa...
Faço isso durante trinta dias 
E ainda fico devendo a mim mesmo. 

Alexandre Lucas

Durante a tarde 
Veio aquele vento forte 
E um calor pedindo a despedida das roupas
E a vestidura de um corpo 
Banhado e com cheiro de jasmim 
Pra fazer da tarde brisa e 
Uma cama de jardim.

Alexandre Lucas

O soro ainda goteja
O braço continua estendido
A agulha entupiu
O sangue se desnorteia
E o buquê de flores...
Perdeu-se no meu do caminho 
O tumulto foi tão grande 
Que me esqueci de mim mesmo 
Imagina das flores. 

Alexandre Lucas

Um silêncio dentro de me bofeteava 
A comida chegou quente e sem gosto 
Comia devidamente apressado 
Queria se livrar de alguma agonia 
Talvez a agonia de ficar só na abundância de gente 
Ou a agonia para chegar logo em casa e provocar em palavras 
A comida indigesta da vida. 

Alexandre Lucas

Minha rosa vermelha murchou 
Guardava enfiada no jarro do coração
O coração quebrou e ficou espatifado pela casa 
Tropecei pelos seus cacos e me senti estalando
Seguro a rosa vermelha murcha com as duas mãos
E te ofereço para regá-la.

Alexandre Lucas

Deixo a roupa estendida no varal das lembranças 
Teu corpo ouriçado e teus mamilos pontiagudos 
Fisgam a sensatez e derrubam os santos das mesas 
Numa prece pressa de prazer 
Em procissão devoto os meus desejos
Acendendo velas para incendiar nossos corpos 
Que se embriagam e diluem de fazeres. 

Alexandre Lucas

Sinto o pulsar quente da tua barriga 
Roçando o juízo 
O toque acalentado 
Dos teus dedos 
A flor de desejo de teus olhos 
Convidando para um baile. 

Alexandre Lucas

Na desmedida ânsia
Perco-me nos sonhos 
Para me achar nos encantos dos teus contornos 
Perfazendo uma cartografia de prazer 
Mapeada com a língua e a oralidade 
Desenhando caminhos e identificando os teus sons 
E os percursos dos teus sabores 
Vamos nos fazendo bussolas 
Para orientar a multiplicidade dos nossos desmanches 
E terremotos de encantos 
Molhados , olhos revirados e sorriso lento
Aguardando recomposição dos dados. 

Alexandre Lucas

Andar de braços dados 
Num encontro de calmaria 
Resfriar-se a com sorvete para preencher as tardes vazias 
Soprar carinho no ouvido para fazer a alma abanar 
Voar levemente na busca do cantar 
Para o silêncio não se instalar. 

Alexandre Lucas

Goteja na poesia sangue e lágrimas
Um sorriso e um insulto 
O boa noite com a esperança do amanhã 
O até logo e o adeus
Na poesia espremesse as dores em forma de sumo 
e regar os gozos com jardins
Insulta o tempo 
E massageia a esperança 
A poesia não é a palavra rimada ou ritmada 
É antes de tudo a vida. 

Alexandre Lucas

Sentir o desprezo das tuas palavras como um abraço forte 
Tonto fiquei perambulando sobre jardim de alfinete 
Gritei silenciosamente e pulei freneticamente
e você pensando que eu dançava. 

Alexandre Lucas

Em véu vermelho me cubro de lágrimas 
Choro o sangue da vida
Manco, cego e com a respiração falha 
Subo aos montes
Faço trincheiras 
E escarro na cara 
Dos que se infiltram como companheiros
E blefam como camaradas. 

Alexandre Lucas

No caminho tinha um amor...
do lado do amor tinha uma pedra 
do outro lado tinha um abismo
e no meio do caminho tinha três caminhos. 

Alexandre Lucas

Fernandes Nogueira 
Todos dormiam 
E você amante do lençol 
Enroscassem na tua ultima poesia 
Depois disso nunca mais te vi...
Mas o seu poema continuou vivo

Alexandre Lucas 

*Fernandes Nogueira – poeta juazeirense que auto-se-desfez na madrugada de um sábado de uma ano qualquer do século 21.

Meus versos choram 
Minha alma se afoga 
Entre os travesseiros e lençóis 
Acordo-me molhado de pesadelos
Enquanto escuto os pássaros cantando melodias suaves
E se protegendo nos altares de luz da cidade. 

Alexandre Lucas

Os toques dos teus carinhos 
Passeando pelas minhas lembranças 
Cantarolam saudades. 
Os dias fazem chuvas e trovões 
Enquanto me encolham 
Nos meus lençóis. 

Alexandre Lucas

A cada notícia uma morte se faz 
As lagrimas já não existem 
O rosto sereno 
Mas parece uma fotografia 
De tão estático 
Os olhos não expressam emoções 
Com as mortes e as dores
Uma notícia em jaz sentimento. 

Alexandre Lucas

Algumas paredes enterram forças e sonhos 
Depilam as alegrias 
E o baile se inicia sem música 
O corpo se contorne 
Sobre os teclados 
Que denunciam os grilhões
E as poças de lágrimas 
Que se escondem por trás das redes. 

Alexandre Lucas

É como se a alma observasse o próprio corpo sendo triturando no moinho 
Uma dor sem fim, uma dor que dói só de se ver
Enquanto isso tento segurar um sorriso banguelo 
Entre a lucidez e a embriaguez do cansaço. 

Alexandre Lucas

Vomito os entalos da vida 
Tropeço nas palavras 
Para construir o verso 
Com rima e ritmo quebrado 
E desengasgar o grito. 

Alexandre Lucas

Iluminadamente só 
Faço-me candeeiro 
Enquanto escuto a orquestra dos grilos 
De um lado uma faca afiada para despir o lápis 
Um papel manchado de sangue 
É perfurado pela ponta do lápis 
E sem nenhuma palavra o poesia se fez. 

Alexandre Lucas

Só quero enforcar minhas dores 
No ultimo andar 
Quero que a língua fique para dentro 
E que nenhum falso sorriso sair saltitante pelo ar
Hoje a poesia se encolhe como se fizesse casulo 
Porque faz frio lá fora, 
Enquanto me queimo em inquietações.

Alexandre Lucas

A ausência chibateia os sonhos 
Como uma carta de morte, 
Finada ficou a estrada
Os brincantes se despiram
E saíram chorando
Pelas luas que se esconderam 
Pelas loas que se silenciaram

Alexandre Lucas

sábado, 2 de fevereiro de 2013


Os meses estão tensos
Consigo cheirar as rosas 
Apesar das flores artificiais 
Os bolsos se transformaram em vasos de braços 
A distância entre eu e o querer 
Ultrapassa as distancias 
E constroem crateras de desentendimentos
A barriga não é a mesma 
Os olhos se avermelham de dor e lagrimas 
Vozes atormentam a paz 
E a corda que se faz aliança 
Precisa ser desatada
Antes que todas as palavras 
Sejam sustadas. 

Alexandre Lucas

Solidão 
Ela, a minha amante me acompanhará 
Durante a noite, sentará do meu lado
E tomará café comigo 
e atentamente acompanhará e brotará as poesias
é a companhia que não vejo 
é o meu tiro companheiro. 

Alexandre Lucas

Perdi no meio do caminho todas as pedras preciosas 
Elas fizeram peso no fardo da vida
E como a caminhada era longa 
Preferi não calejar os ombros...

Alexandre Lucas

Tomo banho a cada instante
As lágrimas limpam as minhas dores 
Um dia a água será doce
E matarei a minha sede. 

Alexandre Lucas

Não chorei o suficiente, nem aprendi a nadar quando criança
Esse mundo 
é um mundo de adultos 
e eu ainda tenho que aprender a chorar e a nadar. 

Alexandre Lucas

Hoje caberia dentro de uma forma de agulha 
Mas não estaria em condições de ser agulha para tecer nada.
Mas acredito que amanhã posso avolumar
E arrebentar todos os tecidos para passar. 

Alexandre Lucas

A lua se esconde por trás de mim
No alpendre escuto apenas a música dos sapos 
Ritmada com soluços 
A casa vazia e o coração apertado
Compõe uma canção 
Fria 
Enquanto os sonhos fervilham. 

Alexandre Lucas

Ao deixar tudo como está 
A poesia perde a ternura 
O sonho se esfarela em fotos indigestas 
E o poeta se desfaz
Em imagens herzoguianas. 

Alexandre Lucas

Roupas foram rasgadas,
De tanto desespero, 
Os vasos de sonhos foram quebrados 
As flores perderam o seu cheiro
E o chão do quarto virou o papel 
Da poesia de instante 
E o lençol embrulhado
Materializa o vazio 
E um cinema que criado em dias sonhos. 

Alexandre Lucas

Hoje queria o abraço da lua 
o aconchego do sol 
a rutilância das estrelas
um jardim multicolor 
e um baú de utopia para guardar tudo isso 
e a cada instante lançar 
sobre os campos minados de vazio
bombas de esperança.

Alexandre Lucas

A saudade terce a poesia
Clamando pelo reencontro
Há quanto tempo não sinto
Nossas vozes esculpindo os nossos sabores
As  adversidades fazem mar
E que Yemanjá nos ensine a nadar.

Alexandre Lucas      


domingo, 20 de janeiro de 2013


Não tomei nenhuma dose, mas o mundo ou minha cabeça rodopia
A barriga canta como um ronco recebendo pauladas
os olhos se fecham de cansados
e se abrem constantemente de impaciência
Dormir e acordar abraçado comigo mesmo
para esfolar os dias de maremotos
e os sonhos afogados.

Alexandre Lucas

E o sangue se espalhou pela parede
Escreveu as dores da noite e as caminhadas do dia
E as palavras se entrelaçaram com os riscos
E os tambores anunciaram o fim
Do corpo tombado em procissão

Alexandre Lucas

Governo a noite
num espaço vazio
o silêncio conversa
freneticamente comigo...

Alexandre Lucas

Tomentos
Momentos
E a vida sagrando ...
E o palhaço continua com o nariz vermelho
E o rosto esticadamente mascarado de sorriso

Alexandre Lucas

O jarrinho com flores fica no chão
Hora e outra olho para ele
Fico aguando com as águas
Salgadas de mim...
Um dia o pezinho vai morrer
Talvez fique o cheiro de jasmim...

Alexandre Lucas

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013


Procurando me deslocar da realidade
Tento fechar os olhos
E descansar a alma
Tento impossivelmente relaxar
E contar os carneirinhos, ou até mesmo os postes
Que me perseguem no percurso de casa
Em vão tentativa fecho os olhos
E tenho pesadelos
Os monstros reais reaparecem    
Mais sanguinários e insolentes
Acordo,  falta água para mergulhar a cabeça que ferve
Vou ao banco frio e sombrio, apesar das luzes que encobrem a falsidade da vida.
Tomo café para agitar o dia que parece querer chorar. 
Enquanto isso salgo minha face com as águas de minha alma
O Tic-tac da realidade estronda nos meus tímpanos
A faca pousa do lado
E aproveito para descascar os abacaxis desta plantação.

Alexandre Lucas  

A minha proposição foi me fazer feliz
Refazer-me a cada instante
Labutar e lapidar a vida
Ir à luta
E ter a companhia
Dos teus carinhos
e a certeza do teu ombro
que a cada dia se molde no corpo um tijolo
de suspiro e sussurro
de alegrias e de ínfimas chateações  
e que assim possamos
colocar cada tijolo multicor
um em cima do outro, com boa argamassa 
para que possamos construir um castelo de sonhos coloridos
sem prazo para conclusão,
Que ele, o nosso castelinho, tenha um termino infindável.

Alexandre Lucas  

Vi  no livro fotos vivas de homens mortos
Li histórias sobre choques e tiros
Isso tudo foi verdade
 Não a verdade de Goebbels
Temo a vida
Por carregar um rosário de sonhos.  

Alexandre Lucas

O poeta joga  a parede de concreto
Cacos, traços e poeira se espalham
E a alfaia anuncia a morte adulterada da verdade
E a poesia  se refaz assanhada e doce
Inquieta e guardiã
Nas brechas  do asfalto do coração
Brota cheiro, flor e canção
Cumplicidade, lealdade e liberdade
E um jarrinho de saudade
Esperando o calor do teu compasso
E a água do teu abraço. 

Alexandre Lucas  

Sou assim uma variante militante
Que busca o aconchego dentro da selva
Que arrebenta a selva para acomodar sonhos
Compreendo que meu trabalho estético artístico é indivisível à vida, por conseguinte à compreensão política
Notadamente ligada a minha camada:  popular, oprimida e explorada.  
Sou ambulância de provação, provocação  e polêmica
Convictamente sou docemente frágil
E  pássaro que  voa e diz que vai voar  
Liberto
Não tenho patentes de propriedade e
nenhuma  inscrição marcada a fogo no meu corpo  
Sou fiel as minhas crenças, crenças humanas  
Sinto frio, calor e tesão
Bato, corro e digo palavrão
Estudo,  pesquiso e experimento
Refaço, transformo e discuto
Não me faço de cego, nem de mudo
Recolho encontros e transtornos
Para sacolejar fitas de cetim e granadas
No meio do salão dos esconderijos da alma

Alexandre Lucas 
  
Hoje é de lua cheia,
Nos quintais e nas salas de  desejo
Avoante, radiante, peregrino militante
Vai entoando as cordas da rabeca
Rodopiando o feitiço
 pirofagiando o corpo
para os  holofotes do luar.

Alexandre Lucas 

Aprendi na luta do meu povo a  reinventar a canção
A tocar a música que não toca na TV,
A retirar a maquiagem que não te faz ver
A desenhar rupturas e estradas de utopia
A edificar a esperança
E ver o sonho partilhado
Como a terra, o pão e a vida.

Alexandre Lucas 

O vento me sacode com pontapés,
Saio rebolando
Fingindo ser dançarino
O corpo da alma chega em casa arrebentado
Sem nem saber se casa tem
Encosto em qualquer canto
Para fazer do  sertão mar 
Adoço meu café com sal
E broto com o um sorriso
Docinho
Para tenta aliviar  o gosto
Amargo do cafés da vida.

Alexandre Lucas  

Esquartejei o tédio da prisão
alvejando o encardido do tempo
vi a cor das correntes
e pude conhecer as histórias
trancafiadas nos cofres do império
quase me embriaguei, com as doses falsificadas de imagens
descortinei a paisagem
e fiz outro retrato
preparei o feijão, o livro e o canhão
e em coro
machamos alegres de rebeldia
escrevendo na ponta da faca a nossa poesia.  

Alexandre Lucas  

Quando a saudade bate
E o desejo sacode a alma
Emendo a distância com a presença da lembrança
E monto no lombo das palavras
Para chegar de longe
Como sino de capela
Subtraio os dedos para encurtar os dias
Para nos fazemos jardim poesia.

Alexandre Lucas

Filho, 
O tempo é esse 
Pois é o nosso tempo 
As crianças ainda choram 
Não pela ausência dos brinquedos 
Mas pela falta de poder rir com a barriga cheia
E os adultos ainda se encolhem
Para chorar por trás das portas.
Pai Noel é uma mentira para iludir as crianças no natal 
Mas esse é também o tempo das ilusões 
e apesar de tudo é o tempo dos sonhos 
e das revoluções. 

Alexandre Lucas

Eu que queria apenas conversar 
Embriaguei-me com a ausência de palavras 
Toquei fogo no vocabulário
E joguei-me na fogueira 

Alexandre Lucas

A poesia burguesa se deleita no banquete gueto
dos artistas 
no nicho fechado 
do anel auto-suficiente das estrelas 
com discurso de rebeldia 
anti-revolucionária. 

Alexandre Lucas

Na intimidade das minhas complexidades 
A saudade me contrai 
A tua lembrança firme e grudenta
Deleita minha paisagem 
O sorriso vem leve e abanado 
Como bandeira vermelha
Que anuncia a nossa luta 
E o desejo de revolução.

Alexandre Lucas 

No vazio do quarto escuto os gritos 
Do silêncio, 
As roupas se embolam como meus cabelos 
o espelho denuncia meu cansaço 
lavo a cara para maquiar os olhos fundos 
sento na privada para meditar sobre o dia 
arranjo foices e martelos para refazer os caminhos e gestar a poesia.

Alexandre Lucas

Chego em casa com a mãos calejadas de lágrimas
Abro a geladeira e ela de tão vazia me abraça 
Geladamente
Paro e olho cada parede que a mim não pertence 
Acendo o fogo para preparar o café 
Amargo e com gosto de pó
Fico dedilhando o juízo 
E observando o escorpião que tenta se proteger no banheiro 
E entre as palavras e os soluços
Que somente eu e o silêncio podemos escutar 
Preparo na calada da noite o suspiro de amanhã. 

Alexandre Lucas