Mesmo entre sangues e companheiros
Entre sonhos e cafés
O abraço pode desabraçar
As pontes podem cair
Diluindo horizontes
Fraturas expostas
Podem redescobrir caminhos
O fluxo se renova
Como um rio que nunca tem as mesmas águas.
Alexandre Lucas
No decorrer do verso
Vejo a variação da vida
Uma procissão de maçãs e estilhaços sem luas
Desfilando no horizonte
Um desenho inacabado se refaz
Como nuvens passageiras
A boca espera
O encontro do verso
Para a poesia não terminar.
Alexandre Lucas
Um verso escorreu entre nossas pernas
Tua boca pronunciou
Os mais gostosos palavrões
E pelas manhãs
Vejo calado
Os corpos desfilarem com pudores
Ainda é proibido
Pronunciar prazeres
Corto o silêncio da noite
Procriando maçãs.
Alexandre Lucas
Não diga como devo comer
Eu sinto fome
E tenho pressa
O tempo de barriga cheia
Não é tempo de bons modos
O meu tempo exige
Luta
E pressa
Não diga como devo comer
Quando não tenho o que comer
Eu, faminto
Tenho meus modos
Que tremam as barrigas
Que me fazem sem comida.
Alexandre Lucas
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